“Louco é alguém que perdeu tudo, menos o juízo.”
(Gilbert Keith Chesterton)
Tenho um respeito muito grande pelas pessoas ditas anormais, especialmente os perturbados mentais, talvez porque eu tenha conhecido, há tantos lustros, os tormentos da síndrome do pânico, essa doença elitista que já atormentou gente muito mais importante do que eu. Está aí o divertido Mário Prata que não me deixa mentir. Quando se enamorou de uma bela cantora portuguesa, lá se foi ele de mala e bagagem para a santa terrinha dela. Bateu-lhe o pânico e ele veio correndo para o solo materno. Tempos depois descreveu, com humor, os conselhos que os pretensos amigos lhe deram para sair daquilo. Alguns diziam que aquilo era excesso de mulheres em sua vida; outros diziam que era carência de mulher. Uns diziam que ele estava bebendo muito; outros recomendavam um porre.
Alguns atores e atrizes que você não mais vê na tela ou no palco devem essas férias forçadas ao angustiante pânico, que vem a partir de nada, racionalmente falando. De repente, a pessoa se convence de que aquele satélite espacial que os jornais dizem que se está desintegrando vai cair na cabeça dela. E por mais que os amigos argumentem que isso não tem lógica, a pobre senhora respondia com toda lógica: que ele vai cair na Terra todos garantem que vai; pode cair no mar ou em terra firme; quem garante que esse lugar em terra firme não é justamente aquele local em que eu vou estar quando isso ocorrer? “Bem, quer dizer.” Viu como eu tenho razão?
Também conheci as não menos tormentosas noites infindáveis da depressão, que um filme delicado retrata à perfeição. A fotografia e a música de As Horas, com interpretações magníficas de três atrizes de primeira grandeza, mostram que aquilo é mais do que apenas uma homenagem a Virgínia Wolf, uma dentre tantos escritores atormentados por seus demônios interiores, que a escrita não conseguiu exorcizar completamente, mas uma autêntica moção de respeito a todos os que conheceram esse terrível caminho em direção às trevas, como disse um deles, o escritor William Styron, autor do emocionante livro Escolha de Sofia, que, transformado em filme, tem, coincidentemente, como atriz principal uma das três a que me referi acima, a extraordinária Meryl Streep. O fato real é que, em 1941, em uma crise de depressão profunda, Virgínia, tal como se mostra no filme, encheu os bolsos da roupa com pedras e entrou no rio que passava perto de sua casa, para afogar os seus fantasmas, e de lá não retornou viva.
Aliás, Mercedes Sosa imortalizou o drama da escritora e poetisa Alfonsina Storni, que, três anos antes, havia feito algo semelhante: portadora de uma doença atormentante, avançou mar adentro. Diz a belíssima música de Ariel Ramirez e Felix Luna:
"Cinco sirenitas te llevarán
por caminos de algas y de coral
y fosforecentes caballos marinos harán
una ronda a tu lado
y los habitantes del agua van a jugar
pronto a tu lado."
Em todas as cidades sempre há um louquinho, como o Zé do Arquinho, em Nova Granada, onde judiquei. Passando diante da janela de meu escritório, na casa onde ele sabia que eu morava, me mostrava as duas mãos espalmadas e os oito dedos cruzados quatro a quatro, a significar a cela para onde eu estaria mandando algum réu. Era atencioso com todos. Alguém que ainda não o conhecia estava a manobrar o automóvel e ele, solícito: “vem!, vem!, vem!”. Até que o confiante motorista, sempre indo em ré, bateu seu automóvel no carro estacionado atrás dele. “Vem que bate!” disse agora o doidinho, dando pulos e batendo palmas de satisfação diante do furioso turista.
No bairro em que moro há um que carrega no carrinho de feira pacotes e mais pacotes. Como o Pepeu reside na rua, aquilo parece coisa de Sísifo. Pergunto-lhe o que traz naquele carrinho e ele desconversa, preferindo falar do telefonema que irá dar ao Prefeito, para que mande limpar aquela rua, que está muito suja, onde já se viu um desmazelo desses, cocô de cachorro por todo lado, o senhor não acha? O que ele arrasta para cima e para baixo é o seu segredo e o seu tesouro.
Conheço um outro personagem, que todos os conhecidos reputam lúcido, e que pagou uma fortuna por um quadro pintado por alguém famoso. Deixa-o, porém, guardado no cofre forte de um banco, pois, se pendurar na parede da sala ou do escritório, poderão roubá-lo. Qual a diferença entre esses dois doidos?
