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Tão Longe e tão perto

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Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE
16/3/2007 · 35 · 2
 

Os avanços tecnológicos no campo da comunicação transpuseram barreiras jamais imaginadas pelo homem. O tempo e o espaço já não existem como empecilhos para aproximar duas pessoas. Graças à "internet", vivemos numa “aldeia global”. Entretanto, o homem moderno possui uma estranha incapacidade de se relacionar com o seu semelhante.

Estamos na era da comunicação instantânea, do fluxo total de informações. Tudo, absolutamente tudo, está à nossa disposição na rede mundial de computadores. Basta digitar um endereço e dar um “click”. Parece ilógico que, num mundo como esse, as pessoas estejam cada vez mais distantes.

Prefere-se a máquina ao homem. Por que conversar com o caixa de um banco? Perde-se muito tempo ao sorrir ou cumprimentar alguém. Além do mais, os contatos com outros seres pensantes podem acarretar alguns contratempos ou desentendimentos. É pouco prático e leva tempo. O caixa eletrônico é mais eficiente e veloz. E, em nome dessa eficiência e dessa velocidade, resolve-se tudo diretamente com a máquina, que até em alguns casos se apresenta metalicamente muito gentil ao “comunicar-se” conosco. Alguns programas nos dão um atencioso “bom dia” ao chegar e um delicado “volte sempre” ao sair.

Os mediadores eletrônicos substituíram perfeitamente os contatos mais primitivos. Perdeu-se o prazer do simples gesto, do olhar, do afago, do sorriso, do aperto de mão. As pessoas não mais se relacionam, interceptam-se. Até os assuntos mais íntimos podem ser mediados pelo computador, inclusive namoros e matrimônios. Hoje a máquina é o meu próximo. E isso já obteve o aval científico: o homem pode viver isolado, desde que tenha a companhia da máquina, é obvio.

Nenhuma outra época poderia ser mais contraditória para a humanidade: um potencial tecnológico grandioso voltado à comunicação e a constatação cada vez mais acentuada da incapacidade do homem moderno de se relacionar com o próprio semelhante, da impotência de “tornar comum” a condição humana de carência afetiva e espiritual. Ora, comunicar é tornar comum e nada poderia aproximar mais dois seres que a comunhão do abraço e do aperto de mão, que o calor do contato, a sensação táctil e térmica da existência do outro.

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Jorge Henrique
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Livia Vianna
 

nussa ... :)
realmente hoje vc fica sozinho em uma sala vazia .... e conectado a naum sei quantos internautas ligados em tomadas....

Livia Vianna · Cuiabá, MT 16/3/2007 14:29
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Poeta Jorge Henrique
 

Pois é Lívia,
A gente nem percebe, mas parece que estamos caminhando para uma vida virtual.
E os que estão ao nosso lado?

Obrigado pelo comentário.

Poeta Jorge Henrique · Nossa Senhora da Glória, SE 16/3/2007 16:58
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