Estava deitada, sem fazer nada quando o telefone tocou. sentiu, primeiro preguiça, ia ter de se levantar para atende-lo, por alguns segundos, se fingiu de surda, mas o toque insistente continuava, agora lembrou da raiva que tem de telefone, na verdade de telefonemas em seus momentos de ficar só (momentos esses que eram muitos, diários e longos) pensou logo ser um chato com quem ela trepou e, bêbada deu o telefone, ai que saco, ter que falar, não querido, não quero te ver de novo, e quando disse , me liga, foi só força do habito, não gostei de trepar com você, seu pau é pequeno e você é chato e burro, mais um toque, agora achou que podia ser uma de suas pouquíssimas amigas, que as vezes ainda ligam na inútil tentativa de chama-la para sair, afff, aquelas medíocres, só falam besteira, leram o código da vinci, eu não saio com quem leu esse livro calhorda, pior, pode ser alguma vendedora, me convidando para conferir os lançamentos, ou pior dos piores, pra ir na liquidação,imperdível, últimos dias, eu lá tenho cara de quem compra em liquidação, pulha...
Mas seu telefone tocava tão pouco, tão quase nunca, ficava dias e dias, sem um sinal, que diante daquela situação inusitada, insólita decidiu atender... já temendo o pior...um convite agora é tudo que eu não preciso, quero ficar deitada
Alô
Oi, com quem eu falo?
99878989
Não é do telefone da Márcia?
Não é a Ana
Desculpe, foi engano
Pronto, Ana voltou a deitar e nada fazer
inércia
apatia
e sim, estava
secretamente decepcionada
Trim trim trim!
Alô?
Tu tu tu...
:-S
Gostei!
obrigada fê
beijocas
gente só pra constar aqui e em tods os poemas
essa não sou
não sou triste
nem amargurada
muito menos tenho tendências suicídas
tenho um marido lindo lindo fiel e apaixonado
e vocação zero pra sofrer de amor
por favor
Senhorita, claro que é só uma personagem de literatura. Ana veio preguiçosa, mas charmosa. Gosto dela. Vamos ver a próxima aparição.
ignis liberati · Porto Velho, RO 21/6/2007 01:44
Miller,
Muito bom!
Marluce
Senhora Senhorita,
tão fugaz indefinição
tão perene decepção.
Ana não se ajeita,
ela espreita o insondável
com quem se veste para o baile do ano
e quebra o salto na calçada, meio corpo já dentro da merda da limousine que vai fazer aquele estardalhaço e chamar a atenção pro chiclete grudando a pecícula que acabara lhe acrescentando mais charme e enigma à noite de gala.
- por que não danças?
...
- Outro champagne?
...
(Ana nem desconversa, só pensa no salto, no outro: naquele que deve dar ao se confirmar a ocasião adequada...)
Essa Ana, essa Ana.
Gostei, senhora Senhorita.
MAIOR BARATO ESSE SEU POEMA. SIMPLESMENTE DEMAIS!!!
marcio rufino · Belford Roxo, RJ 21/6/2007 17:25DESCULPE O ENGANO. POEMA, NÃO, QUER DIZER, CONTO OU CRÔNICA!!!
marcio rufino · Belford Roxo, RJ 21/6/2007 17:27
Senhorita, eu gosto da ana. por ser assumidaMente ana.
Viva a ana! foto massa.
o bom de fazer poemas é que podemos ser várias, né? mas, o pior é que acreditam em nossos causos insanos
( ‘quase’ sempre verdadeiros, hehehe), ah, que coisa...
como diria Itamar Assumpção: "será que terá nexo, será que ela me ama..dúvida cruel". Salve o mestre Itamar!
Beijão, senhorita.
ótimo texto!
Salve Itamar
belo e sábio
eu aqui deixo um escrito que amo
O escritor é uma das criaturas mais neuróticas que existem: ele não sabe viver ao vivo, ele vive através de reflexos, espelhos, imagens, palavras. O não-real, o não-palpável. Você me dizia 'que diferença entre você e um livro seu'. Eu não sou o que escrevo ou sim, mas de muitos jeitos. Alguns estranhos."
Porto Alegre, 10 de agosto de 1985 e Caio Fernando Abreu escrevia essa carta para o fotógrafo Sérgio Keuchgerian.
"A linguagem é a morada do ser" [Heidegger]
Uma vez que “não posso apreender o ato de existir senão nos signos esparsos no mundo”, cuja mediação (hermenêutica) “afirma a natureza essencialmente lingüística de toda a experiência humana, uma vida apenas se torna numa existência e só se apreende enquanto tal se estiver em busca de narração” (Paul Ricoeur). Conclusão: “O ser que pode ser compreendido é linguagem” (Hans-Georg Gadamer), pois (segundo a perspectiva heideggeriana), “a linguagem é testemunha, por excelência, da pertença do homem ao ser, não no seu papel de instrumento de domínio, mas como lugar de escuta e de resposta, em que se opera uma dádiva, uma passagem: a palavra não é representação da coisa, mas antes aquilo que lhe atribui ser e presença”.
www.marianodarosapoeta.blogspot.com
(achei que cabia inteira)
Senhorita,
Alguns escritos nos prendem, nos instigam e nos deixam felizes ou tristes, e esse me deixou com jeito de quero mais. Parabéns!
Bjs marajoaras
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