Minha sogra apresenta há muitos anos um quadro de demência, que alguém já diagnosticou com nome pomposo: Mal de Alzheimer. Um jovem psiquiatra, muito prático, foi curto e grosso: Para saber se realmente é isso um autêntico Alzheimer, eu teria de submetê-la a muitos exame e testes. Será necessário? É claro que não. O que importa é que ela não tem memória para fatos presentes. Se você viu o filme Procurando Nemo, lembra-se daquela simpática peixinha que vivia perguntando vezes e vezes a mesma coisa ao pobre pai do Nemo, este também um ser que apresentava um defeito, este físico, numa das nadadeiras, o que mostra a sensibilidade do diretor do desenho animado, a falar de coisas que muitas pessoas preferem esconder. Pois aquela simpática peixinha deve ter sido inspirada na dona Adélia, que faz a mesma pergunta vezes e vezes, irritando quem, achando-se pessoa normal, é incapaz de entender uma coisa tão simples: a memória daquela octogenária não tem mais espaço para armazenar mais nada. Não é assim com o computador?
Meu interesse por pessoas desse tipo me leva a fazer com minha sogra algumas experiências, o que me obriga a entrar no mundo dela, até porque ela não tem condição de vir até o meu. Quem desconhece meu real propósito, pode ver nisso um exercício de sadismo. Paciência! Em um jantar de fim de ano que celebramos com o casal de velhos em um restaurante da cidade, fazia parte da refeição uma taça de champanhe, como é de praxe. “Que é isso?“ ela me pergunta. “É guaraná” digo a ela, que leva a taça à boca e toma um gole. Faz uma careta e me chama de mentiroso. Menos de dois minutos depois ela faz a mesma pergunta e eu lhe dou a mesma resposta. Ela leva a taça à boca, toma um gole, faz uma careta e novamente me xinga, carinhosamente. Essa maluquice repete-se cinco, seis vezes e eu tentando saber quanto da experiência desagradável poderia produzir, pavlovianamente, um desbloqueio naquele cérebro. Inútil. Se eu não resolvo afastar a taça, aquilo se repetiria interminavelmente a noite toda, para desencanto do cientista russo e meu.
Por vezes faço uma de minhas especialidades sonoras: imito Orlando Silva ou Nélson Gonçalves, pois ela gosta muito de música, dizem que tocava piano muito bem quando era moça e parecia a Elizabeth Taylor:
“Boemia,
aqui me tens de regresso,
e, suplicante, te peço...”
E dona Adélia, no mesmo tom e no mesmo ritmo:
.. a minha nova inscrição.”
Não apenas pessoas com alterações psíquicas me chamam a atenção e despertam minha compaixão. Impressionou-me, por exemplo, uma lúcida jovem que, em razão de suas características pessoais, vive permanentemente numa sala especial nas dependências do Hospital das Clínicas de São Paulo. Seu trabalho é algo para ser visto e aplaudido.
Depois que vi a Eliana pintando, simplesmente aposentei meus pincéis.
Quando encontrei um amigo, que eu nã via há muitos anos, perguntou-me ele pela saúde. "No ano passado extraí um câncer do intestino" relatei. Ele escandalizou-se com minha franqueza e minha alegria. "Eu estaria triste se o câncer ainda estivesse dentro de mim" foi minha resposta.
Minha filosofia de vida é óbvia: se você não é capaz de pronunciar o nome do seu inimigo, ele já inicia a luta com vantagem.
Câncer, catapora, síndrome do pânico, sarampo, depressão, osteomielite ou outro tipo de doença que seja só atingem os vivos. Não sei se já reparou, mas cadáver não adoece, apenas se desfaz.
Cuidei de minha sogra por muito tempo. Ela tinha o mal de Alzheimer. Incentivámos, meus filhos e eu, para que ela contasse as histórias do seu passado. Nos divertíamos a valer, ela e nós. Nos sábados, meu filho do meio adorava fazê-la dançar.
Falar dessas doenças, falar essas palavras é o mesmo que exorcizar todos esses males.
texto muito bom, menino!
Beijos
Caro Circus! Kipling retrata bem histórias de atormentados em sua obra. Viajando pelo Brasil ví coisas incríveis com portadores de problemas mentais. Na cidade de Batalha no Piauí as margens do rio Parnaiba conheci um louca de setenta anos na época( (1990) que a cinquenta anos de vida recolhia corpos de mortos no rio. Lá o caudal fazia a curva e os cadáveres não apanhados na origem eram recolhidos por ele em troca de duas doses de cachaça! Morava em cima de uma banca no mercado em frente para o rio, sua missão! E viva os loucos e a viagem de suas mentes rumo ao desconhecido!
raphaelreys · Montes Claros, MG 12/11/2008 06:39
Adauto.
Depois de viúva fui morar com meu sogro.Desde novo ele apresentava um problema que nunca cheguei a saber do que se tratava.Para resumir:
Ele havia se esquecido que eu vivera casada com seu filho por 27 anos,era como um pai para mim.Por mais que eu tentasse falar do filho e da minha falecida sogra,ele não se lembrava.
