Sentadas na varanda;
O tempo corria sem medo.
Ela sempre "Senhora de si"
A tricotar agasalhos:
Sabe lá para quê, para quem?
E eu, com as pequeninas mãos paralelas,
Fazendo suporte para desembaraçar fios
E ela contando estórias de Portugal,
De sua vida e de irmãos.
Enrolava linhas de lãs, novelos,
Bolas grandiosas, coloridas e perdidas,
As quais eu sonhava brincar;
Jogar para o alto surreal
Suas mãos enrugadas e lindas,
Que adoçaram meu leite, meu café;
Pentearam meus cabelos
Que ralharam comigo,
Que se entrelaçaram às minhas para passeios:
Passeios vários em ruas de pedra,
Da minha querida Campinas.
Mãos seguras e orgulhosas
Apresentando-me aos seus amigos;
Mãos precisas com um passado ferido;
Mãos que deram olás e adeuses,
Que enxugaram lágrimas de revoltas
Sem voltas e teceram a minha estória
De sonhos e cores;
De vitórias e perdas
E dentro da minha imaginação
Suposição recatada dentro de mim.
Foram mãos que um dia
Afagaram um homem
E desse carinho, deram-me
A Vida, a minha Mãe...
Cíntia Thomé
1979
.
olha aí, uma"campineira" SAUDOSA.
"LAGRIMAL"
BEIJOS, AMIGA.
Um fio de metal precioso unem relações assim, doce, cotidiana,Sansárica, Divina, que tece a Alma.
As Mães nossas de todos os dias.
puget.
será que todas as vozinhas se parecem? a minha é igualzinha a tua... aquelas mãozinhas lindas tricotando, penteando, acenando... afagando... Muitas saudades...
Belíssimo texto.
Bjs.
Assim é tecida a vida... Fios de todas as cores... de abraços, passeios, sorrisos, lágrimas, saudades... ... ... Agasalho multicolorido a desbotar... Ainda que sem cores... agasalha... Abçs...
Nydia Bonetti · Campinas, SP 5/9/2007 13:58
Cintia,
onde será que elas moram? as avós?
tem que haver um lugar especial para elas no Céu, além
da nossa imaginação.
Bela poesia, me deu saudades da minha.
Bj
Que "lindeza" , adorei!! Volto para votar!
Tati MOTTA · Belo Horizonte, MG 5/9/2007 14:05
Muito bom. Coisas de duas corocas... Rs.
Bjs.
Cíntia,
veja só, há mais de vinte anos a poesia já se lhe assenhoreava, ainda que timidamente, a alma. O poema é singelo, bonito, mas ainda titubeante - como não podia deixar de ser - e sem o ritmo, o equilíbrio e a elegância que a experiência acrescentou a sua escrita. O que não só a valoriza como poeta como mostra que você soube com o tempo domar palavras e construir com elas uma obra poética vigorosa, bonita e consistente, que me dá um enorme prazer degustar sempre que você me convida ou eu a encontro casualmente nas páginas do Over. Por isso tudo, aplaudo com satisfação este seu amoroso presente filial que, tenho certeza, sua mãe também amou. Volto pra votar, sem dúvida.
Um beijão.
Desculpe-me, Cíntia, mas agora é que percebi que o poema foi para sua avó, o que na verdade não muda nada do que eu disse, pois ambas são mães, não é isso?
Bjs
Cintia, sou avó e adorei os comentários aí em cima.
Com certeza meus netos não me verão tricotando mas o amor, a atenção e o carinho são os mesmos e hão de ser eternamente iguais pois, ser avó é divinamente maravilhoso.
Bjs
Ah, nossas querida avozinhas quixotescas, quanto nos ensiraram da vida, quanta sabedoria...Saiba que eu me imagino assim, uma avozinha na beira da lareira, morando em Portugal(?), fazendo tricô e contando estórias para as criancinhas, minhas netinhas, as das vizinhas...E um gato ronronando ao meu lado, brincando com bolinhas de lã...
Amei sua vovozinha!
