Sentado à sombra ocasional, o murtinhense sorve tranqüilamente a infusão salutar.
Enquanto reveza a cuia de cabaça ou a guampa de boi, vai hablando seu guarani, permeado de castelhano e português.
Sem se dar conta, enquanto tunguea junto aos companheiros, esse “homem professor” transmite a herança de seus antepassados que, muito antes dele, espaireciam a mente, tonificavam o corpo e mantinham viva a alma numa roda de erva-mate.
Caro Marcos,
Companheiro de Confraria!
Tempo não muito, visitei/conheci a cidade de Maringá - ai no Mato Grosso: lá, sorvi uma certa bebida incomum para paladares amazônicos - o Tereré... O gosto achei de nada. Mas achei interessante de bom. O Açai roça minha língua... Rs.
Confesso, amigo, e me perdoe os irmãos nativos, mas a bebida não me faz sorvê-la novamente. Pelo menos agora... Mas quem sabe?
O costume daqui é diferente... Acho que falta o costume diário que abunda nos hermanos dai, que mantém este habito vivo desde os primórdios... Perdoa-me a sinceridade!
Agora uma coisa é certa Marcos - e justiça seja feita ao povo do lugar -, o calor humano dos matogrossenses que bebem o Tereré, é mui raro. Contagiiante...
Ah! Quando falei que não havia gostado da bebida: êles me compreenderam - e dissera: - Isto é coisa de Paraense. Rs.
Sorri e disse:
Hasta la vista, hermanos!
Abraços,
Benny Franklin
Benny,
Querido amigo,
O "tchan" do Tereré não está no sabor, mas no refresco que ele confere aos dias de calor e na energia que ele dá para quem precisa trabalhar em baixo de um sol medonho, onde a temperatura chega fácil, fácil a 45 º.
Ancestralmente usado por suas propriedades tonificantes, o mate tomado no Tereré constitui ainda um importante recurso de sobrevivência para quem vive neste lado do Brasil. Já foi melhor usado, quando na Guerra da Tríplice Aliança, soldados de todos os lados passavam mais de 20 dias sem provisão de alimentos por incontingências das batalhas, se alimentando desta erva "sem graça", que contém óleo, clorofila, resina, cortim, theína (ou Cafeína), celulose e cinzas.
De tão importante nas relações econômicas dos povos sul-americanos do período pré-colombiano, folhas de erva-mate eram depositadas nos túmulos de Ancon, no Perú, como sinal de prestígio e força do guerreiro ali enterrado. As folhas lá encontradas vinham de aqui, dos ervais nativos de Mato Grosso do Sul, através de trocas interétnicas.
Entre suas valiosas serventias, o Tereré não é utilizado apenas como uma infusão salutar, mas como uma forma de manter viva a tradição de tunguear à sombra e cultivar antigas referências culturais do povo. Você não pode simplesmente experimentar o Tereré, tem que "participar" de uma RODA DE TERERÉ para alcançar a profundidade de seu conteúdo.
Portanto, concordo que não é lá das bebidas mais saborosas (muito embora com o tempo seu uso se torna muito agradável) mas tem grande importância no processo de sobrevivência e resistência deste estado e de toda fronteira platina.
Che rohãihú mi companheiro!!!
E dá-lhe mais Brasil!
E todos os 'costumes' em diferentes Regiões. Parabéns Marcos, por nos mostrar um pouco mais da nossa diversidade cultural, também em Porto Murtinho/MS, em hábitos e sabores pouco conhecidos para o resto do País.
Adoraria experimentar, na "cuia de cabaça"! Ah, essa eu conheço!
Grande abraço!
Branca,
Então vou esperar você para uma roda de Tereré na beira de um corixo aqui no pantanal...
Grande abraço!
Ok, Marcos, combinados, mas antes preciso saber oq eu é "corixo".
Abração!
rsrsrsrs
Corixos são baias. São como grandes lagoas (só que centenas delas) a formar o Pantanal, nosso antigo Mar de Xaraés.
Uma baia explodindo de vida, com a exuberante fauna e flora da região.
Pois é, Marcos, vc nos ensinando muito do nosso país, vou gaurdar todas essas novas palavras aprendidas. Já tô até me vendo perdida no meio de um corixo!
Mas diga ai, deve ser linda, não?
Super abraço
Marcos,
Lembrei do chimarrão. Olha a comparação que a Wikipédia faz entre chimarrão e tereré:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Terer%C3%A9
Queria entender melhor! Você pode comentar essa relação também?!
Abraço,
Apple,
Sobre o sistema de extração e beneficiamento da erva-mate, posso dizer tudo o que você quiser, mas somente me referindo aos modelos antigos, usados no final do século XIX e início do Século XX.
Sobre o hábito de tomar a erva-mate, a diferença básica entre Tereré e Chimarrão é que o primeiro se toma tradicionalmente numa guampa (chifre de boi especialmente adaptado para isto), com água fria ou gelada. Neste caso a erva é mais grossa mesmo.