Um dia passando as férias na casa do outro filho e se vendo trancado e só,fez uma corda de lencois para fugir e voltar para casa,e caiu do terceiro andar.Horas antes ele havia me ligado e pedido:
Me tira daqui,me trancaram.
Mas eu morava distante da Tijuca,e no outro dia recebo a notícia.Ficou 5 meses em coma vindo a falecer.Até hoje me sinto terrivelmente mal.
Em resumo
Acho, muitas vezes, que ser normal
é viver dentro de limites muito estreitos.
Grande texto
Mas não aposente seus pincéis
Um abraço
" Te vás Alfonsina con tu soledad
Que poemas tristes fuistes a buscar
Una voz antígua de viento y de sol
Te requiebra el alma y la estás llevando...
Y te vás hacia allá como el viento
Dormida Alfonsina
Vestida de Mar "
Só por lembrar esses versos - valeu a leitura !!
Muito bom como sempre o são os teus escritos, grande mestre! Retornarei quando oportunamente abrir a votação.
José Cycero · Aurora, CE 12/11/2008 09:59
A letra completa de Alfonsina y el Mar é esta:
"Por la blanda arena que lame el mar
Su pequeña huella no vuelve mas,
Un sendero solo de pena y silencio llegó
Hasta el agua profunda,
Un sendero solo de penas mudas llegó
Hasta la espuma.
Sabe Diós que angustia te acompañó
Que dolores viejos calló tu voz
Para recostarte arrullada en el canto
De las caracolas marinas
La canción que canta en el fondo oscuro del mar
La caracola.
Te vas Alfonsina con tu soledad
Que poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
Te requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá como en sueños,
Dormida, Alfonsina, vestida de mar.
Cinco sirenitas te llevarán
Por caminos de algas y de coral
Y fosforescentes caballos marinos harán
Una ronda a tu lado
Y los habitantes del agua van a jugar
Pronto a tu lado.
Bájame la lámpara un poco mas
Déjame que duerma nodriza en paz
Y si llama él no le digas que estoy
Dile que Alfonsina no vuelve
Y si llama él no le digas nunca que estoy,
Di que me he ido.
Te vas Alfonsina con tu soledad
Que poemas nuevos fuiste a buscar?
Una voz antigua de viento y de sal
Te requiebra el alma y la está llevando
Y te vas hacia allá como en sueños,
Dormida, Alfonsina, vestida de mar."
Um texto com G. K. Chesterton no frontispício, só por isso já é digno de reverência.
No mais, qual o limite entre a sanidade e a loucura? Loucos são sempre os outros.
Abraços.
A loucura é fascinante, apesar de triste.
Lembro-me que algumas civilizações julgavam que os loucos eram oráculos. Hoje, são vítimas da própria sociedade que não sabe oque fazer com eles.
De qualquer forma, como você disse, as doenças são coisas dos vivos. E sempre é melhor ser.
beijos
Tio
Acho q algumas loucuras assustam, outras nos inspiram, outras achamos que só os outros têm, outras servem de inspiraçào para escrever no Overmundo, lembra do meu "The Fool"?.... mas de todas as locuuras, a mais incompreendida, creio eu, é a loucura de querer/tentar ser feliz. E desta nós dois padecemos, creio eu, o que, obviamente, desagrada aos ditos "normais"... Se bem que, já disseram uma vez, de perto, ninguém é normal....
beijocas com meu eterno amor e crescente admiração!!
Adauto
Todo o mundo estão falando dos loucos,
mas os loucos também tem sua utilidade.
dêem-lhe uma oportunidade para ver se eles não
desenvolvem algum tipo de trabalho.
Todo o mundo tem um dom
Fiquei triste, mas ao mesmo tempo maravilhada com o
dom para a pintura da moça Tetraplégica.
Que beleza de arte!
Deus em sua infinita bondade se nos
tira um dom logo nos dá outro.
bjss
Adauto: muito bom seu texto, como sempre.Qdo. se fala de dona Adélia me vem à memória ela tão sorridente e "lúcida" tocando piano lindamente! Como pode, algúém c/ tal problema tocar assim, sem o menor erro, a canção "Desde el alma"??? A vida e as doenças são estranhas, mesmo. Gostei, também, muito do quadro de Eliana. Bom, parabéns a todos...bjs e até...Langinha.
Langinha · São Paulo, SP 13/11/2008 08:57
Não conheço a Eliana, infelizmente, mas lembro bem do Zé do Arquinho, do Primo e do Zé da Caixinha.
Como diz o Caetano: de perto, ninguém é normal.
BJ
Pra doer, assim como pra morrer, basta estar vivo!
