Pedro Alexandre, 24 anos, solteiro até que a sanidade permaneça, e soteropolitano. De infância tosca como qualquer outra, brincando de médico e outras brincadeiras de duplo sentido. Aos doze se interessou pela língua inglesa e aos dezesseis já o falava fluentemente, o que surpreendeu a todos da família, que haviam apostado que este teria como língua pátria o alemão graças a uma língua meio presa.
Resolveu ser administrador aos dezoito anos, enquanto se inscrevia no vestibular, depois de muita ponderação, num ato pensado de marcar o “x” de olhos vendados. Tinha o sonho de ser rico e cientista, mas como nascera pobre, e burro, resolveu apenas ser rico e decidiu fazer um curso superior qualquer pra garantir cela especial, ou seja, pura vocação.
Passou no vestibular logo após terminar um instrutivo 3º ano, onde aprendera técnicas de guerrilha, e a fabricar bombas caseiras nas aulas de Dona Neves. O ingresso no vestibular foi muito comemorado pela família, e pelo próprio, que até hoje conta vantagem dizendo que passou no vestibular sem nem tocar nos livros, afirmativa preconceituosa e demonstrativa de pura injustiça, já que o mesmo carregava os livros da namorada na época, mostrando assim seu caráter responsável, inteligente e romântico.
Cursa o 5º semestre do curso de Administração de Empresas na Universidade Estadual de Feira de Santana, e aprendeu o bastante no curso pra deixar de acreditar em loteria e seleções do Big Broder. Só não entende onde vão arranjar esse pá de empresa pra tanta gente administrar, e como pode ter chegado ao quinto semestre no mesmo ritmo do vestibular, sem nunca ter tocado nos livros, que como já foi dito é puro preconceito.
Espera que o curso seja de bom proveito, e algum professor seja bonzinho o suficiente para lhe dar alguma formula útil como transformar pó em ouro, ou como desviar dinheiro do governo. De resto não vê muito futuro no curso.
Luta pra não mais abandonar mais matéria alguma, e cria técnicas pra se manter acordado. Pensa atualmente em escrever um livro de auto-ajuda, que como todo bom livro de auto-ajuda ajude o bolso do próprio autor, falando sobre sua vida de estudante e ensinando outros a também vencerem essa fase difícil, e cujo título provável seja “Aprendendo sozinho – seus professores também não sabem nada”, ou ainda “Querido mestre – seja esnobe para que achem que você é sabido”.
No futuro pretende fazer um MBA na Wharton ou nas ilhas Cayman, fazer uns dois cursos de empreendedorismo e abrir uma cadeia de carrinhos de cachorro quente nas esquinas de cada escola do país.
Acredita piamente no crescimento econômico do país, coelhinho da páscoa e maiores de dezoito anos virgens. Por isso vai estudar, fazer mestrado e doutorado, para poder dar palestras de assuntos inúteis, ou totalmente desconhecidos, por todo o país, utilizando seu conhecimento acadêmico para falar de forma rebuscada o suficiente para ser aplaudido, mesmo ser saber nada do assunto tratado.
Quer morrer velho aos trinta e três anos e ateu, feliz por ter dado sua parcela a humanidade e nunca ter sido pego num desfalque ou sonegação de impostos, amém.
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