Solo da neutralidade.
...Antes que o sol se ponha.
Enquanto o dia descrepita,
Como no ar uma pipa,
Solte-se.
Desfaça algumas amarras.
O tecido corrói a traça.
A madeira o cupim.
O ferro a ferrugem.
Tu, o próprio oxigênio.
Respire o ar, agora diferente.
Com deferência arrebente,
Um suspiro neutro.
Sem nenhuma obrigação,
Em plena ausência de ser, pois,
O prazer atrai a dor
E o Gostar atrai desgosto.
Neutralize-se,
Pise no solo da pátria terra,
Pequena esfera celeste,
E admire a ilusão.
Talvez a vida passe rápido...
E nem dê tempo prá refletir...
Pensar e intuir,
E às vezes pirar o cabeção.
Ponha-se então de frente.
Defira-se dessa gente.
Faça-se alcunha e coração.
Persona tu és uma máscara!
Às vezes uma lástima,
Restolhos da criação.
Onde brilhas intrépido,
Na simplicidade do existir,
A alimentar-se do por vir.
Dê um passo...
Morra um centésimo.
Acredite um milésimo.
Nem sempre haverá opção.
Até que um dia saturno te ache.
Zás, a alfanje te parte e,
Fostes em questão...
... Levado em um rabecão.
Pensas nisso um pouco diariamente????
Ou ilude-se facilmente
No playground do pós tudo?
Continuidade?
Claro há.
Só ninguém vai te falar...
...dar-te um chá de despedida...
E dizer-te solenemente: - É o fim da tua vida!
É que chamam a isso existência.
Fora daqui,
A continuidade, certo céu...
E desconhecem a quarta dimensão.
Portanto, há pouca solução.
Morrer pode não solucionar problema.
Aqui se perfaz um dilema,
Uma enorme maldição.
Desse lado o vil metal é a meta.
Do outro a sua força certa,
Ainda a biologia em decomposição.
Vão te querer muito bem, acredite.
Recém chegado “lá de baixo”...
Um otário cabisbaixo,
Mais um papalvo vislumbrado,
Analfabetito espiritual...
Perdeu seu tempo diz Platão:
- “Olhando sombras moventes,
Sem observar, nem mesmo a caverna,
Sem penetrar na questão.”
E lhe sorrirá um bom religioso:
- “Tu também não achaste a verdade?”
E um Jesus assim, iluminado,
Um farsante, coitado.
Virá então te acolher.
Um coral então soará: - “Padece seu padecer, quem a verdade não conhecer”.
-“O que não está preso, não há de que se libertar.”
Enfim.
relexões sore a "vida"
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