Nicolas Guillèn
Tambores nos olhos
Resenha
Nicolas Guillén nasceu em Camagüey, Cuba, en 1902, foi tipógrafo quando jovem e chegou a estudar na universidade de Havana, havendo interrompido os estudos, para se dedicar ao jornalismo, carreira que o levou, naturalmente, a se tornar escritor.
Jovem muito atuante, dedicou-se intensamente á vida cultural e política da Havana das décadas de 1920 e 1930, ingressando no Partido Comunista Cubano em 1937. Por conta de sua intensa militância, amargou, em várias ocasiões, a prisão e o exílio. Às compulsórias viagens como exilado, muitas outras se seguiram, a maior parte delas ligadas à diplomacia, função a qual se dedicou, não menos intensamente, após a vitória da Revolução Cubana em 1959.
Homem do mundo, Nicolas conheceu a Europa e Estados Unidos da América, dando conferências ou promovendo leituras de sua poesia que passou a incorporar, com aguçado senso crítico, elementos temáticos de todas estas culturas, se tornando, a partir daí, literatura universal, na mais pura acepção da palavra.
Em 1930, Guillén publicou seu livro mais famoso Motivos de Son, poemas escritos em ritmo de Son, um genero musical afrocubano, muito popular, provocando com esta inusitada proposta estética, um grande escândalo literário, no fortemente conservador ambiente, que caracterizava a cena literária de expressão espanhola daquela ocasião.
No ano seguinte, desenvolvendo as idéias originais experimentadas em Motivos, surge outro livro clássico de Guillén: Sóngoro Cosongo, seguido em 1934 e 1937, por West Indies Ltda e Canto para soldados e sons para turistas, seus livros mais profundamente voltados para a crítica social.
Nascida no âmbito do pós modernismo e das experiências vanguardistas dos anos vinte em Cuba, em cujo contexto floresceu, a obra de Guillén, rapidamente, o transformou no representante mais destacado da poesía negra ou afroantilhana, de cuja literatura, inserida num contexto mais amplo denominado 'Negritude', são expoentes também o martinicano Aimèe Cesaire e o senegalês Leopold Shengor.
É vasta e essencial a obra poética de Guillén, da qual achamos por bem reproduzir aqui alguns poemas (no original, para que não se percam as intenções rítmicas seminais). Sua poesia fala de uma época de grandes injustiças sociais, infelizmente ainda não superadas, ao contrário, a nos exigir esforços cada vez mais intensos, os quais, talvez, somente a poesia possa mesmo mitigar.
O contexto no qual devemos inserir a obra de Nicolas Guillén é, por tudo isto, um tanto mais amplo do que o da simples literatura diletante. Sua obra emociona e mobiliza. Estimula atitudes contra todas as espécies de colonialismo e de racismo. Afirma um sentimento de identidade cultural, de Negritude, de algum modo, indelevelmente, contido em todos nós, brasileiros e latino-americanos, cidadãos de um futuro Novo Mundo.
Guillén é, sobretudo, a mística da Revolução Cubana ainda pairando sobre as cabeças dos sonhadores.
Arte e humanidade, como carne e unha soldadas, como duas palavras fundidas num verso único, que as sintetiza numa necessidade perene:
Sermos humanos = Liberdade.
...sóngoro, la negra
baila bien;
sóngoro de uno
sóngoro de tre...
Leia e releia Nicolas Guillén no Download
"Já como jornalista, dedicou-se á vida cultural e política da Havana das décadas de 1920 e 1930, ingressando no Partido Comunista Cubano em 1937. Por conta desta sua atuação, amargou, em várias ocasiões, a prisão e o exílio. Por conta destes exílios e de suas posteriores viagens como diplomata, logo após a vitória da Revolução Cubana, Nicolas viajou muito pela Europa e Estados Unidos da América, dando conferências ou promeovendo leituras de sua poesia, que é literatura do mundo, na mais pura acepção da palavra."
Só para sugerir a correção da palavra em negrito!
