DistraÃdo sobre a tela do computador ele pensa ter encontrado sua vida, ao menos uma que ele possa ser quem ele quiser ser. Escolhe então ser um poeta, mas não um poeta qualquer. Esse não fala de amor, não suspira letras doces em folhas de papel. Seus amores são de plástico, sua segurança e distancia de qualquer sentimento é tudo que ele deseja. O que escreve são farsas do dia-a-dia, tramas casuais, paixões virtuais, olhares no sinal, trocas rápidas de telefone, noites distraÃdas de amor e canções para se ouvir no transito.
Há algum tempo ele não acredita em nada, nem tem sonhos bobos de uma noite de verão. Nunca leu Shakespeare e agora decidiu definitivamente não ler. Minto! Ele acredita em algo, mas não sabe ainda exatamente o que é. Gosta de coisas liquidas. Leu em algum livro que somos uma sociedade liquida. Ainda hoje tenta entender isso, mas não importa, ele gostou do termo e isso basta.
Escolheu a noite pra escrever. Não por ser silenciosa, pois todo o seu dia era calado mesmo. Também não foi pela solidão, andava só mesmo em meio a grandes multidões. Talvez pelo fato de ser escuro, o que combinava com seu coração, porém não era isso ainda. Pensando mais pouco o entendo. Ao anoitecer ele trai a si mesmo, cometia o crime maior e lembrava Dela, mas não falaremos disso agora.
Gostava heterônimos e já teve vários. Não criava personagens. Os personagens lhe criavam. E na tentativa de um desses seres ele quase foi alguém de verdade, porém não era hora ainda do carnaval acabar, metade dos mascarados ainda estavam pra passar. Poeta tardio (pensava ele que seus vinte anos já lhe pesavam demais), começou a ler de pouquinho, não demorou e tomou gosto pela coisa. Mas logo gostou mais foi de sofrer e passou um bom tempo escrevendo sobre a dor. De tanto fazer isso as palavras começaram a doer. Deixou então as coitadinhas largadas por ai, assim de um lado ficou ele, chorando as tristezas das palavras e de outro, as palavras, chorando a sua tristeza.
E pra disfarçar melhor a dor brincou de ser feliz, lhe deram até um nariz de palhaço, o que ele gostou bastante. Até agora não tinha falado disso, mas gostava muito nosso poetinha dos rapazes de nariz vermelho. Sempre foi atrapalhado, desengonçado, um gauche legitimo. Porém melhor não esticar sobre este grandÃssimo detalhe de sua personalidade, pois nosso poeta pode ser deixado antes mesmo de sua primeira pagina.
Nosso errante poeta só começou a viver aos quinze anos, e como já disse, aos vinte já se encontrava velho. Talvez já estivesse mesmo e como gostava de dizer: “gastei todos os meus sonhos de uma vezâ€. E como dizem por ai, não se vive sem um sonho. Penso eu que seja verdade, porém não deixamos de respirar por isso e nosso poeta ainda viveu algum tempo, mesmo sem pensar em mais nada a não ser na morte. Falando nisso, nosso cavaleiro da triste figura, bem mais triste que todos os quixotescos que este mundo já viu, não tinha medo da morte. Acostumou-se com ela muito cedo, mesmo sem nunca ter visto alguém morrer. Talvez por que percebeu que todo dia se morre um pouquinho e que aniversários são apenas ensaios para o enterro.
Tinha brigado com deus, porém decidiu não falar muito disso. Mas dizem por ai que ele só deu um tempo pra deus perceber que tava errado e vir pedir desculpa pra ele. Como deus nunca veio, ele também nunca foi. Porém desde que brigou com deus fez as pazes com o tempo e principalmente com o fim do seu. Como entre ele e o tempo estava tudo certo e ainda havia muito tempo pra respirar e nada pra fazer, resolveu escrever mais um pouco. Desde então inventou de tudo, cada palavra nova, uma metáfora mais estranha que a outra, pensou em cada coisa que via e pra cada uma fez um poema, como não parava de ver coisa, não paravam os poemas.
gabriel gauche · São LuÃs (MA) ·
Gostei muito do Trabalho.
Uma Aula de Literatura.
Um show no uso das palavras.
Facilidade de descrever e expressar.
Parabéns.
Abraco Amigo
Trabalho de muito Merecimento
Devera tergrande reconhecimento.
obrigado caro azuir filho!
meu reconhecimento é o compartilhar
destas pequenas palavras com almas de tamanha sensibilidade.
Belo texto, Gabriel, que de "Gauche" deve ter a paixão por DalÃ, como também o "spleen", que nada mais é do que uma angústia profunda, porém com garras para lutar pela sobrevivência da alma humana.
Já deixei meu voto e te desejo boa sorte!
E obrigada por suas belas palavras acerca de minha Contradança. Adorei sua visita, viu?
Um abraço,
Márcia
obrigado cara marcia!
nesta dança com vc eu posso entrar de gauche,dali ou kualker outro ser que seja a altura de vc.