O Chimarrão se toma com água quente (importante, não pode ser fervida pois queima a erva), servida numa cuia (geralmente feita de cabaças ou porongos). A erva é bem mais fina neste caso.
Ao tereré, geralmente, pode se acrescentar limão, hortelã ou outra erva refrescante.
No chimarrão se usa muito comumente ervas medicinais (marcela, camomila, anis ou outra que a pessoa queira conforme as propriedades), fervida antecipadamente na água (deixando esfriar um pouco antes de por na cuia) ou posta diretamente na cuia junto com a erva.
Se faltou alguma coisa me escreva que eu tento responder.
Grande abraço!!!
Querido, votado!
Abçs
Interessante, sabia a diferença, mas o chimarrão achei bom demais, uma bebida que requer até certa instrospecção, acredito que seja o mesmo, mas geladinha deve ser um "must" Parabens por apresentar no Over uma tradição...Voto. abç
Cintia Thome · São Paulo, SP 22/10/2007 09:36
Cintia.
À noite, com mais tempo, respondo ao e-mail.
Abraço
Marcos, tudo é muito bom aqui nesta colabração...
A imagem, muito bonita, seu texto, gostoso, por essas palavras que vão rolando na boca, novinhas para que mão tem o privilégio de ser pantaneiro e, como se não bastasse, suas respostas são aulas sobre o terra e os costumes.
Adorei e voto com muito prazer.
beijos
oi, marcos, adoro chimarrão e tereré!!!!!!!!!!!!!!!morei em Porto Alegre, durante alguns anos, e tomava todos os dias. infelizmente, aqui em recife, não é muito fácil de achar a erva-mate fresquinha.
abraços, e quero conhecer a sua cidade, pra tomar o tereré, me aguarde.
Obrigado Saramar,
A presença de todos vocês aqui me estimula a continuar.
Grande abraço!
Marcos, qual é a diferença entre o tereré e o chimarrão? Oiu não tem nada a ver.
A ilustração é também bonita pracaramba.
abço.
Estaremos te esperando aqui Rosa,
Teremos muito prazer em ciceronear você pelo belo pantanal dos "Payaguá"
Abraço!
Marcos, mais um texto primoroso. Foto linda! Parabéns por divulgar cultura e tradição! Bebida boa esta, que mantém viva a alma! Devíamos todos ter um pouquinho desta erva guardada em nossos armários, para quando a alma míngua...
Abraços
Nydia
Nydia,
Erva boa no armário (erva mate) e bons amigos por perto, ou on-line...
Abraços!
Marcos, valiosas informações sobre essa bebida clássica. Tomei o tereré em Brasília, numa festa gaúcha. Não gostei do paladar, mas agora depois das suas informações, fiquei até triste com a oportunidade que perdi de degustá-la mais a fundo... Votado.
Abraços.
Obrigado Ana!
Outras oportunidades virão!
Abraço!
nao resisti e vim participar da roda de tereré ou como um amigo meu dobra a lingua portunhol e fecha o bico no tererê, que fica um sotaque divertido pros amigos imitarem.. pelos tantos amigos gauchos tentei acostumar o bico no quente do mate mas o nosso geladinho ..humm.. o jeito é acompanhar a roda... se o clima pede o mate, já viu, é aprumar o beiço e esquentar a goela!! bj
Cecilia de Paiva · Campo Grande, MS 22/10/2007 14:51
Marcos,
Tá se revelado um grande professor/pesquisador. Não sabia dessa diferença de chimarrão. Esse tereré pra mim é novidade total.
Parabéns pela ilustração, está muito bonita e por difundir as belezas do MS.
bjo
Marcos, amigo.
Não importa que nossas almas se alimentem de erva-mate saída do ventre farto da tua terra ou do jambu, tucupi, açai, que nascem nas beiras dos rios aqui do meu Pará. O importante, parceiro, é que não deixemos nunca de enriquecer nossos corações com as fantasias da vida, com os momentos felizes, com as festas de um olhar.
Gostei, parceiro.
Abraços
Noélio
Salve Amigo Marcos Paulo Carlito.
Um Trabalho muito especial.
O Sonho esta vivo e sempre nos resta a reflexáo e nela,
espairecer a mente, tonificar o corpo e manter viva a alma numa roda de erva-mate.
A vida vale a pena e temos tudo para fazer e nos realizar.
receba um grande abraço.
HUMMM... mas é "só isso"? O texto está muito econômico, votei no desenho, que é lindo.
Fui criado no Paraná/SC... preparava o chimarrão dos tios jogadores de canastra, achei a "bebida" uma porcaria, nunca me acostumei.
Me parece que GELADO deva ser um pouco "mió"... em todo caso, valem mais os comentários posteriores ao texto principal.
