A intricada teia do miolo de uma flor de cacto
Difíceis lições
As lições mais difíceis de serem aprendidas são as do tempo, esse deus implacável que a tudo governa. E do tamanho da nossa impotência para lidar com esse inexorável devir dos dias – e tudo o que eles encerram – é a nossa criatividade para fazer do tempo objeto de investigação científica e criação poética. Reinventamos sempre mil maneiras de driblar o tempo de dentro e o tempo de fora, esse que se imprime em carne viva e torna a alma uma construção laboriosamente humana - e aí encontramos uma legião de filósofos a escarafunchar as compreensões de que tanto carecemos para apaziguar um pouco a nossa procura de explicações para o sentido da vida -, em que a cada dia nos tornamos quem somos ou pensamos ou desejamos ser (como uma confirmação imperiosa).
Mas enquanto o tempo martela a nossa consciência e a vida grita em nosso corpo, vivamos com a justa entrega e intensidade. Também, à maneira de Drummond, com sua mineirice na palma do mundo, saibamos reconhecer a genialidade do sujeito que fatiou o tempo em 12 meses e nos legou a possibilidade de apenas virar a folhinha para acreditar que podemos zerar o cronômetro e que dessa vez, sim, tudo será diferente, com mais sabor, mais vitalidade e energia para o que der e vier.
Quase um ano de grandes dores desembrulhadas e extrema cautela para lidar com o tempo de dentro e o tempo de fora. Exercito com a paciência de um monge tibetano a medida do conta-gotas no vão dos dias e na marcha lenta do relógio. Ah, e com a vontade de acreditar que o sentido da vida também se constrói com muita poesia e que tudo está por um segundo, sempre, e que a vida se sustenta ou se esvai nessas brevidades...
E alguma coisa dentro de mim sussurra: seja intensa e faça valer a pena. E repito: saibamos, então, ser intensos e fazer valer a pena. Eu tento... E a correnteza das águas continua indiferente a tudo, além dos janeiros e dos dezembros dos castelos que construo com palavras e areia dessa ampulheta preciosa chamada VIDA.
Este inesgotável tema sempre rende reflexões preciosas....
Gostei, amiga!
Pois é assim mesmo, dona Roberta. Cronos a nos engolir e a gente na tentativa de captá-lo, compreendê-lo ou ignorá-lo.
Cida Almeida · Goiânia, GO 27/2/2007 09:55
Sensacional!!! O tempo de dentro de dentro e o tempo de fora... é tanto relógio pra se olhar... aja compasso pra tanto passo... Parabéns!!!
Que a vida seja intensa e valha a pena a cada grão!
Você é sempre intensa. E sempre faz valer a pena.
Tacilda Aquino · Goiânia, GO 8/3/2007 17:19Única coisa a dizer: grata a todos vocês pela leitura, pela troca calorosa. Beijo grande!
Cida Almeida · Goiânia, GO 9/3/2007 12:26
Cida, minha cara, o tempo é um monstro inconsciente de si, que engole séculos e homens. Sob os escombros da história jazem os ossos dos séculos e dos homens que ele engoliu.
Sinésio Dioliveira · Goiânia, GO 6/1/2009 22:22Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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