1.
Oh! divo de todos os ensejos!
— Não vês que as pastagens são de lâminas
e as tímidas vargens emolduram
a tua ganância?
— Não vês que os filhos baldios
de tantas sofridas esquinas
gemem intermináveis cemitérios
e morto-vivos canibalizam-se
perante a ferrugem da servidão?
— Não vês a cada almoço
o calor da arrogância proteger
os pusilânimes golpes da corrupção?
............................
2.
— Humilha-te a esta gravidez a tocar-te
em beijos de ouro...
— Humilha-te a estas especiosas bromélias, fogosas,
das esplêndidas alamedas...
Elas caçoam-te pelo odor
do negado alimento e do rejeito
das mãos feridas
forçadas a sustentarem
caminhos e incertezas
do soturno calvário
da vergonha!
............................
3.
— Humilha-te a estas bocas entreabertas:
abomináveis nevascas de gentes amareladas,
a imperdoável mortificação
transformada em multidão.
— Pede perdão ao amor,
que é pacífico e humilde
apesar da sempre face
encoberta.
............................
4.
— Humilha-te a estes barcos a deriva:
notívagos morredouros, aquários de quaresmeira.
— Humilha-te a estes sôfregos benjaminzeiros
amando em valeiras,
os ruivos bordéis de fétidos aposentos
não saciarão os teus palácios
e as tuas retretas
ávidas de paladar.
............................
5.
— Humilha-te a estas murchas sementeiras,
nestes ovários de carnívoras flores:
inaceitáveis agouros de um guerreiro
engendrando falas de lograr
quase-vitória.
— Humilha-te a estes bacios de orgasmos
coagulando em cachos...
............................
6.
— Humilha-te a estas tristes faces repousadas,
nestes míseros agasalhos
condenados a amassar-te o pão.
— Humilha-te desprezível divo!
Há de raiar
um sol de sal a consumir-te
focando uma aguçada lança a ferir-te
com estocadas de féretro
e lágrimas...
............................
7.
— Não perdes pela tardança:
mesmo que fujas a qualquer esconderijo,
brutos algozes
pacientemente saberão te encontrar....
— Porquanto mal praticastes aos pequenos
e nenhum escape depararás
no lado direito da rua...
— Porque é onde verdadeiramente assenta-se
o justo crucifixo
de um novo amanhã!
Benny Franklin
"Sim. Um novo Homem há de ressurgir do nada completamente engravidado de montanhas e não lhe habitará: nem estômago e nem féretro".
(Marven Franklin)
Não vês que os filhos baldios
de tantas sofridas esquinas
gemem intermináveis cemitérios
e morto-vivos canibalizam-se
perante a ferrugem da servidão?
— Não vês a cada almoço
o calor da arrogância proteger
os pusilânimes golpes da corrupção?(BF)
Há de vir um tempo, um filho brilhante...
ab
OSHF
Excepcional foto de A. Hernandez
Benny,
Sua original maneira de escrever já é um convite a ler seu trabalho, pela estrutura de seus versos, o conteúdo então... Muito me alegra e até dá uma certa esperança que alguns overmanos e overminas escrevam sobre temas profundos da existência humana, convite a um ser mais saudável nas questões de sua própria espécie. seus versos são assim, ao meu ver: um convite à reflexão de como lidamos com o outro e conosco mesmo, local interno onde não se pode fugir de qualquer algoz, qualquer castelo de proteção, lá onde se pode dizer: essência!
parabéns meu caro.
abços
PS: a figura está muito bem empregada como metáfora de seus versos
Versos fortes e corajosos. Votado! Abraço
Falcão S.R · Rio de Janeiro, RJ 24/6/2008 05:28
FANTÁSTICO!!!
ADOREI TEU TRABALHO!!!
VOTANDO!
BEIJOS
Há de vir um homem...próximo estará...
Sua poesia tem a minha admiração total...sempre será
assim...OSHF
mesmo que fujas a qualquer esconderijo,
brutos algozes
pacientemente saberão te encontrar....
Perfeito desenvolvimento do tema.
Um abraço
EG
Benny. Fiquei parado diante de tua poesia q me prendeu pela força das palavras. Não entendi nenhuma delas. Nao sei dizer do que se trata. Mas ja sei. Teu poema é arte. E arte não se explica. Sente. Pois foi este sentimento de impotencia q senti olhando pra ele, como se olhasse um quadro abstrato. Escreve com tanta profundidade q eu, um simples mortal, não consigo ver, mas sinto e isto me basta!
Nic NIlson · Campinas, SP 24/6/2008 10:29
meu querido poeta del mundo,passo deixando meu carinho por tão belos versos.deixo meus votos pela obra e meu beijo no coração pela pessoa que és.
— Porquanto mal praticastes aos pequenos
e nenhum escape depararás
no lado direito da rua...
— Porque é onde verdadeiramente assenta-se
o justo crucifixo
de um novo amanhã!
Benny Franklin ...parabéns!
benny, parceiro.
O que vem andando no tempo, o que há de vir, usarão certamente as pernas dos teus versos.
Grande, poeta.
Abraços amigos
Noélio
Benny Franklin · Belém (PA
SOLUÇOS D’ALMA
Saudação ao Amigome Poeta mais reverenciado.
Maior satisfação vir ver seu Trabalho
Muito especial como sempre.
Palavras fortes que se ajustam a realidade da vida.
A sua parte gigantesca de humano náo deixa passar.
...........— Não vês que os filhos baldios
de tantas sofridas esquinas
gemem intermináveis cemitérios
e morto-vivos canibalizam-se
perante a ferrugem da servidão?
Expressáo poderosa.
Nos despertando e estimulando as aspiraçóes de um mundo melhor.
A Poesia sem pre foi um indtrumento da Liberdade.
Valeu Parabéns e meu voto para seu Mérito infinito.
Abraços amigos
Olá Benny.
Versos visionários. Proféticos versos...
Muito forte!
Abraço.
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