SONETO DA ESFINGE
Se são tuas, as mãos que, recorrentes,
deslizam em meu ventre sempre virgem,
já não sei mais: ocupo-me de estrelas,
diamantes sem jaça, de vertigem.
Fito teus olhos, largos de perguntas.
Não se escondem de mim, que os decifro,
ao passo que tu tentas - entre tantos
labirintos secretos, que não digo –
vislumbrar uma face emascarada,
oh, meu amor e fado, gema rara,
centelha do meu ânimo endormido!
Enquanto buscas decifrar um mito,
eu contemplo os filões de minha lavra
na fronteira entre o nada e o infinito
Este poema é para Joe
Diferentemente de uma frase qualquer, a literatura é, acima de tudo, forma. Criatividade, sensibilidade e domÃnio técnico (conhecimento) são encontrados num poeta, estamos diante de um grande poeta. Alguns acreditam que fazer poesia é expressar tão-somente o que sentem, mas fazer literatura é dominar uma arte. Isto não significa que tenhamos que ficar presos a qualquer forma especÃfica, afinal, um grande artÃsta sempre está rompendo padrões. Contudo, o conhecimento da arte que se deseja praticar (no caso a poesia) é fundamental. O artÃsta é um artesão. Alguns tentam valorizar apenas a forma, outros, em contrapartida, tentam valorizar apenas as idéias. Quando um artista consegue conjulgar estas duas coisas, então, alcançou a plenitude da criação. Uma alma precisa de um corpo (o poema) para se expressar, expressar a alma (a poesia).
Raro assistirmos tal maestria e temos que fazer reverência aqueles que se dedicam verdadeiramente à poesia consciente que ela é tudo isto.
Uma obra-prima é algo que nos serve de inspiração constante e que devemos estudar e saborear.
Estamos aqui diante de um monumento, de uma verdadeira esfinge, ou melhor, de um icone, uma marca na literatura.
É tudo de bom, de belo e grandioso.
Com isto, todos nós do overmundo só saimos ganhando.
Neste caso, parabéns para nós!
Realmente como disse o colega Hideraldo, o poema é belÃssimo, bem escrito, bem entalhado, não só pela forma, mas pela linguagem, além do sentido e da coerência especialmente com o tÃtulo. Raro encontrar um poema bem escrito, com isso vale a pena ler reler e aplaudir. beijo
Angélica T. Almstadter · Campinas, SP 28/7/2008 19:14
Cara Brida,
Seu poema dignifica a existência desse espaço...
Simplesmente maravilhoso, genial mesmo!
Parabéns!
Marcado para voto.
Grande abraço!
Brida,
Poesia que nos deixa feliz e gratificado em passar horas frente a uma telinha, garimpando pepitas como essa.
Abraços
temo falar do teu texto
e cair na tentação
de enumerar adjetivos,
tantas que são
as qualidades que vejo:
é sobretudo musical,
sons e ritmos dançando
a dança do amor sentido,
jamais vulgar,
sempre sublime,
sabendo a mitos de saber antigo
magico poder de encantamento
enlevo que eleva o sentimento
levando a alma ao êxtase.
musical no som,
musical na inspiração
que se percebe a presença
das nove irmãs
parceiras de Apolo,
as nove filhas
das nove noites
de amor entre
o Poder e a Memória!
Brida, poeta e maga encantadora, obrigado por esta leitura e pela doce vertigem criativa que me proporcionou!
Um beijo
no fundo
da alma!
Bárbaro, Brida.
Parece-me que neste caso, a esfinge é quem decifra o homem... Somente a poesia tem este poder, de inverter e subverter mundos, não é? BelÃssimo soneto. Um clássico.
Beijos
Brida, sob os aspectos técnicos seu soneto é redondo e foge do óbvio, como aliás o outro texto seu que li, sobre Máximo Augusto, também foge. O que me ocorreu é que agora estou me sentindo como o homem que te vê como mito ou esfinge, pois essa é uma situação que eu - e talvez outros homens também - conheço tanto. Mulheres têm esse universo paralelo, esse labirinto interior que torna vocês um sistema de exceções, em que a exceção é haver regra. Ou seja, gostei do soneto e vou votar nele, mas que ele me lembrou como nós, homens, somos uns tolos, lembrou.
Um beijo
F
Queridos, obrigada por entenderem tanto. É um verdadeiro alento para a alma ler vocês. Ser lida por pessoas de tal quilate é uma das maiores recompensas que o mundo pode proporcionar a um indivÃduo. A solidão ronda cada dia e cada gesto. A diferença por vezes constrange, oprime. E vamos parar por aqui.
Quanto ao universo paralelo do qual você fala, Fausto, não me ocorre que ele exista, mesmo porque o centro e o cetro do desejo feminino não pode ser "uns tolos". É Rei.
Beijo para cada um
Brida.
maravilhoso teu soneto minha menina.Meu destaque:
Enquanto buscas decifrar um mito,
eu contemplo os filões de minha lavra
na fronteira entre o nada e o infinito
Você conseguiu dar um baita recado, de maneira tão concisaa e precisa !
Convincente, contagiante, terno e ao mesmo tempo delicad, cheio de charme !
Parabéns pelo seu "feeling" !
Um beijo !
Brida,
Queria tanto deixar aqui algumas palavras cheias de significado, mas qualquer análise seria pouco diante da grandiosidade do seu poema. Talvez essa tarefa só caberia ao eu-lÃrico-esfinge que decifra nossos olhos largos de perguntas.
Perfeito!
Abraços
Você é um presente. Nem uma esfinge resistiria, se existisse de fato. Que olhos diamantinos!
Brida · Salvador, BA 29/7/2008 19:09
PRA VOCE...
...é o mÃnimo depois desse presente...
bj
Joe
http://www.overmundo.com.br/banco/eu-quero-acid-love-para-o-tema-auto-conhecimento
Brida, Joe, bem, o que dizer: um brinde!
Adorei, amiga. Paixão é comigo mesmo.
PARABÉNS. VOLTO. POEBEIJOS.
Abrindo sua votaçao e desejando sucesso
Beijos
Bravo! Aplausos de pé!
Nic NIlson · Campinas, SP 30/7/2008 16:37
Confirmando os elogios
com meu voto.
votado, linda Brida !...a super agradecendo a dedicatória !
beijo
Joe
Desvendando !
Votando !
Um beijo !
Brida,
Retornando para votar.
Bjs
BelÃssimo. Sensibilidade, talento
e maturidade poética. Parabéns!
Abç, Flávia
BelÃssimo. Sensibilidade, talento
e maturidade poética. Parabéns!
Abç, Flávia
Queridos, obrigada mesmo. Vou ficar meio sumida. Estou no ponto crucial de um livro, fazendo revisão de outros, muito trabalho formal, famÃlia... Tudo, graças a Deus!
Beijo para cada um
Belo soneto, muito bem feito. O caminho através dos labirintos da alma, a tentativa vã de decifrar a esfinge, para aportar "na fronteira entre o nada e o infinito" - uma chave de ouro fechando o soneto. Parabéns.
Beijos.
Queridos, querem meditar comigo? Favor ir para não-ficção de hoje, filas de edição, etc. Non multa, sed multum. Beijos.
Brida · Salvador, BA 3/8/2008 00:51Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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