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TICO LOPES

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raphaelreys · Montes Claros, MG
28/1/2011 · 3 · 5
 

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TICO LOPES

1962, um nobre rebento figueirense, o Tico Lopes já era tirado a posudo e cabeceira. Como fora convidado para a festa de casamento de Dedé Lopes e dona Fiinha, esperava isso sim, em lá chegando, ser visto e admirado com destaque entre os curumins presentes.
Foi todo arrumado como gente. Cabelo cortado à moda Príncipe Danilo, topete grudado no Gumex, jardineira segura por um suspensório com presilhas douradas, lencinho de organdi no bolso superior, usando um moderno quedes e calçado com meias Lupo da melhor cepa.
Para sua surpresa e seu carma, o menino João roubou a cena. Como já sabia recitar uma pequena poesia o guri virou destaque principal. Posto em cima das mesas, carregado nos braços, pra lá e prá cá, a recitar... ”eu ganhei uma pêra/prá casá com Rany de Alcides Ferreira”.
Como se tornou a atração maior recebeu todos os cuidados e comeu do bem bom e do melhor. O nosso Tico Lopes relegado ao plano terciário, nem foi notado no ambiente! Ficou amarelo e babando de inveja enquanto o já desafeto, deitava e rolava atraindo os gemidos das meninas presentes.
Por esse pequeno verso o dito recitador gesticulava e fazia pose exagerada como se fosse o maior artista da paróquia.
Tico Lopes tinha em seu currículo já ter participado de uma encenação de batizado de boneca, no papel de padre oficiante e devidamente “batinado” em papel crepom. Julgava-se gabaritado e merecedor de um destaque na festa e não foi o que aconteceu, por ironia do destino.
No dito batizado de boneca a mestra Carlota Prates havia escrito e ensinado o Tico a declamar um verso alusivo: “Eu te batizo com água pura porque você é uma criatura.”.
Ao retornar da insidiosa festa e já no Jardim de Infância Presidente Bernardes onde estudava, Tico procurou o Crisógono e lhe relatou o seu infortúnio. Empático e enquanto escutava o relato do sucedido, Crisógono escreveu no selim da bicicleta sueca um verso para o invejoso mirim declamar na próxima oportunidade.
Textualmente, o verso dizia: “Eu batizei a boneca, com água benta e batina. Vou casar com a Vicentina”. A Vicentina, musa do rebento invejoso era, a bem da verdade, Clarete Gomes.
Agora diga meu caro leitor, se nós não temos poesia. Nós somos curraleiros, campesinos, preconceituosos, praticantes do murrão da roça, pitadores de cigarro de palha, degustadores de farinha Morro Alto, tomadores de cachaça Viriatinha, mas somos cabeceira!
Nós somos chiquérrimos!...

Sobre a obra

O notável Tico Lopes, músico, homem show, benzefala, instrumentista de cordas, filho de santo da linha Ogum Megê, e que toca instrumentos desde o cavaquinho até o agogô dos orixás, vinha de uma farra altas horas da noite acompanhado do músico Rui Queiros, o homem do bongô.
Rasgaram o silencio da noite em uma serenata regada à cachaça Viriatinha

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RAPHAELREYS
Ficha técnica
Uma homenagem a Ana Clara Lopes!
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raphaelreys
 

VOU COLAR AQUI UMA CRÔNICA EM HOMENAGEM A TICO!


UM PUNHADO DE BALAS, DOIS VELÓRIOS, UMA BAIANÊS

O notável Tico Lopes, músico, homem show, benzefala, instrumentista de cordas, filho de santo da linha Ogum Megê, e que toca instrumentos desde o cavaquinho até o agogô dos orixás, vinha de uma farra altas horas da noite acompanhado do músico Rui Queiros, o homem do bongô.
Rasgaram o silencio da noite em uma serenata regada à cachaça Viriatinha.
Ao passarem pela rua Irmã Beata, no centro, Tico, sabedor de que o escritor Georgino Junior( filho do coronel Georgino) deixava sempre no alpendre da sua casa, balas de canela, para refrescar a boca dos notívagos que por ali transitassem, entrou e apanhou um punhado de petiscos.
Rui Queiros estando de fogo pergunta: Ué Tico, o que você está fazendo no alpendre do coronel Georgino? Tico responde ainda de costas: apanhando umas balas! Rui indaga usando a analogia de ser aquela a casa de um coronel de polícia: de que calibre é?
Transcorria o velório do coronel Lopinho, conhecido líder político do Partido Republicano ao lado do Automóvel Clube quando Tico e Didú Tourinho chegam para aproveitar os lautos comes e bebes, numa madrugada fria. A dupla de glutões marcava presença no gerúndio do verbo comer. O negócio era não ficar deprê.
Como o coronel era de estatura pequena e magro, consequentemente o caixão era do tamanho infantil três, Tico fala ao ouvido de Didú: êta caixãozinho pequeno! Didú entregue aos seus próprios pensamentos acaba sem querer falando bastante alto: aí tombou o velho jequitibá! Em seguida bateu-se em retirada, pois, estavam pegando mal.
Certa vez, sabedores de que na sentinela do industrial Mark Oliffson rolava farta comilança a dupla foi chegando, já com os sucos gástricos excitados. Eram adeptos da filosofia de François Gaston: não adianta marcar encontro com o passado. A deles era com o presente.
Didú de frente ao corpo do de cujus e sabedor que o empresário era fumante de boas cigarrilhas francesas e bons charutos cubanos e usando a sua analogia de comparar tudo com futebol acaba, sem querer, falando alto na presença dos parentes e amigos do falecido: cada tragada que ele deu, era uma bicuda de Nelinho no pulmão!
Tornando explícita a causa mortis do velado potencializou então as emoções dos presentes irrompendo assim choros convulsivos, de familiares e amigos presentes no que a dupla gramou o beco de volta para casa.
Já na rua, Didú quebrando o silêncio da noite grita a seu modo: Tico Lopes dois, Didú três! Tico Lopes dois, Didú três! Tico Lopes dois, Didú três! Tico Lopes dois, Didú três! Em seguida para e pergunta: Tico, eu estou repetitivo... Repetitivo... Repetitivo... Repetitivo... Repetitivo?
Tico e Haroldo Cabaret, irmão de Didú comeram muito acarajé próximo ao terreiro de Mãe Menininha de Cantois em Salvador. Acometido de cólica, Cabaret agacha em um canto de muro em uma encruzilhada. Chega um filho de santo da casa e pergunta: Ôxem! O que o mineirinho está fazendo no muro de Pai Pequeno? Cabaret responde na bucha: arriando o barro!
O cambona de santo, na maior baianês conclui: o que é comido na Bahia dos Orixás é arriado na Bahia dos Orixás!




