Foto: Galeria de eloisavh/Flickr/Creative Commons
I
Tenho aprisionado n’alma
a puberdade das horas do infinito.
Desde o ido boquiabrir do sacrifício — em Belém faz mormaço,
mas eu sigo poetando no trem de fantasmas
— até o enciumar das pedras do reino
soçobram corpos recozidos nos insuportáveis mictórios
da ilusão...
Ah! os fêmeos gozares resgatam paragens.
Caramujos de risos tristonhos em cópula na madrugada
ejaculam no bacio do olhar um cadinho de nada,
que não crêem de si mesmos, existir...
II
Descaminhar verdades marginais
sem que silvos mofodigitais se sangrem egocompletados,
municiar o ar-lume da pólvora alimenta o canivete,
escalda e assassina a ternura do porvir.
III
Oh! Deus das pálpebras negrejadas!
Como a hipocrisia seduz o banquete de palavras,
e como se esquece que há vida em torno do poema de agora.
Oh! sim, pode haver sangue e canibalismo
se todas as verdades não forem multiresgatadas.
IV
Ludibriar a hora da aflição não me satifaz,
coar a saliva do nódulo-sêmen não me completa,
requentar o alimento transgredido
da sarjeta, dói...
Ah!... É como um afugentado espírito
que não prova o sensabor.
É como fazer amor e amar o medo da espera,
é como esquecer o fuzil e mamar no rubro seio da lama,
é como catar o poema e repreender o pra-frente ódio
a duzentas milhas do padecimento da fala
— de nós.
Benny Franklin
Benny Franklin!!!
Acostuma-nos a esperar só qualidade (VINHOSANGUE!) de seus versos, caro Poeta. Esse é mais um que justifica essa afirmação.
MUITO bom!!!
GRANDE abraço!!!
Nossa! Redundante dizer que é um original bennyano, rs
Tuas palavras, viajam para o mundo Benny, não há como cópia, nada, nada é tão diferente. O banquete das palavras de finos talhares...mas sem dúvida sem o veneno das mentiras...
Ludibriar a hora da aflição não me satifaz,
coar a saliva do nódulo-sêmen não me completa,
requentar o alimento transgredido
da sarjeta, dói...
Consagrado está Benny Franklin
Amém.
OS Henry Ford
Arrebatador, amar o mêdo da espera...
beijos, Frank
Tenho aprisionado n’alma
a puberdade das horas do infinito.
Um grande poeta é assim, tem já sua obra-prima desde os primeiros versos.
Eu aqui admirando...
Beijos, meu querido @>--
Nalguns fragmentos de sonhos deambulei pelas avenidas iluminadas por lampiões a gás da cidade-das-mangueias sob chuva ácida... Devo ter tropeçado nalgum meio-fio de palavras soltas e batido a cabeça num paraleleípedo invisível a olho nu... Despertei com o brilho do sol equatorial e do dodecafonismo beat-pós-tudo reverberante da poesia deste Benny Franklin... Ler tua pulsante poesia é mergulhar de ponta-cabeça num mundo totalmente acachapante... Se o Tempo permitir, aprecia meu http://www.overmundo.com.br/banco/do-livro-dos-esquecimentos-parte-iv... Abraços... Votado!
Pepê Mattos · Macapá, AP 16/2/2008 22:16Benny, quero te deixar meu voto e um abraço, por mais esta belissima contribuição.
Pedro Monteiro · São Paulo, SP 16/2/2008 23:25
Votei agora pois ainda não tinha visto essa maravilha Benny.
Parabéns! Beijos.
Vim deixar-lhe meu voto.És uma bela obra!Parabéns!
Mell Glitter · São Paulo, SP 20/2/2008 14:36Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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