Bastou uma lágrima para que Afonso retirasse tudo o que disse sobre Sofia ali, no meio do restaurante. Rapidamente, ele enxugou os olhos da amada. Ofereceu-lhe lenços, um copinho d’água, agarrou forte sua mão. Chegou a pedir desculpas pelo mal-estar que o ciúmes dele a causara. “Bobagem minha, amor...esquece, esquece...sei que você jamais faria isso”, afirmava insistentemente. Deu-lhe um beijinho na testa e baixou a cabeça, culpado. E, naquele momento, de cabeça baixa, Afonso nem pode perceber que Sofia, outra vez, lançara um olhar de desejo em direção ao homem solitário da mesa ao lado.
Com o clima de harmonia restabelecido, e Afonso cinco taças de vinho mais alto, Sofia já não demonstrava sequer um resquício de vergonha. Se é que um dia a teve. Descruzava as pernas deixando a calcinha à mostra, mordia levemente os lábios e dava sorrisinhos sacanas para o vizinho de mesa. Com carinhos tortos na amada, Afonso falava da vida, da felicidade de tê-la como companheira. E bebia. Bebia. Bebia. A visão distorcida pelo álcool já não era mais impedimento aos desejos contidos da noiva. Ela ardia de vontades.
O cavalheiro da mesa ao lado há muito já entrara na brincadeira. Com impublicáveis intenções, respondia aos gestos da mulher. Mandava beijos, passava a mão na genitália por debaixo da mesa. Deixava claro que se ela quisesse, poderia ser ali mesmo. Afinal, desde que o casal ocupara a mesa, a esposa - "parecia tão distinta essa vagabunda", pensava o homem - fizera questão de tornar óbvio o quanto aquele homem mexera com ela.
Afonso, agora mudo e embriagado, olhava fixamente a garrafa vazia. Piscava, sonolento. E Sofia, que não era boba, levantou-se da mesa dizendo "vou ao banheiro, docinho...fique aí...já volto!". Ao passar pela mesa do cavalheiro, fez sinal para que ele a seguisse até os fundos, onde ficavam os toilettes. Os dois sucumbiram a um beijo lascivo e escandaloso assim que adentraram o pequeno corredor. Na primeira porta, trancaram-se. Não era banheiro nem nada. Era uma dispensa. Apertada e cheia de bagulhos - o que tornava a cena ainda mais excitante. Sofia ergueu a saia. O nobre cavalheiro, que também não era bobo, penetrou-a com entusiasmo. Sofia berra. Uiva. Afonso escuta, ao longe, a voz da amada. E pede mais uma taça de vinho, enquanto tenta compreender onde a noiva estaria berrando daquele jeito.
Sofia retorna a mesa. A pele vermelha. A consciência pesada. Mas feliz. Segura de si, faz um carinho no noivo embriagado. "Amor...pra que beber desse jeito? Vem, vamos embora. Vou cuidar de você". E, ao passar pela mesa do cavalheiro, ela desvia o olhar. Não era boba. Aquelas vontades imediatas iam e vinham...e, como uma cadela esfomeada, Sofia as saciava. Por certo, ela sabia que, com uma lágrima, poderia, mais uma vez, agarrar o pobre noivo - tão cansado de fingir não ver - e seguir adiante.
simplesmente demaisssssssssssssssss !
Aff !
to retomando o folego... e votando.
ahhhhh cego é aquele q ñ quer ver, né não ? rs
bjsssssss ;)
O que os olhos não vem, o coração não sente.
Gostei. Ivette G M
Sofia, a mulher que não ... sofria ( nem sô fria ! )
Que fria pro noivo, hein ?
Um beijo, sem o noivo ver, coitado !
Inquietante! "Sabedoria" em mulher é perigoso (sem pensamentos pre-conceituosos, claro!) Ah...esssa mulheres nos dão e nos tiram a vida!
Gostei Toscano, gostei demias!
Vinho com lágrima de mulher lasciva, em doses certas.
Bem escrito.
Excelente, fui ao seu blog e li....
Sofias e mais Sofias...
homem cego? apenas mais uma insanidade de carencias vãs....
Ótimo texto, dos melhores desta semana que li!
ab
Quem seria o mais fraco deste conto, Afonso ou Sofia? Instigante a temática colocada.
Prazer em conhecer sua escrita.
Votos com certeza e abraços.
Thiago Toscani · Florianópolis (SC)
SOFIA
Um texto perfeito.
Sofia bota pra quebrar
parabéns pela autenticidade da cena.
Um belo roteiro.
Abracáo Amigo
Thiago
Infelizmente retrataste uma realidade
Um homem cego e uma mulher esperta e vulgar
mas nem sempre uma lágrima ou uma bebida
resolvem a situação
bjs e votos
Viva Sophia(Sofia) muito mais que a própria filosofia que ela incerra em si mesmo. Texto bom. Bom texto, denso, substancial e eloquente. Votei com prazer. Valeu amigo.
José Cycero · Aurora, CE 15/2/2009 13:21
Adorei seu conto...Obrigada por fazer parte desse mundo.
clara arruda · Rio de Janeiro, RJ 18/2/2009 21:47Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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