O comentário do BENNY me "lembra" que o paraense em geral fala da própria culinária -- posso apanhar por isso! -- sem ter provado outra coisa na vida que a própria comida. Assim fica IMPOSSÍVEL se elogiar a si mesmo, sem ter outra experiência que o próprio habitat. Acho a comida local muito acre, salgada demais e com excesso de temperos nativos... come-se "cheiro" mais do que SABOR! (Depois dessa terei que"fazer as malas"!)
Nato,
O Benny é gente fina... vai saber apreciar com gosto o comentário sobre o etnocentrismo da culinária Paraense. Se tiver que fazer as malas (acredito que não será o caso) venha paro o pantanal... Aqui é o entroncamento do Brasil (agora é minha vez). Cerrado, mata atlântica, mata amazônica e muito mais se misturam num mesmo lugar. Certamente há muitas variações de cores e sabores a serem experimentadas.
Sobre o texto, é apenas uma introdução ao terceiro capítulo do meu livro: Porto Murtinho História e Cultura (Projeto A Importância do que Somos).
A ilustração eu gosto muito, fomos nós, aqui da Visual Artes/Criarte, quem criamos. Um trabalho feito em Corel Draw.
No mais, muito obrigado pela presença...
Grande abraço.
Azuir, amigão
Exatamente, refletir é o que nos faz diferentes...
Grande abraço!
Noelio,
Seu espírito harmonioso sempre presente... Eu e o Benny agradecemos!
Por favor, volte sempre!
Grande abraço!
Cecília, nem me fale...
Certa vez, para não desfeitear um amigos gaúchos, daqueles bem tradicionalistas, aceitei participar de uma roda de chimarrão.
Pensa num dia quente, daqueles que só nós aqui, nos dois Mato Grossos, sabemos como é. Pois é, agora pensa num chimarrão que a mulher do meu amigo trouxe quase fervendo para a roda... Pois é... Advinha pra quem ela serviu primeiro?
Pra mim, lógico. Eu sorvia com o bico virado pra dentro que era pra ver se livrava pelo menos os beiços, porém, a garganta... Meus Deus, chegou a sair uma lágrima do meu olho esquerdo!!
E eu, claro, disfarçando o quanto podia... chegava até a dar risada entre uma piada e outra... mas na verdade eu queria mesmo é gritar e sair correndo de dor na guela!
Só rindo mesmo...
Grande abraço!
Ilze, obrigado...
A gente faz o que pode para impingir um mínimo de qualidade e conteúdo nos textos. E faz o que pode também para agradecer a terra que nos acolheu...
Grande abraço!
- Carlito,
- primeiro - o retrato. Tenho uma filha de 8 anos, tem um painel de "fotos demais!!!!!!!!!!!!!!!!!!". E ela diz - "pai foto, e não reatrato. foto de fotografia". Vai adorar.
- E do caldo daquelas prosas, do ardor de pessoas compromissadas apenas com ser felizes, brota poetas assim,
um abraço, andre.
Olá amigo Marcos Paulo,
adorei oteu texto. Agora de tererê sinceramente ,eu não manjo nadica de nada. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
André,
É ilustração...
Carlos,
Quando vier aqui ou eu ir para aí, levo uma cuia e você vai ficar inteirado!!!
Grande abraço!
Trabalho muito bem feito, apropriado para o Overmundo, que cada vez se valoriza mais com suas intervençoes... Obrigando nos overmanos a melhorar o desempenho para nao ficar na rabeira da historia! Parabens victorvapf, votado!!!
victorvapf · Belo Horizonte, MG 23/10/2007 20:37
Valeu Victor pelas palvras de estímulo.
Muito obrigado...
O geladinho é tão bom que voltou...Quando sai o livro?
Cintia,
Quando eu for a praia... rsrsrsrs
Marcos,... seus textos são preciosos. Tenho adorado cada leitura. Essa não foi diferente. Parabéns pelo texto e também pela ilustração. Um abraço.
Rita Costa · Rio de Janeiro, RJ 24/10/2007 12:11
Rita,
Que legal que você gostou. Muito obrigado por prestigiar meu trabalho e as coisas da terra onde vivo.
Grande abraço
Ei bonitão. Legal demais, gostei da ilustração e do textinho (rss).
Um grande abraço,
Conte comigo sempre,
Elizete
Valeu Elizete,
Você sabe que tem um amigo aqui...
Carlito - vc está se mostrando um cara + eclético do que sempre foi. Agora o seu trabalho no livro sobre Miranda & Porto Murtinho ficou um estouro. O Livro que vc me deu eu passei pro Prof. Eronildes, catedrático da cadeira de História da UFMS. quando for novamente à Coxim - por favor me dê outro exemplar... Pessoal comprem o Livro do Marquinho Carlito...
MárioAlmeida · Campo Grande, MS 27/4/2008 22:16
Valeu Mário!!!
Mas eu não vou poder vender o livro... ele tem a distribuição gratuita!!!
Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!
+conheça agora
No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!