Sonâmbulos
Pega, pega
Ele roubou o meu relógio!
E tu ?
O que roubaste dele?
Talvez dignidade e cidadania.
Reservaste para ele o batismo de fogo,
Enquanto os teus se banhavam na pia batismal
Quantas vezes olhaste nos olhos dele?
Verias que estes não lhe pertencem mais,
A íris há muito perdeu o viço
Vagam apenas como abóbadas apagadas
Sentem apenas o frio cortante da madrugada.
Ergues contra ele todo teu ódio,
(nunca levantaste o braço para os teus)
São criaturas por ti amordaçadas
Não gritam
Não explodem
Apenas perambulam
O que é um relógio?
Para ti, horas, minutos e segundos
Para ele, um prato de refeição
Preocupam os índices de violência?
Não questionas se as escolas são decentes
Esqueces que o verdadeiro aprendizado vem de reformatórios
Trata-se de anjos penitentes
Que pagam caro pelo pecado original
Não pediram pra nascer
Muito menos para experimentar da vida, o mal
Esperam uma ajuda qualquer
(na graça divina já perderam a fé)
Restam bolsas, relógios e acessórios
Pois não sabem o que é um game
Jogam com os dados da nececessidade
A única coisa que ainda prezam é a liberdade
E isto também querem lhe roubar
Quem é o verdadeiro ladrão?
Por favor,
Olha no espelho,
Reflita com calma, sobre culpa e compaixão.
Não digas um não.
Tente furtar-lhe um sorriso.
Não há nada de mais precioso do que fazê-lo se sentir criança.
Beleza, Marcos!
A poesia tb cumpre a função social de nos levar à reflexão. Vc está cumprindo esse papel, que deveria ser comum a todos p mudra essa realidade!
Abcs
muito obrigado, leandro. mas rapaz você tem cada conto!!!
abraço,
Quando leio coisas assim
começa a renascer em mim,
um querer, um acreditar
que ainda se pode contar
com o bom senso de alguns homens.
Parabéns.
valeu, mestre sebastião!!
obrigado pela força!!
abraço,
a chave mestra: ser criança, nesses dias de gente grande...
parabéns!
Carpe
obrigado, mais uma vez , carpe.
forte abraço,
Poesia muito útil, verdadeira e bem feita. Parabéns Marcos André! A cada dia vc escreve melhor.
Jotaoliveiraa · Brasília, DF 6/2/2007 22:39
Muito boa mesmo!!!
Só acho que colocar as coisas nesses termos também é complicado. Eu tenho todo o direito de ter um relógio, assim como ele também tem direito... não só a comer, mas a ter um relógio também. A questão é criar condições para que todos possam alcançar o que desejam. Não admito me sentir culpada por gastar 30 reais numa besteira, que poderia ser o almoço de 5 pessoas... entende meu ponto de vista? Mas fico indignada de ver todo mundo assustado com a violência que aumenta, se ela aumenta é porque cada um quer ganhar mais e mais dinheiro não importa a que custo... tem que ter mais dinheiro para colocar uma grade mais alta, um sistema de alarme e dois cachorros, porque o outro tem tão menos e pode querer atacar... isso é insano! Mas quando se fala em projetos de inclusão, de valorização da cultura, de educação, ninguém leva a sério, pois isso é devaneio de quem quer salvar o mundo! Enfim, devemos pensar mais nisso mesmo... embora eu sempre sinta que estamos falando mais do mesmo e não fazendo nada de concreto...
Abraços!
eu acho a arte um veículo de inclusão significativo, se nós no propormos a mudar, já é meio caminho andado pra muita coisa!!
asssim eu mostrei um ponto de vista que acho valer a pena refletir sobre. é preciso que se coloque as coisas em determinados termos,
limítrofes, "bizarros", realistas ao extremo, "sectários" até, para chamar atenção das pessoas para a necessidade de mudanças para com o outro.mudança que começa dentro de cada um, no nosso mundinho de cada dia!
obrigado pela crítica pertinente e pelo elogio!!!
grande abraço,
Achei! Muito boa! Talvez todos os poetas preocupados com a condição social tenham poesias com este tema.
abs!
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