Conheci quando tinha uns 18 anos um poeta e músico brilhante que passava longos períodos internado por conta de uma esquizofrenia. Até hoje não sei se o que ele tinha não era uma forma superior de lucidez!
Conheci diversos tipos de pessoas "fora da casinha"! Talvez o mais siompético fosse o Fanfan, im senhor idoso de olhos azuis e cabelos brancos encardidos de amarelo que chegava todos os dias pruma cachacinha no bar da Estelita, muitas vezes com um banjo encordoado com arames de onde arrancava ruídos horrorosos, olhava nos olhos das pessoas, aproximava-se até quase encostar o nariz no do interlocuror, abria um sorriso desdentado e perguntava:
-Você já foi ao sol?
um dia Fanfan amanheceu gelado, mas o sol esquentou como nunca! A gente sabia que a alma do Fanfan estava lá, no sol, mandando sorrisos para todos nós, redimida da matéria, lúcida e luminosa.
o corpo nos impõe limites, a nossa alma anseia por liberdade. Desta dicotomia nasce a capacidade de superação que é uma das coisas mais belas que um ser humano pode conquistar.
Mestre Adauto. Ao ver os quadros da pintora Eliana Zagui não posso deixar de aplaudi-la. Ao ver a maneira como os pinta, fico abismado e sem palavras, penso e repenso na ciência humana, ainda havemos de chegar a dominar a cura para tantos casos. A mente humana é fertil. Quanto ao texto é ótimo, tocastes em duas cordas estendidas entre os horizontes do infinito: A superação da loucura e a superação do corpo. Isso, creio, só se consegue através do espírito. Como vês, de médico e louco todos temos um pouco.
Eldo Meira · Carazinho, RS 13/11/2008 11:35
Sem falsa modéstia, que não sou disso, posso dizer, diante de certos comentários, que o molho ficou melhor do que o peixe!
Circus do Suannes · São Paulo, SP 13/11/2008 12:25Adorei o Zé do Arquinho. Mais louco foi o motorista que confiou em um desconhecido. Aproveitando a deixa, jogo na mesa de discussão um tema não falado, sabe Deus porque: MENOPAUSA. O que acontece com a mulher nesta época? Tudo. Há anos li em um livro americano que dizia ser esta fase a mais importante do organismo da mulher, e não era questionada, estudada ou considerada nem pelas feministas. Passamos a viver aterrorizadas sem saber o que vem pela frente. Nosso organismo, e, principalmente nossa cabeça, não mais funciona. Temos angústia, medos inexplicáveis, idéias suicidas, pelo SIMPLES fato de os hormonios estarem descontrolados. Como as mulheres vivem em função dos mesmos, imaginem a "loucura". Irene Ravache disse na TV que na menopausa viramos "samambaia". Na verdade optamos por ser "uma louca mansa". Lila Su.
Lila Su · São Paulo, SP 13/11/2008 12:32
Querido Mestre:
A inteligência que salva e absolve é a mesma que achica e condena. (o achica é uma provocação ao Mano Meira) Aliás, esse mesmo citado, é autor de uns versos que cantam e contam a história do 'nosso' Santo Louco. Tem tudo a ver com essas 'loucuras'. E por falar em loucura, compete a cada um administrar a sua. Entretanto, quando se faz necessário a ajuda profissional, recomendo sempre uma passadinha no 'bar-do-billy', aquele endereço retratado em fita cinematográfica no "Crocodilo Dandy I". Nesse mesmo filme há uma passagem, onde o crocodilo, defende a técnica da psico-análise solidária. É só prestarmos atenção, na parte em que a sua namorada - filha de um portentado empresário da imprensa novaiorquina, apresenta ao Crocodilo o seu analista. Maiores detalhes - prefiro não comentar - estou aprendendo muito com o Fala Bela ou Falabela, ... o que importa é que a sua fala é bela. Para encerrar, aprendi com um amigo que assim como eu, andou às domas com a tal de 'depressão': ... pois olha tchê, ... essa tal de depressão, como o próprio nome já revela, ... é um negócio que assalta o índio, ... quando ele quer ir depressa demais. E misturando essa angú, por último uma deixa, ... essa vem do 'bar-dobilly', ... os analistas são os amigos profissionais, ... a gente precisa deles quando nos faltam amigos. Aqui no Rio Grande temos uma vacina, que faz parte do nosso gauchês, ... quando pronunciamos aos que chegam e vão embora (o nosso imortal Quintana ensinou, ... a vida é um conjundo de partidas e chegadas), ... tchê, que significa: amigo. Para os mais íntimos se usa o 'tchê-loco', e há ainda, ... o tal: 'tchê-barbaridade', que é usado, ... prefiro não comentar, ... mas virou até nome de conjunto musical. Cordiais saudações, ... e um Viva! ... a santa loucura nossa de todo dia, ... com muito tchê! Cleanto Farina Weidlich - Carazinho / RS.
