I
Bem no jorro pênsil dos rios tintos de lágrimas
mergulhado em óleo de cânfora humano
inundado de silhuetas sem orgasmos
(em meio a intensas e nervosas ventanias
que invadem os nômades pensamentos
poluídos de fezes emplumadas)
um dócil paradigma de flor desmonta o medo
e seus empates descalços
desenhando na nádega do planeta
suas lúgubres vagaturas
engomados por esses pés farpados
em oração à rampa da palavra.
II
Em célere canseira
dois olhares e segundas demãos
agonizam no interior de mim mesmo.
Guirlandas e lamentos serão depositados nas faces
que falecem ao fogo-fátuo
sem se auto-sepultar no ralo da noite...
Refregas do porvir
de ré e traição põem fé
que notívagos e lunáticos
acasalarão durante o armistício
enquanto nuvens de sexos mais cínicos
e nebulosas infiéis ejaculando
pelos flancos do inverno
em segundos não passam.
III
Afasto-me de mim!
Sigo com as minhas babas amargas.
Nuvens de planctos assassinos
protegem vozes humilhadas...
À névoa suja foge um sumo de rebeldia
— e foram minhas asas que os libertaram —
que como uma aragem vinda do hálito do orvalho
oferece de peito erguido
seu último sacrifício
no entanto timidamente erótica
sua libido se esconde dele
amordaçada e amarrada à sua crosta escrotal.
IV
Oh! Magnitude amputada!
Deixo-te o destino da morte.
Teus restos sodomizados massageiam
a mutação do silêncio.
À sombra trôpega colhestes uma dor
— e foram teus “Ménage à Trois” intelectuais
que as plantaram —
que como uma vagante parábola dos homens
sofre — e desdiz:
Masturbação de dedos, um cismar de alvos
deixando penetrar nas bocas entreabertas
as línguas contaminadas de fome...
Sobrevivendo de luzes brochadas
tu mesma então empurras as falas
para porões sem escotilhas
num pasmo-rouco desfigurado
e num escarro engravidado
contaminas nossas camas de dias cinzentos
enquanto nos crus horizontes
entre ancoradouros enforcados e neuróticos
predominam entesadas as porno-falações em fuga
para o mesmo destino.
© Benny Franklin
Em célere canseira
dois olhares e segundas demãos
agonizam no interior de mim mesmo.
Deixo-te o destino da morte.
Teus restos sodomizados massageiam
a mutação do silêncio.
Benny
A impessão
a repressão
a opressão
a omissão
tudo caminha junto
sem orgasmos
só silhueta.
Um abraço
Benny, "Silhuetas sem Orgasmos" é um dos poemas mais fortes que já li. Uma força atemporal
Paulo Esdras · Brumado, BA 17/11/2008 17:24
BENNY,
OH MAGNITUDE AMPUTADA!
DEIXO-TE O DESTINO DA MORTE.
Alheios aos temporais intímos,
Deixamos submergir o féretro,
Dos desesperados...
Pois que nossa mesa,
Esta completa,da estupidez
Que devoramos àvidamente!
Ainda prefiro hospícios,
Às cavernas escuras e frias!
As orações, vão trasformar medos,
Em pães,numa orgástica refeição...
Sua poesia dilacera,e ensina;
Mesmo que prefiras o paraíso,
O inferno é território dominante!
Fantásticamente cruel,e belo!
PARABÉNS,
Abraços,
Boa semana.
PORTO ALEGRE-RS.
Benny, grande poeta e fiel parceiro.
Esses contornos de restos de vida ou começos de mortes, certamente não são do mundo de Deus...mas da terra que sangra...insana
Abraços fraternos
Noélio
Em frangalhos, segue a vida. E os orgasmos , mesmo qdo não plenos, ainda acontecem. Pequenas mortes;)
Meu hermetico amigo Benny. Sua poesia esparrama uma realidade cruenta, mordaz, social e reveladora. Pena que essa mensagem não chegue a toda a sociedade brasileira que precisaria conhecê-la. O Brasil é o terceiro pior país da America Latina em educação, segundo a ONU. Mas, para mim grande poema. Votado.
Julio Rodrigues Correia · Manaus, AM 18/11/2008 11:38
Meu poeta del mundo.De uma lan consigo completar seus 80 pontos.Parabéns"
Um poema como dizem os overmanos...De prima, eu já diria... Uma realidade dentro da mais necessária realidade.
Publicado carinhosamente, do escuro de uma lan.
Égua... de babar e refletir. Tudo. Inclusive a imagem.
Excelente, Benny!
Beijo!
Benny,
A leitura dos teus poemas
são fortes e preciosas.
Aplausos!
Beijos e votos,
Regina
Em célere canseira
dois olhares e segundas demãos
agonizam no interior de mim mesmo.
Texto forte! combinação perfeita com imagem.
bj na alma!!
Pedras de Cabral, desalento de Augusto, carimbo de Franklin!
Lílian Maial · Rio de Janeiro, RJ 20/11/2008 15:29
Eu tombo.
Quase arreio
Arreliada, suada
sua sou às da tua manga
brotam incessadas
sandalices de sândalo
machadiano perfumoso
fiquei-me quedada
caíram-me todos os jardins
Eros e Babilônia suspensos
digam já: babélicos
de terra, ar e mar!
VOTOS,
Abraços,
E boa semana!
O POETA PRECISA ROMPER,
A QUIETUDE DILACERANTE
DOS CEGOS E ALIENADOS...
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