raphaelreys · Montes Claros, MG 28/1/2011 15:52
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raphaelreys
 

OUTRA EM HOMENAGEM AO MESTRE DO TAMBOR, E MINHA AMIGA MIRINHA MACIEL!


PRADINHO DA SERRA

Mirinha Maciel, essa adorável filha de Figueira, é ariana acelerada e de uma figa. Pura energia cabeça, intelecto e memória privilegiados, coração universal e solto. Platônica, por aderência filosófica e a Simone de Boveauoir, por opção doutrinária.
Inovadora como ela só, construiu a sua Pasárgada tropical e a chamou de Pradinho da Serra. Logo se chamará Agrovila Uga Uga.
Montou esse oráculo na Chapada da Lagoinha, onde, surgindo do acaso, abelhas arapuás que irão se enrolar nos fios do cabelo, silvestres e embriagadoras cagaitas, “oromas” de panãs maduros, marmelada de cachorro enramado nas cercas, colônias de carrapatos ruduleros, grudados nas folhas do araçá e que se alimentarão do sangue de um pequeno ginete cor de burro fugido, que servirá para dar voltas em torno de um eixo.
Lá se acorda com o sopro do vento frio vindo da Chapada dos Pimenta, escutando miríades de trinados dos canários da terra, umas notas como as de um prelúdio de valsa, outras tão altas com tons na escala acima do dó central. Aqui, nesse Éden porreta e curraleiro, ela e os amigos, curtirão, numa boa, a sua merecida aposentadoria. E como a vida é bipolar, há de ser do jeito que Deus pediu e da maneira que o diabo gosta. Será um viver de rédeas soltas nesse mundo doido e sem cancelas...
Dividiu a sua terra em algumas chácaras e chamou os melhores amigos para fazerem parte da egrégora tropical. Alexandre e Maria, Miguel e Tânia, Buteco e Danusa, Virgínia de Paula e Tico Lopes, o artista benzefala da terra do pequi, entre os privilegiados. Virgínia já teve uma revelação mística no local e a sua parte vai se chamar Por (ou Esplendor) do Sol. Tico batizou a sua de Chácara do Tico Tico e foi justo e frouxo ali que recentemente caiu um meteorito!
O objeto cósmico veio com um rasto de fogo do Canadá até Moc City. A NASA diz que o fragmento é oriundo do planeta Capela, da Constelação do Cocheiro.
A galera da “Nova Era” já pintou no pedaço e já taxou o” lance da transação” de Altas Energias.
A dita Agência Nacional de Aviação em sua sapiência e malandragem ofertou (para quando for desenterrado o meteorito) ao Tico Lopes a bagatela de 200 mil dólares pelo “barato estrelar”. O nobre Tico e para desencargo de consciência, pensa em passar 20 por cento da bufunfa para sua protetora Mirinha Maciel, a matriarca do pedaço.
Com o restante da grana que veio na maior moleza irá montar uma trupe de músicos, tocadores, cantores, sapateadores de lundu. Será a “Tico Tico Lundu Company”. Farão uma turnê pelas cidades similares do mundo. Entre armas levarão na bagagem várias caixas de cachaça Viritatinha, requeijão de Salinas, farinha do Morro Alto, carne de sol dois pelos de Mirabela, pequi de Coração de Jesus e de Bocaiúva, levarão raiz de carapiá para dar cheiro no cigarro de palha.
Como proteção astral levarão patuás de Oxossi pendurados em cordão feito na Roda de Aruanda.
Começarão a excursão pelas cidades similares: de París - Patís. Londres - Lontras. New York - Nova Iorque. Japon - Japonvar.
Farei parte da trupe como cronista, conselheiro, consultor e como sou pedólatra (admirador de pés femininos), farei um estudo libidinoso comparando os pés alvos e delicados das filhas da Rainha com os pés rachados e escolados das "tomadeiras" de água do rio de Lontras.
No repertório musical da companhia e como atração maior, a música Rapariga do Bonfim, do excêntrico roqueiro Eltomar Santoro, o único artista montes-clarense que já foi abduzido (e devolvido) por extraterrestres!
Motivo: Eles não agüentaram a fubuia que o homem toma!

raphaelreys · Montes Claros, MG 28/1/2011 15:53
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Claudia Almeida
 

jbs

Claudia Almeida · Niterói, RJ 31/1/2011 10:18
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raphaelreys
 

Claudinha! Obrigado pela sua passagem no postado! Um beijão curraleiro!

raphaelreys · Montes Claros, MG 31/1/2011 12:44
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CHARLES   SCHUAB
 

SÓ ALEGRIA ESTES CAUSOS....DEMAIS DE BOM...ABRAÇO!E OBRIGADO!

CHARLES SCHUAB · Linhares, ES 25/2/2011 11:57
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