Cleanto Farina Weidlich · Carazinho (RS) · 12/11/2008 09:21 alerta
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O PODER DA OPRESSÃO
"Louco é aquele que perdeu tudo, menos o juizo"
(Gilbert Keith Chesterton)
É dificil não perder o juizo em uma sociedade de camumbembes, adoradores do vio metal, "vivem lançando pérolas aos porcos".
Os coronéis são excelentes em colocar verdades absolutas, sociedade marcada pelo marca registarda de um povo ferrado povo feliz, sou grato a Circus do Suannes por conviver no centro desenvolvido, onde a diversidade de opinião é um imperativo para o crescimento da democracia, porém nos {centros} atrasados deste país queM pensar diferente das elites dominantes, das castas dominantes, da famílias dominantes, do mercantilismo dominante, do capitalismo selvagem e direcionador dominante "é um voz a clamar no deserto esperanado o aniversário de alguma herodiades da vida, para ser decapitado, do espaço social, da paisagem social, da voz, dos passos, da perseguição, da mesquinhez, da hiporisia. E Principalmete para fazer dobrar os joelhos para quem não tem joelhos. É uma voz a clamar sozinha no mundo....., Aida bem que existem milhares de Brasis, o Brasil do Circus do Suannes, é bem diferente do meu, o do Circus é o da liberdade o meu é o da opressão. O do Circus é um triangulo, ou retas reta o meu é o resto de um ponto. O do Circus é o do ter o meu o o do nada ter, o do Circus é o do ser. O Meu é o do fui. Patrabéns grande mestre por não precisar de um muro de lamentações por um viver em uma existênica vigiada, oprimidada, vasculhada, humilhada e oprimida.
É dificil ser um torre de pisa.
Os meus humildes trabalhos Grande Mestre se encontram a sua disposição. - Sempre
Em homenagem a sensibilidade do poeta Mano Meira, e por tabela a todos os 'santo loucos' de todas as cidades do mundo, ou ainda, do overmundo. Cleanto Farina Weidlich - Carazinho / RS.
Para todas as pessoas que conhecem o tão famoso e querido SANTO LOUCO! O Andarilho Carazinhense!
Edição de terça-feira, 06/09/2005, no Almanaque Gaúcho, ZERO HORA.
Santo Louco
Santo louco, maltrapilho,
perambula, cabeça tonta,
pelas ruas reponta
fantasmas da loucura,
quimeras e mil figuras,
dum mundo de faz-de-conta.
Nas frestas de claridade
que a mente produz,
aluado se conduz
entre risos e chacotas,
a desfilar ante as portas
dos que não nasceram sem luz.
Santa loucura essa
que a memória lhe apaga,
e nunca se lhe indaga
donde vêm risos e graças,
de todos que lhe fazem pirraça
nas ruas por onde vaga.
Santo louco! Santo louco!
Gritam de toda a goela,
as meninas das janelas
e os moleques nas calçadas,
risadas acolheradas,
bocas ricas e banguelas.
Santo louco! Santo louco!
ainda escuto o beleléu
de gritos e escarcéu
das meninas e piazinhos,
quando deixar o Carazinho
tomará o rumo do céu.
Autor: Mano Meira
Brasil
burrrrrrrrrrrrrrrr...bilu...bilu...bilu...currupaaaaco...currupaaaaaaco...la dona é mobileeeeee....ó cupido ve se deixa em pa-a-azzzz...alosanfanddelapatri-i-eeeeeeeeeeeeeee....
...rsrsrsrs
adoro seus textos, mesmo esse doidões...ah ! mas melhor e mais doido que vc, Adalto, só mesmo o Zé do Arquino...esse é dez !...vem...vem...vem...vem ver o que aconteceu com o carro que vc bateu...rsrsrsrs
barbaro !...
abraço louco !
(by the way, aos 40 tive sindrome de tronstornos da ansiedade, ja ouviu falar ?...é f...mas, "tomei todas" e melhorei...to até aqui lendo o seu texto, caspeta !!!)
Save the Queen !...Save the Queen !
Ah rah, pensou que eu não viria, né não, mestre? Cuma é que eu iria perder um assunto palpitoso desses!
Pois é, de loucura eu entendo. Um parafuso frouxo aqui, outro acolá e cadê a normalidade?
Que palavra estranha essa: nor-ma-li-da-de! Acho que é coisa pra quem estudou na antiga Escola Normal. Comigo não bate e pra desafiá-la costumo dizer que "a normalidade das pessoas é o que faz a loucura delas"! Coloquei até entre aspas porque se alguém se utilizar dessa boba frase, eu digo: é minha! Ah rah!
