Foto: Mantelli/Clickr/Creative Commons
(Ah! Se compreendêssemos o segredo da vida!)
1 - Assim como os flocos de neve
Caem pesadamente sobre as relvas de longes campos.
Impelindo-nos incessantemente os seus brilhos cruciantes,
Como se fôsse a inalterabilidade das coisas viventes.
Assim como os galhos estéreis das frondosas árvores da vida
Escorrem sutilmente pelos ralos das lânguidas angústias.
Temperando-nos com o sabor dos poetas de pouca alma,
Também há de cair desmioladamente
Sobre as nossas cabeças ávidas de divindade
(Se nada fizermos para derrotar o medo de viver...),
Cinzentas nuvens de frígidos orgasmos.
Porque esta é a lei que rege o afiado espírito da alma;
Porque esta é a lei que desaba vorazmente
Sobre os humanos de cabeças desalmadas.
2 - Já nos foi dito por milhares de vezes
Que, todo corpo vivente:
Há de morrer de falência múltipla das células gozosas;
Há de gerenciar nossa quase eterna juventude;
Há de espalhar, ao vento da espera, o ascetismo do sábio,
Combinado com o altruísmo do homem vitruviano.
Cuja flor de maracujá aberta em sexo de saracotear paixões,
Há de energizar-nos pelo vigor do novo homem de aço
(Arremessando-nos até a solidez vivificada da primavera do amor),
Para que, este macho de osso e ferrugem,
Se esbalde na incorruptibilidade dos grandes mártires...
Mas, que, neste novo homem não pulule a viuvez da aurora.
Que a dor não nos imponha dúvida;
Que seu inevitável retornar nos seja eterno:
Traga-nos de volta, ao ponto de partida,
Donde ingenuamente
A benevolência da Inteligência Suprema
Deu-nos à infinita luz,
Ainda baby.
3 - Sim! Sob a lei do eterno retorno
Caímos de dor,
Mas, em seguida, levantamos curados!
Caímos de quatro,
Mas, a alma de aço, se quebra em quatro
E logo se cola bendita!
Caímos de fome,
Mas, revoam-se os pássaros proscritos, a longes ninhos
E logo descobrem sossego e burburinho!
Caímos de arrogância,
Mas, a ferrugem do tempo, se agoniza de morte
E logo adiante se ressuscita.
Caímos de orgasmo,
Mas, o malfazejo do amor, se torna ferida
E logo se cicatriza.
Sim! Sob a lei de o infinito retorno,
O coração, ora restringido e solto,
Não consente dividir-se em dois despojos de vida.
Não aceita se despedaçar como tosco lamento
Partido em milhares de partes...
Pois que, como anjo do asfalto,
Cada homem há de eternamente se esforçar
Para alcançar o verdadeiro caminho,
Cujo trajeto a ser consumido em pedaços
- Feito animália de pouca gala -
Há de terminar definitivamente
No coração de cada lugar.
Benny Franklin
Grande Poeta Benny,
Sob a lei do eterno retorno caminhamos semeando hoje pra colhermos amanhã...
Parabéns pelo poema,
Abraços
Benny, sua prosa é tão poderosa quanto seus versos.
Aos homen sé dado o refazer-se, graças a Deus ou aos desejos ou aos sonhos que nos movem todos para o fim e o recomeço.
Gostei muito.
Suas imagens são sempre maravilhosas.
beijos
E a gente corre pra chegar no comeco! Benny ce e grande...abracao. victorvapf
victorvapf · Belo Horizonte, MG 28/9/2007 14:01
Infalível esta lei... eu creio que é assim. Em algum lugar, em algum momento se colhe o que se planta. Muito bom, seu poema Benny, como sempre. Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 28/9/2007 22:32
Benny, estou impressionado por duas coisas, principalmente...
Em primeiro lugar, pela qualidade (se eu disser épica aqui você irá ficar zangado comigo), mas, digamos, pela qualidade indubitávemente perene, grandiosa, deste texto!
Enquanto você largava, por um instante apenas, os versos... eu... no mesmo dia... talvez na mesma manhã... abandonava a minha prosa claudicante para intentar uns versos de pé-quebrado...
E, ambos, talvez no mesmo instante, estávamos escrevendo sobre as seguintes entidades em comum:
neve, vôo de avião (foto), Norte, e, ainda, de alguma maneira, o retornar...
É claro que o meu poemeto não chega aos pés de nenhum dos teus (eu até misturo pessoas verbais, metendo um vós dentre um tratamento com genéricos, de baixa qualidade tus, ou seja, misturo a segunda pessoa do singular com a seguda pessoa do plural... rsrs Mas, tirando isto, uma espécie de sintonia é de se notar, especialmente nesta manhã de sábado...
Grande texto, maravilhoso.
Abração,
Baduh
(Ah! Se compreendêssemos o segredo da vida!)
Bela prosa poética, Benny! Flores sempre @>--
Estréio a votação, com o máximo prazer! Belíssimo!
Baduh
Belo...belo...belo...
Votado,
bjus............
Benny.
Ontem foi a minha vez de ferver nos encantos mosqueirenses. No sábado, enquanto, amigo, olhava a lua mergulhar nas doces águas, quase oceanos amarelos, tive a certeza que os momentos poéticos têm cheiro de eterno.
Gostei, benny.
Abraços
Noélio
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