Andamos entre cruzes transparentes
desviando os olhos dos trapos
amontoados em mochilas,
em calçadas.
As mãos dispostas ao repúdio,
à fuga
dos loucos peripatéticos,
dobrando a esquina
sobre a espinha dorsal das prostitutas,
driblando o pobre
e as pálidas infâncias que infestam
as praças.
Carcaças cúmplices de cutelos,
camuflados em nossas peles
ou de outros animais,
os olhos desviados
nos esquivamos
dos destroços chiques
dos restos que criamos.
Caminhamos, cegos,
entre nós mesmos,
mortos.
"Caminhamos, cegos,
entre os nós mesmos,
mortos. "
Enquanto existir pessoas maravilhosas como você, nosso caminhos serão sempre muito bem iluminados e floridos.
Beijos
contundente desalento. mas, ao menos, te serviu de inspiração para esse belo poema. beijo
Ilhandarilha · Vitória, ES 4/10/2008 10:43
Belissimo poema Poeta!
Parabéns !
beijo na alma linda!
Muito forte e belo. Imagens lancinantes e inspiradas. gostei do tema e da resolução.
Bárbaro
Saramar · Goiânia (GO
TRANS(A)PARÊNCIA
Poesia mesmo de vaticínior.
Expressóes fortes e marcantes para toda a vida.
...Andamos entre cruzes transparentes
desviando os olhos dos trapos
amontoados em mochilas,
em calçadas...
Parabéns.
Para toda a vida a gente pensar, refletir e consequentemente evoluir.
Abracáo Amigo
versos que traduzem inteligência e maturidade!!!
de uma sensibilidade ímpar também!
grande abraço,
Saramar, querida, prazer em estar aqui novamente.
As palavras que pintastes em minha mente sacudiram o meu ser, quero ser melhor, ser mais humana.
Obrigada.
Abraço forte.
Esta é a tragédia humana. O grande desafio é percorre-la de ponta a ponta sem perder o Rumo. A rota segura da Luz Superior.
Luz, Saúde e Paz. Sempre.
Saramar,
Versos muito densos e muito belos. Vivemos num mundo trans(a)parente, em que a essência, a alma, é esquecida, em nome de um individualismo deprimente. Andamos nas ruas, desviando da miséria gritante, em que tantos homens e mulheres são jogados diariamente. Tememos olhar para os pobres coitados, com medo de nos vermos em um espelho. Fingimos que o sofrimento não é com a gente, mas quando nos trancamos em casa, o sofrimento vem galopante, nos fazendo de trapos como são todos os seres humanos, no fundo. Estamos cegos para os outros e para nós mesmos, vivemos quase-mortos, contribuindo para a desesperança...
Parabéns ! Deixo o meu voto.
Bjs poéticos
Um dia qualquer, acordo, aprendo, tento e começo escrever assim como vc...quem sabe consigo...
Magnífico, Saramar !...uma cena de Antonioni...
Nossa !
Estamos todos rotos...perdidos e esbarrando nos próprios lixos...e apenas enxergamos nossos proprios umbigos...que lástima !
bj
A gente chegar a criar espaços,e não se dá conta.
camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 7/10/2008 15:39
O pior é que Caminhamos, cegos,
entre nós mesmos,
mortos.
Virou para a poesia social? Esses versos mostram o existencial.
E vc está fazendo escola: tem gente querendo escrever como vc.
beijos
Saramar
Andamos assim, infelizmente... Que tempo é este?
Fantástico teu poema.
Beijos
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