Repouso meus braços sobre o corpo e descanso. Vejo a minha frente a terra iluminada pelo sol da tarde, árvores, grama, cerca e edifícios, misturados em uma cena que gostaria de assistir para o resto da minha vida. Mas não é feliz. É melancólica.
O brilho cansa meus olhos, mas mantenho-os abertos. A varanda, a cadeira. A situação é familiar e confortável, sinto como se já a tivesse vivido, no entanto, sei que nunca estive aqui em toda a minha vida. Um sonho? Talvez. Não me recordo o suficiente da vida, e lembro-me tão bem dos sonhos, que não sei qual é qual – confuso, porém, vantajoso. Sinto como se tivesse vivido muito mais do que de fato vivi. Só que dessa vez, sei que foi um sonho – um belo sonho.
Não posso me levantar agora, caminhar e esticar as pernas. Não posso combater a sensação de sonho com atitudes, apenas com força, nos olhos abertos, na mente funcionando. E assim tenho sido, para contrariar minha vida de impulsos, meu corpo mau acostumado que sempre teve o que quis. Mas não terá dessa vez – viverei esse momento de calmaria, como se após ele viesse apenas o inevitável, aquilo contra qual não há luta, nem atitude, que distancie ou torne melhor. Nem mesmo o que faça ter valido mais apena. Como se a calmaria fosse o último estágio antes que tudo se finde – e dele não fugirei, nem dormirei, enquanto me atingir.
Mas a verdade é que não sei de fato o que vem – e como vem – depois de qualquer calmaria. Se realmente algo chega, se isso significa que algo vai embora… Não há como dizer. Continuo observando a paisagem á minha frente e agora enxergando muito mais do que via antes. Assistindo o mundo do sonho.
Escrito por Larissa C.S. 16 Anos -> http://edisetisoppo.wordpress.com/
Tem mto talento e graça o texto. Continue escrevendo!
- M.Leite · Virgínia, MG 1/2/2011 13:46
Surpreso com a maturidade e a força das imagens.
Talento não tem idade. Taí
As vezes a inspiração chega aos borbotões e escapa incontrolável ainda mais numa mente jovem e talentosa que demonstra sua potencialidade que saberá em pouco tempo cercar e equacionar este turbilhão de bons fluxos...
Paabens
victorvapf · Belo
Que bom seria se a retórica fosse real, se a vida realmente fosse sonhos e mais nada....
Se pudéssemos controlar nossos pensamentos sempre para o bem e o belo. Mais um belo texto reflexivo e que nos faz pensar.
Parabéns!
De certa forma, toda poesia tem uma gênese na intensidade da adolescência. Sucesso!
zeno · Porto Velho, RO 5/2/2011 08:51
Continue tendo essa visão etérea do mundo, beijos.
pcfer28 · Belo Horizonte, MG 16/2/2011 05:25
Linda forma me olhar a vida!!!
Um abraço no seu sorriso!!!
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