Uma guitarra tem as cores dos teus olhos = Ursos tocam harpas na elipse do impossível
(pequena lenda do vaga-lume esteta, da empregada loira de seios desenvolvidos e dos discos voadores) *
[Seis] integrantes, alguns instrumentos polifônicos com cadência de batuque, muitas possibilidades. Supercordas tal como a teoria, talvez consiga encravar vertentes no vasto meio sonoro (assim como os maçons mataram o senhor Batata). Não são franceses que optaram por desbravar o Novo México com balinhas de menta e uma empregada loira de seios desenvolvidos (ou um repertório iluminado por diversas dissonâncias mágicas de um mesmo Zé). Nada disso (conquanto isso).
A empregada sequer existe (ou talvez ela exista?). Pensando bem, ela existe. Sim, a empregada existe e é louca, pois come catupiry. O catupiry é o ópio dos homens! Sim, e após comer catupiry que é o ópio dos homens, ela reza para um cinzeiro. As lágrimas caem como cachoeiras bélicas repletas de uvas e volúpia. A reza é acompanhada pelas lágrimas de um homem que não existe e achava que era tudo bonito e verdadeiro na igreja católica. Mas ninguém se importava com o homem que não existia. Porque falar de alguém que não existe? Acredito nesse ponto em Manoel de Barros: "As coisas que não existem são mais bonitas". Aquele que não existe cansou-se de chorar e subiu no telhado. Quis ser pedra; acabou virando telha. O quadro está delineado na penumbra. Chega! Volta a estória da empregada: Nisso surge o mesmo santo de todas as noites e ele fala para a empregada loira de seios desenvovidos: "- No provável eu seria um iguana ou talvez Jorge Mautner, mas aqui, sou matéria insólita e brilhante; bolha redonda...".
E longe dali, um arco-íris de nome Dalai se abriu no horizonte. Pessoas dançam como se fossem morrer. Dançam o rock entre as bolhas. A consagração do ser pelo som.
Alguém chora por mim? Tereza chora por mim. O som é tão logo, tão belo som. A pureza das imagens-letras. Letras-imagens. Tereza e as laranjas.
A empregada não sabe o que significa Supercordas. Se ela soubesse seria diferente? Viraria ela uma deusa? Uma empregada deusa? Quem sabe? Talvez ela falasse a língua dos patos? Quem sabe tiraria poesias do mato? Seria vegetal para saber o que é ser vegetal. Hein? Supercordas? O rádio se ligou sozinho. Porque ligaria-se em conjunto?
Um conjunto, um samba, quatro notas. O rádio tem vida e vontade própria. O rádio cansou de tocar o que as pessoas querem ouvir. O rádio agora toca Supercordas.
Usando das palavras que não são estas acima, Bakural Marx já dizia: "Ser radical é tomar as coisas pela raiz. E a raiz para o homem, é o próprio homem".
A ruralidade, o horizonte pelado no olho do sapo, a voz que traz consigo todos os tempos (presente-passado-futuro) que se cruzam, se intercalam, se fundem e eclodem numa força única (derretendo até o sal). Líquido novo e gritante...
A empregada ouviu Supercordas. A empregada nunca mais foi a mesma.
* o conteúdo apresentado não fornece indícios de participação de vaga-lumes ou discos-voadores. Fica a critério do leitor incluí-los ou não na estória supercordiana
é muito bom! excelente! fui lá no site e o resto é bom também - me senti um bobo por não conhecer a banda até hoje...
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 31/3/2006 20:50hahaha, eu ja' conhecia! e' bom demais mesmo.
ronaldo___lemos · Rio de Janeiro, RJ 5/4/2006 01:04http://www.overmundo.com.br/banco/banda-supercordas
Valentino · Parati, RJ 7/2/2007 18:26
curioso, esta descrição aí em cima me deixou cabreiro!!!!
DenitO · Leme, SP 20/11/2007 19:59Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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