1. A INQUIETANTE TRANSILVÂNIA
Há caminhos de perder,
caminhos a se perderem.
Ser, no inquietante ser,
o meio.
Há paisagens por se abrirem,
paisagens por descobrirem
do gesto fugaz, temível,
o nexo.
Há felinos na retina,
e asma esgarçando o peito,
agoniza em turvo ar,
um vulto.
Há dançarinos e tangos,
vampiros sorvendo o sumo
de uma artéria adormecida,
sem pulso.
Há fileiras de canções,
vozes crescendo em rumor,
mas não se avista de quem,
o grito.
2. PÁSSARO NO ESCURO
Passavam multidões
no olho entrecerrado,
e um punhal se abatia
e uma estrela transida.
Desdobravam-se filas
de aboio inumerável,
e os rebanhos pastavam
o segredo mais doce.
Houvera uma cancela,
uma cantiga nela,
e o córrego corria
aos pés de vento acesos.
Havia um mastro, e vela,
singrando mares élates,
e a âncora caía
na areia agora muda.
Disseminavam-se sons
rasgando a hora antiga,
e uma adaga fria cortava
os pulsos do domingo.
Caiu uma pedra turva
na limpidez do lago,
e um triste olho do pássaro
minou linfa plangendo.
Os olhos só fitaram,
brunidos na vigília,
o peitoral das trevas
e aquela ave suspensa.
3. CANTIGA
As asas de um beija-flor,
no jardim veloz das horas,
descerrou a face estrema
com seu sorriso de apelos,
distendido na asa tarda
da ave de brisa endormida,
colhido no hálito fresco
do amor e de seu segredo.
Corola de passarinhos,
em nuanças de ouro e seda,
distendia um beijo meigo
e instalava um só convite.
O rosto amado se esmera,
por entre a cerração verde,
meio a fila de lanternas
nas luzes de um dia ameno.
Quando a ave move suas asas,
já se assentou o mistério,
do coração, da plumagem,
e das mãos, só de sossego.
O agora, o nunc stans dos místicos, o Jetztzeit de= Walter Benjamim.
Versos de poesia filosófica engendrada
no ser Pessoa multicolorida,
que voa nas asas do colobri.
Bjs.
Brida,
não sei se comentei trabalhos seus antes... mas est65e está um primor, beleza etérea, imagenms místicas, surrealistas, oníricas mesmo, estes vampiros, estes pássaros, estes lamentos, um poema musical e cantante, palavras que se encaixam e se enfeixam engendendrando ritmos. Que beleza! Lindo.
olha, Brida...
eu, sampa poluida, computador
paredes, vitrôs, teclado, calor
barulho, borbulho, rotina, torpor
o que vc acha que seus 3 temas fizeram comigo ?...afinal, num é pra isso que SERVE a poesia ?...pra que serve a poeisa, a não ser fazer a gente saír de onde está, sem se mexer ?...ta vendo ?...suas poucas letras fizeram-me isso...
grato e abraço
Inquietantes, Brida!
Entre felinos, vampiros e pássaros... O agora.
bjos.
Há felinos na retina,
e asma esgarçando o peito,
agoniza em turvo ar,
um vulto.
Uma Brida mais solta, menos formal e com a mesma capacidade e engenho.
P.S: Quando puder também visite os meus poemas e os comente, ok?
Hideraldo Montenegro · Recife, PE 14/11/2008 21:39
Querida ,
Belo , belo e belo , vc fez mai que poemas , fez verdadeiras pinturas , parabéns deixo aqui meu carinho e admirações . Bjs...
Hideraldo, enfim...
De formal não tenho nada, a não ser o trabalho esganado com a FORMA, sempre torcendo o pescoço da retórica, como aconselhou o irretocável Stéphane Mallarmé. E abominando o lugar-comum e limpando a língua dos excessos e dos "enfeites" = a pílula não deve ser dourada, deve ser esmagada como cobra venenosa (no bote).
Vou ver você, sim, não duvide.
Carinho.
Delen, você é mesmo encantador, gato. E doce, doce,doce,como doce de batata-doce... Vou continuar cuidando de você, querido.