Já convivi com muita gente doida que se passava por normal. Certa vez na minha atividade de auditor-fiscal federal fui chamado pra substituir uma outra auditora normalíssima que tinha tido uma crise súbita de anormalidade e batido com a cabeça na parede umas três vezes e depois desmaiado! Tudo isso no recinto da empresa que estava auditando!
Mas que diabo acontecera para tanto? O seguinte: o contribuinte notificado era uma indústria de grande porte e o contador da empresa em comum acordo com um dos diretores mandou encher até o teto uma sala de uns 40m² com pastas e mais pastas de documentos pra ela examinar. A minha normalíssima colega quando viu que aquilo tudo era pra ela, fez o que fez!
Quando cheguei lá pela primeira vez notei a cara de satisfação dos dois que me disseram: "lamentamos muito, mas parece que a doutora se impressionou com o volume da documentação e teve um mal estar"! Mal estar? Perguntei. Eu mesmo respondi: mal estar coisa nenhuma, foi um surto mesmo. Agora se vocês estão pensando que vai acontecer a mesma coisa comigo, podem ir tirando o cavalinho da chuva, pois nas minhas auditorias quem costuma ficar doido é o contribuinte!
Comecei examinando os Livros Diário e Razão e a pedir minuciosamente todos os comprovantes de lançamento. Quando faltava algum eu dizia: dou um prazo de 24 horas pra me apresentarem e em caso contrário aplicarei auto de infração. O contador e o diretor começaram a ficar bastante perturbados porque eles tinham feito bagunça com a documentação e foram obrigados a organizar tudo de novo para me apresentarem. Quando eu saía de lá, dava altas gargalhadas na rua, sozinho. Coisa normalíssima!
Mas na minha juventude (16 anos) conheci lá no interior de Pernambuco, em São Joaquim do Monte, uma figura humana interessantíssima. Era o Zé Doidinho, embora meu pai o chamasse de Zé da Lua! Sim, meu pai dizia que a loucura dele era por fases, que nem a lua. Pois é, o Zé trabalhava de cada ano uns nove meses e depois começava a não dormir, falar sozinho, perambular pelas estradas e aí o pai dele o internava. Passava uns três meses no Hospital Psiquiátrico do Recife e depois voltava alegre e contente.
Uma noite de lua cheia eu vinha sozinho da casa de uns amigos onde tinha ido jogar dominó e lá vem o Zé. O que eu fiz? Corri pra dentro de uma roça de mandioca que ficava perto de umas mangueiras às margens do caminho. A roça tinha sofrido uma limpeza fazia pouco tempo, de maneira que no pé da maniva ainda se encontrava aquela terra soltinha.
Quando o Zé foi passando em frente da mangueira eu peguei dois punhados de terra e joguei na folhagem da mangueira, uma após a outra. Ouvi aquele som: chuá, chuá!
O Zé parou de conversar com ele mesmo, olhou pra mangueira e falou: "Alma penada, se tu tá precisando de oração, aqui lá vai uma. E começou: Pai Nosso, que estás no céu, santificado seja o vosso nome...
Quando o Zé terminou, fez o sinal da cruz e deu três passos, eu agarrei novamente dois punhados de terra seca e danei na mangueira de novo: chuá, chuá!
O Zé parou, voltou-se pra mangueira e falou: "Alma desgraçada eu já rezei pra tu e tu continua manifestada, então eu te arrequeiro pras profundas do Inferno. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo".
O danado é que eu não podia rir porque tinha medo de um ataque de violência e loucura do pobre Zé da Lua!
Quem era o bom e o doido nesta história? Eu sou mais o Zé da Lua! Homem normalíssimo!
Abraços do,
Então, menino, que loucura é esta nossa, dominados constantemente pela racionalidade. Perdemos o prazer de também sentir e ficamos com medo. O mundo todo pede uma lógica absurda. Que loucura! A neurose tá aí fazendo vítimas. Evidentemente, há os desequilíbrios emocionais e são torturantes. Não são nada engraçados para quem padece. A dor da alma é enorme. Contudo, assistimos também a loucura dos padrões, das regras, das convenções (perdemos a pureza, a liberdade, a espontaneidade). Aí, querido, é necessário sermos "malucos belezas" e desconsiderar todas estas besteiras que nos tolhem.
Hideraldo Montenegro · Recife, PE 13/11/2008 22:26
Circus,
Agora sim, já vi. Vi e pirei mais um pouco mais, graças a Deus. Ultimamente dou grau às pessoas segundo o nível de sua doideira. Os sãos de carteirinha, pragamáticos, frios e calculistas, estão acabando com o nosso mundo.
Doidos de pedra do mundo, uní-vos!
SE EU CONSEGUISSE para de sentir tta ansiedade, às Vezes, sei q seria melhor, mas são ttantas estórias de interesse humano, né mesmo ?
texto demais, Adauto !
