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sobre a erva-daninha no jardim das delícias da poesia suposta

Sidclay Dias, aqui: http://www.flickr.com/photos/sidclaydias/2865655280/
1
André Teixeira · Aracaju, SE
24/9/2008 · 80 · 10
 

sobre a erva-daninha no jardim das delícias da poesia suposta


A palavra cresce.
Qual flor entumecida lambida pelo vento
e os outros três elementos,
esparge beleza ao olho que sente,
ao olfato que entende,
ao toque que arrepia
e segue mastigando pedaços de poesia.

As palavras avolumam-se numa onda
que força de dentro pra fora,
qual coração saindo pela boca
em oração de pagãs letras...
(esperam-nas um difícil passar pela garganta
ainda cheia de gumes a lotar-lhes
o caminho)
...ânsia de guardar o tempo
com mãos de vento que não seguram
nem o pó dos seus rastros,
tampouco a sombra dos sentimentos!

A palavra agora é toda espinhos...
guardam as flores da poesia – Beleza
incomunicável como só as coisas incomunicáveis o são –
para os muitos cegos dos sentidos que verão
apenas suas cores a lhes borrar o horizonte eternamente cinza.

A poesia cheia de palavras agora é uma palavra só: GRITO!!!

Carrega em seu eco
sementes de outros gritos,
arrancados com suas e tudo raízes, lá de dentro,
do seio da estrela em chamas,
do meio da carne que ao toque da língua
mais se inflama – seu combustível
e música – ,
atropela sem pudores os suores
com mais suores e sabores
do paradoxo doce em meio ao sal do Verbo.

Planto essa semente,
esse velho novo grito,
no jardim das delícias de outra poesia
que se engancha na minha voz,
com unhas e dentes a lanhar o sonho
e assanhar asas de querer voar
sobre o espelho que lambe sua face
e o abismo que não cansa de tudo devorar.

Raios de sombras, tragos de Luz, goles de almas
em conta-gotas, ampulhetas de orvalho a conduzir
meus braços abertos nesse abismo de flores supostas e perfumes
de jardins que só existem na mente de quem sente
o invisível a queimar, o crepitar da nossa carne,
lenha dessa fogueira que ora arde a poesia
de ontem de agora e sempre.

Sobre a obra

Foto de Sidclay Dias, no site Flickr.

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Autoria
André Teixeira
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Compulsão Diária
 

Plante, poeta. As sementes do teu canto alameda que cheira a laranja e é verde - noite vegetal - pouso ponto e chão de apoio de versos rumo ao mar. E nesse labirinto, os jardins suspendem abismos se a paisagem sangra o olhar. Grito, uivo, urro no céu furta-cor das manhãs pós insônia, arde a poesia.Procuro eco de muitas vozes. Nenhum som? Pensar para sentir? O sentimento mergulhou no vácuo.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 23/9/2008 09:51
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André Teixeira
 

Abismos suspensos de palavras, sons que cheiram, e olhares que sangram o horizonte a devorar o presente

Gostaria de sentir uma poesia que só dissesse
silêncio...
mas são tantos sons de cores várias
que não consigo evitar o barulho dessas palavras
que me mastigam.

Lentamente,
uma a uma (ou de par em par),
cravam seus dentes de paradigmas
desnorteando o curso da linha que se entorta
entortando as linhas que a alma dita...

Fazer um cinema mudo
dos sentimentos, legendado por cheiros
de abstrações sem figuras de olhagens,
até ser digerido e descomido para a concretude
de nuvens que não carecem de entender algo
que seja Signo...

Sentir e escrever o Sol
desse sentir,
até que as palavras que mastigavam
sejam mastigadas, degustadas pela ponta dos dedos pontes
para luminosidades que vem das trevas de dentro
do pensamento, estrada para o Sonho
que passeia fora a sonhar a gente.

===

CD!!! bons frutos esses pés de palavra tem dado. Gosto do que comentas ao ponto de poesia. Quem dera poder me alimentar só de poesia (pãoesia)...

GRANDE abraço!!!

A

André Teixeira · Aracaju, SE 23/9/2008 18:48
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celina vasques
 

Lindo! Lindo! Assim como minha Deusa Cedezinha sou tua fã de carteirinha!
Teu nome é Versosos e teu sobrenome Poemas!

Lindo Lindo!
beijo na alma poeta!

celina vasques · Manaus, AM 23/9/2008 21:25
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celina vasques
 

corrigindo VERSOS

celina vasques · Manaus, AM 23/9/2008 21:26
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EdimoGinot
 

A semente, sem dúvida, é plantada
Desconhecida, enterrada,
só veremos o fruto em outro dia...

Gostei
um abraço

EdimoGinot · Curitiba, PR 24/9/2008 10:50
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Dito Venéreo
 

indagações, adaga que corta e rasga e rosna, dilacera e prepara nossas sobras completas. Tritura, espreme, planta, tempera.
Joga lá pra dentro do fora o pavimento experimentacional.

Impressões deveras diversas e divertidas causadas, CAOSADAS, pela leitura de vossa escrito. algo como surreal e barroco, veloz e sub-universal.
"Ao vencedor as batatas!"

saudações efusivas

Dito Venéreo · São Paulo, SP 24/9/2008 11:29
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Doroni Hilgenberg
 

Fred
poesia suposta
tudo é suposta poesia.
" Raios de sombras, tragos de Luz, goles de almas
em conta-gotas, ampulhetas de orvalho a conduzir
meus braços abertos nesse abismo de flores supostas e perfumes" .

São tantos os sentimentos poéticos a aflorar,
mas tudo depende dos olhos de quem vê
e do coração de quem sente.
bjsssss

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 24/9/2008 12:21
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celina vasques
 

celina vasques · Manaus, AM 24/9/2008 13:37
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Regina Lyra
 

André Teixeira,
Gostei muito do tema abordado
e o seu contexto poético.
Parabens!
Receba meu abraço e votos,
Regina

Regina Lyra · João Pessoa, PB 24/9/2008 22:38
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Compulsão Diária
 

Na velocidade desta verve. mais uma vez.

Compulsão Diária · São Paulo, SP 24/9/2008 23:52
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