Brida · Salvador, BA 15/11/2008 02:20
Nydia, não é mesmo uma inquietação só? Obrigada por entender tão bem! Beijo carinhoso.
Brida · Salvador, BA 15/11/2008 02:22
Obrigada demais, Dan, Juscelino, vocês são realmente LEITORES. Sou parecida comvocês. Muita humildade para ouvir o Outro. Que Deus os conserve! Beijos
Brida · Salvador, BA 15/11/2008 02:24
Brida,
Poemas de beleza inquietante.
Reflexões, pensamentos
Belos versos.
Beijos,
Regina
Há caminhos de perder,
caminhos a se perderem.
Ser, no inquietante ser,
o meio.
Brida,
O poema quase sempre traduz a alma.
Bela alma, belos poemas.
Um abraço
O mistério dá graça à vida. Que nunca se acabe.
Abraços.
belissimos os poemas querida poeta!
Parabéns pelo texto lindo!
beijo no coração
Brida,
Sinto-me hospede do seu poema na paisagem em cima da cancela,
lindo querida,parabéns!Bjss
Houvera uma cancela,
uma cantiga nela,
e o córrego corria
aos pés de vento acesos.
Claudia
Gostei muito!
Votado!
De uma olhada no meu texto!
Boa semana!
puxa!
uma inquieta e es
cura
onda, quase sussuro, quase cantiga
alívio que explode em vôos
abraços,
maravilhoso seu trabalho...gostei muito
parabéns.... votado....
Bacana. voto votado.
se der, dá uma froça pro meu texto.
grande abraço
Esta obra nos envolve em um grande redemoinho, fui mergulhando, algo me puxando, derrepente me envolvi..fui abraçado por ela...como a canção da cancela...
Excelente.Votado..
Abç...
(pausa na poesia, venha a prosa!) http://video.google.com/videoplay?docid=845406110683094593&hl=pt-BR
Ampliando perspectivas: Por que a tragédia?
Nossa intenção é ampliar a perspectiva de reflexão da tragédia de Santa Catarina, oferecendo aos leitores mais subsídios críticos, além dos meros enfoques das mídias, mais preocupadas em explorar o emocional, o sentimental e dor, e a reação nacional a isto com solidariedade, agora quase uma competição para vermos quem doa, auxilia com mais toneladas de mantimentos e outros produtos de primeira necessidades.
O estado flagelado é o 4º na economia brasileira. Seu porto é estratégico para o extremo sul (RS, PR, MS e até SP ou MG) na escoação de CARNES congeladas(aves, suínas e bovinas).
As maiores empresas de exploração deste mercado, como o suíno, tem sede lá.
Leiam com atenção a matéria abaixo, como exemplo, porém terá muitas outras fontes de informações e estatísitcas desta produção nacional.
http://www.aenoticias.pr.gov.br/modules/news/article.php?storyid=33728
O Paraná é o maior produtor de carne de frango do país, responsável por 19,6% da produção nacional, que foi de 161,014 milhões de unidades, segundo dados da pesquisa Produção da Pecuária Municipal 2006, divulgada nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O Brasil é o terceiro produtor mundial de carne de frango, atrás apenas dos Estados Unidos e da China. Em 2006, existiam no país 821,5 milhões de unidades de frango, o que representou um aumento de 1,1% em relação a 2005. A região Sul é a maior produtora, com 49,9%, seguida pelo Sudeste, com 27,9%.
Segundo o técnico, o fato de o Paraná ser grande produtor de grãos, como milho e soja, também beneficia a produção de frango, pois eles são insumos. “Quando há comida perto, fica mais barato. A alimentação é o maior peso no custo-produção”, explicou ao comparar a região Sul com o Nordeste, onde a produção de frangos é baixa justamente pela falta de insumos.
“Esses fatores contribuem para o aumento da produção e dão competitividade ao Estado”, que é o segundo maior exportador de frangos, atrás de Santa Catarina”, contou Andrade. Segundo ele, em 2006, o Paraná exportou 27,69% e Santa Catarina 27,94%. “Estamos muito próximo deles e a tendência é chegar ao primeiro lugar. Em termos de abate, por exemplo, em 2006, fizemos 23% do total nacional, e Santa Catarina, 16%” contou.