Nota mil pelo conjunto da obra de Eliana !
Um beijo, meu rapaz !
loucura
se louco eu fosse
entenderia
como por encanto
ou quem sabe
pela própria razão da loucura
o que até agora
pela normalidade
(se é que a tenho)
não consegui entender
entenderia
talvez um pouco
deste mundo louco
que dizem ser normal
normal
normal
normal
normal
normal
normal
normal
normal
normal
Votado
Voto em você, maninho Parabéns pelo trabalho e pela boa repercussão dele...? Vc merece ! Bjs e bom dia Langinha..
Langinha · São Paulo, SP 14/11/2008 09:09
Voltei pra votar. Meu voto é teu Mestre Adauto, parabéns pelo texto. Mas, aproveito essa outra olada (oportunidade na tradução do gauchismo), já que o assunto requer, para trazer aqui um trabalho magistral que pialei (apanhei) de um grande poeta e letrista gaucho, Vaine Darde, que não poderia deixar de vir compor essa plêiade de ricos e seletos comentários overmundianos:
LOUCO
Vaine Darde
Eles me interditaram...
Afastam-me das domas,
Não me deixaram usar adaga,
Nem, sequer, cuidar do fogo...
E conspiraram contra mim
Com silêncio e solidão.
Pois alegam, uns aos outros,
Que me tornei perigoso
Desde quando me encontraram
Conversando com as ovelhas,
Desde quando descobriram
Que eu cultivo girassóis
Por devoção às abelhas.
Dizem que ando variando
Com milongas circulares
Na canção dos cata-ventos,
Que fiquei de miolo mole
E me desfiz das esporas
Por ter pena dos cavalos...
Proibiram-me transpor
Os limites da porteira
Numa espécie de desterro
Que me exila na querência.
Mas, eu sei que eles não sabem
Que os olhos de quem sonha
Vêem além dos horizontes...
Eles dizem que sou louco
Porque vago pela estância
Conferindo cada ninho
Onde os vôos eclodiram,
Fazendo tenda do pala
Sobre o topo das coxilhas
Pra navegar nas estrelas
Nessas noites de verão...
(Imagina se soubessem que eu carrego,
nos pessuêlos, uma colméia de versos...)
Mas enquanto eles proseiam
Agrupados no galpão,
Para encantar meu silêncio
O vento canta pra mim,
As sangas cantam pra mim,
Os grilos cantam pra mim.
Enquanto eles, que se julgam certos,
Tomam mates sonolentos
Com a água da cacimba.
Eu, numa cambona de açude,
Sorvo a lua num porongo
E povôo a solidão
Com as ausências que me habitam.
Eu embrulho a palavra
Numa folha de papel
Onde guardo traduções de ocasos e auroras,
Onde exponho meu silencio
Com zumbidos de abelha
E confesso a ternura
Que dedico aos que me odeiam.
Eu trabalho mais que eles.
Sou só um nas sesmarias
Pra saber de cada flor,
Pra saber de cada pássaro
Com que o campo sinaliza
E os outros não percebem...
Eles, sequer, reparam
Quanto sol de cada dia
Se acumula nas laranjas,
Que porção de lua cheia
Se derrama em frenesi
Na gestação da semente.
Eu, sim, eu sou livre entre
o campo e as estrelas,
Eu sei todos os caminhos
que a querência me revela
Porque vivo além de mim
O que a vida me concede.
Mas, se louco é ser dono de si mesmo
E saber que as laranjeiras
Choram lagrimas de pétalas
Num cio vertiginoso
De excessiva floração,
É ter consciência plena
Que a loucura é a poesia
Que, por não caber no peito,
Se extravasa em dialetos
E ilumina seus eleitos:
Então eles estão certos:
Eu sou mesmo perigoso,
Uma ameaça constante
De povoar o galpão
Com guitarra e arco-íres,
E abelha, e girassol.
Não , não é a mim que eles temem
Porque sabem inofensivo
Meu delírio musical...
O que eles não suportam
É aceitar a realidade
De um louco ser feliz.
Votei. Mas fiquei curioso: depois do que relatei aqui será que a Dra. Claúdia Suannes diria que eu sou bom da bola? Abraços do
Zé Preá · Recife, PE 14/11/2008 10:22
.. Mas, o que é normalidade? O que é ser normal?
O texto, como normalmente acontece com os do autor, é ótimo, bem
apanhado, útil à mente e de agradável leitura.
A comparação entre o dono da obra de arte e os que obraram as outras
artes contadas, para mim, faz sentido e me faz lembrar uma quadrinha
que li num manual de espanhol do Hidel Bécker, que dizia mais ou menos
assim:
Passando por uma casa,
Vi escrito em carvão:
Nem todos aqui são loucos,
Nem todos loucos cá estão.
