O seu tempo acabou, todos nós tememos a fatídica frase. Chegaram ao fim nossas glórias, ninguém tem mais paciência para aguardar nossos gols, ninguém mais acredita naquela raquete que já foi fantástica, aqueles dedos que assombravam a todos nas teclas do piano, já não mais empolgam, nossa voz já não é a mesma dos áureos tempos. A verdade é que não acreditam mais no nosso trabalho. Muitas vezes o nosso tempo acaba por motivos outros: na consulta volátil do SUS, no divã do psicanalista, no caixa eletrônico, nas mãos de um marginal qualquer, que se faz de Deus para determinar nosso tempo por aqui, no amor daquela mulher que um dia não tinha tempo de acabar... O nosso tempo acabou no gosto das platéias, na preferência da mídia, no reconhecimento dos passantes, na sombra segura daquela repartição pública que nos priva do mundo real. É sempre, uma surpresa quando acaba, parece que não é conosco.
Acreditamos, no agradável sabor, de termos algum pacto com a eternidade, sem comunicá-la do mesmo... Mas acaba, sempre acaba, e não nos preparamos para o inevitável fato. Não sabemos o que fazer sem o aplauso do público, sem o som que tirávamos daquele teclado, sem o dinheiro que devia sair do caixa eletrônico, sem o amor, compulsivo daquela mulher que parecia sem fim, sem aquele emprego, que parecia nossa vida. O nosso tempo acabou como acaba a luz das estrelas num buraco negro desconhecido, como decreta o fim da desajeitada lagarta uma ágil e bela borboleta, como caducam as máquinas um dia veneradas e sabidamente insuperáveis... Com as cortinas, marcadas pelo tempo, que se fecham mostrando que o nosso show tem um fim.
Procurar outro psicanalista, outro esporte, que perdoe nossas articulações, outro médico do SUS, que tenha, um pouco mais de humanidade, um caixa que não seja eletrônico, uma platéia não tão exigente, um novo amor, que ainda, nos ache interessantes, apesar das manias, apesar da estética corporal comprometida ao sabor da vida. Abrir, novamente, as cortinas encardidas para um novo show, que nos perdoe os anos vividos e que ainda acredite, que algumas coisas o tempo não destrói e melhora. Que tal começar trocando as cortinas, o espetáculo pode começar outra vez, e merece alguns cuidados especiais.
Tudo se modifica, depende de como vamos encarar, reagir às mudanças, mas acho que somos felizes, pelo pouco tempo que resta devemos aproveitar bem...o que foi nunca será, mas podemos acontecer.
Muito bom texto.ab
Frederico,
Temos sempre que renovar nossa esperança de melhores dias, dando graças pelo milagre da vida.
Abraços
Frederico,
iniciando sua votação
muito convicente seu texto,
mas acontece que jamais devemos fechar as cortinas.
Se um tempo bom acaba, é certo que outro começa,
Abrir as cortinas da vida e deixar entrar a esperança.
bjs
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