Bjs
Cris
Que poema lindo,... emocionante! Fico imaginando quanto tempo esses versos ficaram 'amadurecendo' presos em você, desenvolvendo-se todos esses anos, até o momento de saltarem, coração e da mente, para o 'papel'. Obrigado por me permitir essa leitura. Um abraço!
Lobodomar · Guarapari, ES 6/9/2007 20:26
Voltei para dizer que vim.
Bjs querida
Que bom que as mãos de outrora puderam fazer tanto por ti, que as mãos de agora possam continuar escrevendo coisas lindas como estas memórias em forma de versos.
Parabéns Cintia!
abçs.
Sander
Que belo tributo emocionante amiga Cíntia. Ah! menina, você me fez voltar a ser menino nos braços trêmulos das minhas queridas vovós. Meus sinceros aplausos e beijos.
Carlos Magno.
Puxa! Que demais, Cintia. Muito bacana. Eu volto.
Sérgio Franck · Belo Horizonte, MG 6/9/2007 22:15
"Sentadas na varanda; O tempo corria sem medo."
Um momento especialmente rico para se guardar com carinho na memória, Cíntia. Um momento ao qual você pode recorrer, sempre que precisar exorcisar o medo e reavivar as cores de sua fé na vida.
Ah, Cintia,
outro poema encantador!
1979 foi o ano em que nasci, quando começaria a doce amizade com minhas avós e meus avos. Realmente, os tenho como grandes amigos, cada um a seu modo sao exemplos fortes e belos para mim. Obrigada por reavivar a memória, as doces recordaçoes.
Adorei esta passagem:
"Mãos precisas com um passado ferido;
Mãos que deram olás e adeuses,
Que enxugaram lágrimas de revoltas
Sem voltas e teceram a minha estória
De sonhos e cores..."
Um beijo para ti!
Cintia Lindo poema!
Leio, com os olhos mareados, e o coração cheio de encantamento; encantamento oriundo de teus maravilhosos versos.
Em nome de todas as avómães te agradeço por este presente.
Abçs.
Cíntia.
Braços que serviram de suporte para tecerem um amor, tinham que ter mãos sábias e poéticas para fazerem versos encantados.
Beijos
Noélio
Cintia,
Votado, com louvor!
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Abraços, flores, estrelas...
http://edmalux.blogspot.com
Que fowfa !!!!! Ahhhhh Cíntia...linda !!!!
Vc sabe que gosto de tudo que escreves... !!!
Beijos...
Cintia, que composição (de mistura), bem feita, bem tecida, mãe, filha, avó, vida - pai na outra ponta; no centro o amor, na continuidade o fruto, ..... beijos, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 7/9/2007 14:53
Oi Cíntia! POEMA lindo!
Sou recém estreante do site, mas p/ enquanto apenas como espectadora... evou lendo e votando nas quem me tocam.
Prazer, voltarei!
Apreciado e também votado. Adorei seu poema. Um abraço!
Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 7/9/2007 17:17
Que bela homenagem,Cintia!Lembranças que fazem bem...
Beijos.
Maravilhoso!!!
Patricia Moreira · Vitória da Conquista, BA 7/9/2007 19:50
Vim pra dizer que voltei pra votar e voltar sempre para perto de ti estar, tão amiga és de mim, que tenho vó igualzinha aqui do ladinho meu a dizer:
- É bem assim que ficavas, em mãos e pés, na paralela
(É que sempre meti o pé pela mão e acabava enrolando a lã dela na perna também)
Bonito, bonito, bonito. Vida, vida, vida, que te deram, que me deram.
---
Cíntia,
Já lestes a leitura de Ize da novela do Bauer?
Cíntia, é muito bonito seu poema.
O amor está em cada verso. Essas lembranças que aquecem a alma são parecidas com as minhas.
beijos
Lindo e sensível, Cintia! Demorei, pois estava viajando, mas voltei e votei ;-)
bjs e flores @>--
Abstenho-me de tecer comentários, que tudo já está muito bem alinhavado, como afinal não poderia deixar de ser, dada a excelência desta primorosa tecelã que é a Cíntia.
Remisson Aniceto · São Paulo, SP 11/9/2007 14:00Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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