Recolho os dentes, tiro a cara da poça de sangue, emendo os ossos, abro os braços e subo, de costas, flutuando, até o nono andar. Fico ali um tempo, sentado no beiral e volto para dentro. Junto os cacos e refaço o copo, encho a garrafa. Volto para o banheiro e páro diante do espelho por quase uma hora, olhos inchados. Visto a camisa, vou para o computador, deleto a carta de despedida e mando restaurar o sistema.
Uma semana.
Tomo os comprimidos e penso na crônica do dia seguinte. Escrevo, escrevo, corrijo quatro ou cinco palavras, imprimo, rabisco todo um parágrafo com a Futura vermelha, reescrevo, reimprimo, rerrabisco, até o amanhecer. Despacho a crônica para o jornal, desço para tomar café na padaria e desvio do corpo coberto com plástico preto e do sangue marrom ressecado que se desenha em direção à sarjeta.
Tomo um café expresso e como um pão de queijo. R$ 2,20. A moça não tem troco para R$ 10. Depois eu pago. Ela acredita. Hehehe...
Um conto que se vê com curta ou curta que se lê como conto?
Marcela Fells · Belo Horizonte, MG 22/8/2006 19:00um conto que se vê como curto ou uma curtição que se curte como conto?
Fábio Fernandes · São Paulo, SP 3/9/2006 12:42Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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