E, o que e como é ser louco?
Parece-me ter lido em algum lugar que a fronteira entre a loucura e a
genialidade é bastante tênue, assim como aquela que distingue o remédio
do veneno.
Sabem que gosto muito de piadas sobre loucos, daquelas que demonstram
justamente a referida fronteira.
a) Um cara estava desanimado porque tinha perdido as calotas de uma das
rodas do carro.
Passando por ele, um louco (?) disse-lhe:
- Por que não tira uma calota de cada roda e põe na quarta? Três são
suficientes.
O dono do carro perguntou:
- Escuta, tu não és louco?
- Sou louco, mas não sou burro.
b) Um louco pega uma lanterna e dirige o foco bem para o alto da parede,
bem pertinho do teto, e diz para seu colega:
- Duvido subires pelo foco da lanterna até o teto.
- Eu, não; já pensou se, quando eu estiver no meio do percurso tu
apagares a lanterna?...
O que ele arrasta para cima e para baixo é o seu segredo e o seu tesouro.
Suannes,
Muito muito triste saude mental, o ser humano perde a identidade
foi boa a criação dos CAPS , cada caso é um caso , mas a internação querido é dura de se ver , quando estagiei nossa, tem internos que poderiam estar perfeitamente em casa, mais é muito ABANDONO.
Parabéns !
Adorei as histórias de louquinhos que o povo contou. Estranhamos a loucura alheia e somos condescendentes com nossa, não é??? Agora, loucura ser pretexto para "umas", como disse o Joe Brazuca, não cola.Lila Su
Lila Su · São Paulo, SP 14/11/2008 11:54
Creio que sempre estamos no limiar da sanidade ou insanidade, não nos conhecemos o suficiente, e chega um tempo que a máquina cansa...Mas, que vença o mais forte, ou equilibrado...Texto profundo e de conteúdo social primoroso. Bjos
Iva Tai · Manaus, AM 14/11/2008 12:33
Caro Suames,
Verdade pura. Temos que encarar o inimigo de frente e sem medo. É verdade que quando ele nos dá um golpe, ficamos meio desnorteado, mas a reação é que nos dá o poder de virar o jogo.
Parabéns pela vitória e viva a vida!
Suannes, amigo
Quantas verdades contem teu belísssimo texto. A verdade, principalmente, das ruas. Pena que nos é proibido entrar na alma dessas pessoas e descobrir o que realmente pensam da vida. Como existe uma fechadura espiritual em cada um de nós...abri-la é tarefa quase impossível...as chaves estão nas mãos de Deus.
Grande texto, bela denuncia social, pois os doentes que moram nas ruas não conseguem enxergar novos horizontes
Abraços
Noélio
caro suannes,
texto instigante, bemn escrito e de leitura agradável, sobre tema tão polêmico e espinhento... afinal, o que é sanidade e o que é loucura? deixando de lados conceitos médicos sobre esquizofrenias e neuroses, essas coisas, não dá para se eleger quem são os mais pirados... os que andam na mão ou os que andam na contramão da histáoria e da vida... trabalhar, se esfalafar, se matar todo dia, comendo e sendo comido pelas engrenagens, sem saber onde chegar, onde cgegar? não é uma baita doideiura? Por outro lado, aquedle que sonha de olhos abertos, é passarinho, é planta, é herói, é tudo o que ousa sonhar, o que é? é louco ou é são? loucos somos todos nós, viventesem busca daquele sentido para tantas tribulações... mas é bom, muito bom viver!
Que presente você me deu, menino! Volto com mais calma. Voltarei muitas vezes.
Beijo na louca alma!
Sua lucidez consegue causar espanto à minha, que se considera grande.
Aglacy · Aracaju, SE 15/11/2008 11:40
Me identifico com diversas partes do seu texto. A loucura que há em mim, que talvez nem todos percebam, e quando percebem não sabem bem o que dizer, são meus demônios particulares, que tento exorcisar há algum tempo, e assim como Virginia Woolf, me disponho da escrita, com a esperança de que melhore sempre minhas habilidades com papel e caneta, e que alguem me reconheça pelo menos um milésimo como ela for conhecida, já estaria satisfeita.
Excelente texto! Votado
Caro Suannes, também falo de minhas dores, as minhas lembranças, não as apago, falo, conto, reconto a quem queira saber , alguns se espantam, outros até gostam, pois o homem ouve desgraças mas os contos de fada e amor são balelas, sem graça...conto, abro o coração, pois assim consigo diminuir a falta, a dor das perdas e me sinto a própria coragem...salva, sã...
Parabens...adoro Mercedes...
abs
Ah! como é bom chegar a tempo de contrib uir para um trabalho bom ser publicado.cheiro
Ecila Yleus · Recife, PE 16/11/2008 02:41Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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