"Ev'ry Time We Say Goodbye
I die a little..."
Despertou.
Foi até a janela e viu o sol brilhando. Um dia lindo de primavera. Sua vista era perfeita: de um lado a avenida beira-mar, do outro um grande manguezal. As pessoas andando e fazendo seus exercícios matinais. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera, Verão, Outono, Inverno.
Abriu a porta.
Foi até a sala e o viu ainda dormindo no sofá. O homem da sua vida. Por um momento perdeu a noção do tempo: de um lado as malas prontas, do outro as passagens. O relógio girando e contando o tempo sem parar. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera. Verão. Outono. Inverno.
Despertou novamente.
Encontrou-o olhando para sí. O homem da sua vida. Eles não conseguiram sorrir. Por um lado tinham plena convicção de que ainda se queriam muito, por outro sabiam que a relação não aguentaria as pressões que existiriam. O mundo. As estações.
Abriu a porta do banheiro.
Não conseguia falar, nem pensar... nada. Apoiou-se sobre a pia e não conseguiu abrir a torneira. E então, fez a única coisa que havia prometido que não ia fazer: Chorou. Compulsivamente. Sem parar. Como uma tempestade de verão. Em plena primavera.
"...when you're near there's such an air of spring about it..."
Olhou-se no espelho.
Falhara novamente. Havia prometido não cair mais nas mesmas armadilhas. Havia prometido deixar o mundo andar sozinho e não se envolver nestas coisas de relacionamento. Mas, a presença dele aquecia e o inverno passado havia sido muito frio.
Ouviu batidas na porta.
Não teve coragem de responder. Abriu rapidamente a ducha e meteu-se embaixo da água. Queria que todas as estações fossem levadas. Queria que o tempo passasse como num filme. Queria não sofrer, novamente. Queria que o mundo rodasse, rapidamente. Queria. Queria. Queria, muito.
Despertou.
A pele murcha indicava quanto tempo havia ficado ali. Por um momento havia perdido a noção do tempo. O mundo girando e se preparando para um novo ciclo. Primavera, Verão, Outono, Inverno.
Abriu a porta.
Encontrou a sala vazia. De um lado o sofá, do outro a sala às escuras. Tentou entender o que acontecia. Um silêncio sepulcral. Lá fora, uma chuva fina, típica do outono. As pessoas com roupas pesadas e guarda-chuvas andavam rapidamente buscando o abrigo de suas casas. Outra vez o mundo. Outra vez o outono.
"...but how strange the change from major to minor..."
Max,
Ai que dor! Cruamente desnuda a sensata e delicada percepção do tempo e do infortúnio de final de temporada e começo de entresafra...Bom de ler, mas traz um frio na barriga, cala o coração e um quê de melancolia. Dou parabéns ao texto...
abraços
interessante seu texto,iniciei sua votação.
O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 3/8/2008 17:10
Ola Cris...
Dor era exatamente o que estava sentindo ao escrever esse texto... uma dor aguda de quem tinha que se despedir urgentemente... ainda bem que o papel (ou a tela, no caso) nos auxilia nesses momentos!
Ola W. Marques
Brigadao pelo voto!
Nunca é tempo de dizer adeus. Mas, quando necessário, a letra nos conforta.
Muito bom.
Voto!
Bom! O adeus altera a alma como as estações alteram o ano! Votado!
Aproveito e convido a me fazer uma visita
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