Ah, bom texto. Acabei de ler um livro sobre Cuba, A Ilha, de Fernando Morais. Quando vi que se tratava de um escritor cubanos aí consegui ficar até o fim. Texto bem escrito, mas penso que se você relesse poderia melhorá-lo para prender mais a atençao do leitor!
ABS
=)
Valeu, Bruna!
Estou nos trabalhos. Sua sugestão já estava pronta.
Brigadão!
Pronto Bruninha!
Agora sim, está finalizado (ou quase por que textos nunca ficam realmente prontos)
Desculpe ter feito você ler ainda inacabado. É que eu só consigo editar no suporte final (na página do site).
Brigadão de novo,
Abs,
Fiz o download para ler e conhecer este Poeta que só vi em fragmentos aqui e ali.
Agradeço-lhe a indicação.
Seu texto é primoroso e atiça a curiosidade. Além do mais, é um prazer estético conhecer mais da cultura latina, em especial de Cuba por tantas ligações que tem com nossas raízes.
Obrigada.
beijos
obrigado spirito, por essa "descoberta"! e vamos em frente!
abs
Muy hermoso Nicolas Guillén
...
Sabemos dónde nacen las aguas,
y las amamos porque empujaron nuestras canoas bajo los cielos rojos.
Nuestro canto
es como un músculo bajo la piel del alma,
nuestro sencillo canto.
...
traemos los caimanes en el fango,
y el arco que dispara nuestras ansias,
y el cinturón del trópico,
y el espíritu limpio.
Traemos
nuestro rasgo al perfil definitivo de América.
sóngoro de tre...
De miles e muchos más
Que a pátria grande vingará!
(Olhem só o que eu achei aqui, bem escondido de todos)
Spirito Santo,
Bravo!
Excelente trabalho.
Marluce
parabéns. santo texto.
beijão
fran
Gente!
Que legal você terem gostado do Guillén.
De chato apenas um incidente aí com a foto.
Ao que parece cometi uma infração involuntária. Não sabia que tinha que obter autorrização para reproduzir fotos em conteúdos sob o sistema CC como é o caso aqui do Overmundo. Já publiquei várias. Só havia recebido alguma orientaçõa ou recomendação sobre duas (não exatamente sugerindo que retirasse a foto). O fato é que não tive tempo para substituir a foto ainda na fila de edição. Aquela foto tão linda foi retirada. Criei um tópico sob este assunto no fórum 'Ajuda'.
Acho que seria bom todo mundo participar desta conversa.
Obrigado.
Abs,
Aqui o link do fórum, pra facilitar: http://overmundo.com.br/forum/autorizacao-para-publicacao-de-fotos
Spírito Santo · Rio de Janeiro, RJ 8/5/2007 19:39
Adorei a matéria´. Agradeço a informação sobre Guillèn.
É importante dar visibilidade às personalidades latinas, integrando-nos assim culturalmente com a nossa vizinhança.
Parabéns!
Oh! que beleza de recado você acabou de nos dar, Spirito. Eu já conhecia um tiquinho dele, através do meu grande e saudoso amigo poeta negro, Solano Trindade e muito mais agora, através de você. Obrigado por esta vaiósa informação e parabéns.
Carlos Magno.
Olha só, têm uma banda no Rio de janeiro formada por um argentino, um chileno, um venezuelano, dois brasileiros e sei lá mais quem...que se chama Songoro Consongo.
O repertório é uma mistura das músicas de todos esses países, meio negra, meio branca, meio indígena...fantástico.
Na sequência vou postar uma música deles no meu perfil, vão lá depois e confiram, vale a pena.
abraço
Mansur
Mansur,
Legal, Mansur. Já ouvi falar da banda. Eles são baseados ali em Santa Teresa, certo? Agurado o post da música.
Abs
Spirito,
Show esse seu texto e os poemas de Guillén! Parabéns!
Um abraço
Não tinha visto ainda esse texto. Cara, que máximo Guillén!!! Spirito tem passado na Net, na GNT, se não me engano, uma série intitulada Os sons de Cuba. Vc já viu? È tudo de bom.
Abraçs e Parabéns por mais esse texto e Obrigada por me apresentar a esse representante da literatura afroantilhana.
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