Que beleza! Dali, me enxergo em seu poema, vc traduziu sentimentos que eu tinha mas que não estavam claros, clareou pra mim, putz! vou salvar e ler de novo...como eu não tinha percebido isso? Votadissimo!
soninha porto · Porto Alegre, RS 26/2/2008 03:01
vote no elio candido de Oliveira acorrentados. Ibia´mg
afaltam 2 votos.
obrigado cara soninha!
ficaria muito feliz se mais pessoas tivessem a oportunidade de trocar destes versos comigo.
salve sim e aguarde novas paginas destas "tramas casuais"
saudações poeticas
Um mega poema, Gabriel, tudo de bom !Votado !
Um abraço, Alcanu !
obrigado caro alcanu!
na verdade não é um poema e sim parte de um livro q estou escrevendo,mas muito obrigado por seu voto!
DifÃcil analisar a "parte" de um livro, mas ainda disso me livro rsrs. a começar ali por Márcia a nos falar do spleen, tirando da cova o nosso azedo Azevedo. rs. que será daqui, Dali ou de acolá, a la droit ou a la gauche. rs de fora prá dentro, através da gestalt ou do behaviorismo olhando o poeta, e navegando nas tortuosas águas de sua alma, tendo ao leme Lacan, Max Weber ou Marx, e nisso talvez encontrar um heroi de DionÃsio, ou na vaga novela, um fantasma de Ibsen, tartamudeando o Ionesco. E o que me interessa? o poeta ou a poesia? prefiro sempre a claridade hermética dos versos à Nova História - de Lucien Febvre e Marc Bloch - de uma personalidade, que na melhor das hipóteses é uma só e enquanto dure. rs. a deixo nas mãos de um sócio-psicólogo dedicado... que a cure, a enlouqueça ou a mate. Mas sim, Gauche, seu texto está bem escrito e nesse mar há muita água a se navegar. Voto e lhe desejo sucesso.
abraços.
o carissimo bastos,me foram tantos nomes que me vieram tantas ideias. destes dois ultimos sei bem,companheiros na estrada tortuosa da historia.
obrigado pela leitura e pelos comentarios!
mas não se preocupe enviarei uma copia do livro para a sua analise!rsrs
Gabriel, vou votar rapidão. Estou indo pro trampo remunerado, já atrasado, depois dou um pitadinha., um abraço, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 27/2/2008 09:06
obrigado caro andre volte sim
sei comentario sera de muito proveito!
saudaçoes poeticas!
Desse jeito o que resta, além do prazer de ler trecho, é uma grande curiosidade de saber onde vai dar a história do poeta fracassado(?). Parabéns.
Eduardo de Oliveira · Teresina, PI 27/2/2008 10:16
caro eduardo a historia deste poeta por natureza é inacabada,porem tenho certeza de muitas desventuras ainda alcaçaram nosso poetinha!
obrigado por sua presença!
não sei quando eu comecei a morrer, mas esse poeta nos faz estrar no estégio de turpor com suas palavras.
Failon Aletos · São LuÃs, MA 27/2/2008 15:29
beleza, Gabriel!!!!
Muito bom mesmo!!!
um anti-herói contemporâneo e repaginado!!!
abraços,
Ola pssoa!!
"...da vida de um poeta que nunca foi lido,nunca foi amado e que vive em suas tramas casuais."
Muit legal a sua forma d expressar.
Spero ler mais d suas colaborações aqui no over...
aguardando continuar dos capitulos...
At +, 1 abrço.
Gabriel,
Sua criatividade é fantástica.
Subverte a ordem e encontra tudo 'certo',
dentro da relatividade das coisas.
És artista sem dúvida.
Parabens!
Li, gostei e voto.
Beijos lyricos,
Regina
obrigado marcos andre!
nosso anti-heroi espera por mais visitas.
em breve a continuações
saudações poeticas!
aletos meu karo amigo!
que bom lhe encontrar aki.
veja que nossos dramas,traumas e sorrisos estao todos aki.
você é parte desta minha viagem ao mundo das letras!
pierrofxz obrigado.
em breve mais colaborações do livro.
mas por enquanto vou deixando outras coisinhas.
apareça sempre!
regina,regina!
ouvir tais palavras de sua pessoa me deixa relment feliz!
sua presença é mais do que querida.
saudaçoes poeticas para os seus beijos liricos!
Maravilha, e parabéns belo texto...
Berioliveira · Vitória da Conquista, BA 28/2/2008 02:32
obrigado cara beri!
volte sempre e mande noticias destas terras primeiras do brasil.
saudaçoes poeticas!
Nem mais absurdo que a vida. Nem menos trágica que a iminência certa da morte. Entre ambas, o fio estreito e frio da navalha que conduzes brilhante.
Parabéns.
Belo inÃcio esse conto/novela/romance/épico...
Para conhecer um pouco de mim, volto, por vezes, a este texto, não sei exatamente se venho para relembrar ou para refazer-me. Voltarei aqui para catar migalhas deste banquete de delÃrios.
Failon Aletos · São LuÃs, MA 27/3/2008 21:16Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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