O Sul apresentou o segundo maior crescimento no rebanho (1,7%), com maior aumento de efetivo no Paraná (5,9%). O Sudeste, com 2,4%, obteve o maior crescimento do país, sendo que a maior taxa (4,6%) foi registrada em São Paulo.
PRODUTOS – Todos os produtos de origem animal pesquisados pelo IBGE registraram aumento em 2006.
Em termos nacionais, a produção de leite de vaca atingiu o volume de 25,4 bilhões de litros em 2006, 3,2% superior a 2005. Foram ordenhadas 20,9 milhões de vacas, o que aponta para um aumento de produtividade por vaca/ano de 1.193 litros (2005) para 1.213 litros (2006). A produção brasileira ocupa a sexta posição mundial, atrás dos EUA, Índia, China, Rússia e Alemanha.
Após este aperitivo indagamos:
1-Quais as contribuições destas empresas agropecuárias (e seus respectivos governos municipais, estaduais e federais, além dos agentes públicos fiscalizadores...) com suas crescentes quebras de recordes de exploração, produção, exportação e seus impactos ambientais tanto no solo, na atmosfera e nas bacias hidrográficas e mananciais?
2-Há realmente,de fato, relação entre os efeitos das chuvas, da drenagem do solo, da topografia e hidrografia da região com as atividades econômicas agropecuária e industrial da região nas últimas duas décadas? Ou o fenômeno têm variáveis globais e não apenas locais, regionais, isto, também outros efeitos semelhantes porém cumulativos?
3-Quando a lama secar, a normalidade retornar, os culpados serão efetivamente investigados,intimados a depor, provar que não tiveram nenhuma relação com a tragédia? Ou só a natureza, as chuvas serão os únicos culpados? Teremos como população brasileira, que ficar pagando a conta, o débito e prejuízos da exploração globalizada e seus efeitos, desviando o foco o centro real do problema, como a mídia e governos fazem, até quando?
Leitor, sugiro assistirem aos arquivos de vídeo, mas cuidado!! Sua perspectiva não será a mesma, como na cena das pílulas de |Matrix... “A carne é fraca”, de 2004 (é...háa 4 anos atrás já denunciou isto!! http://video.google.com/videoplay?docid=845406110683094593&hl=pt-BR
ONG Nina Rosa, de S.Paulo, principalmente os argumentos do jornalista Washington Novaes, Dagomir Marquezi e Flávia Lippi, contextualizando isto há cerca de 4 anos....Pois, até você pode ser responsável pela tragédia, se indiretamente for/foi um consumidor fiel deste mercado acima. Sempre quem pagará a conta é você cidadão consumidor...
Referências: www.institutoninarosa.org.br/, http://www.macondolugar.com.br/noticias.php?acao=ver&id=62
Queridos, agradeço a vocês, imensamente.
Re, você do meu coração e sua generosidade e alegria! Beijo.
José Carlos, sempre tão atento, provandop que a vigília é o estado mesmo da construção da forma. Grande abraço.
Celina, menina que vibra, menina que é vida, obrigadíssima, sempre. Beijos.
Cláudia e sua doçura e sua linda poesia... Beijos.
Delen! Cadê tu, sumido? E sua arte? Por tudo e sua ternura, beijo e abraço.
Menezesm obrigada. Não pude ainda ler você, mas o farei. Grande abraço.
Fernando do meu coração, obrigada por seus comentários tão atentos e próprios. Beijinho.
Odirlei, muito, muito obrigada por me ler. Irei visitar sua casa. Beijo.
Cafa, gratíssiuma. Agora que jáestou mais livre, irei ao seu encontro. Beijo.
Vitor, como tem perepção finíssima! Beijo, querido.
Carlos Mota,tão bom e atencioso. Já fi te visitar. Conto depois. Grande abraço.
William, não precisa pausar a poesia. É, mesmo, arriscado... A prosa.
Li tudo, com muita atenção. Tenho acompanhado a par e passo essa terrível catástrofe. Vou divulgar amplamente. Grande abraço.
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