Serás real, amor
Eis que a teus pés me encontro
E és um vulto, uma sombra mais
Confundem-se pessoa e projeção
Alma e coração, tu e a personagem
É minha fantasia que te anima
miragem distorcida da que amo
Um sôfrego arfar do peito dorido
Sim, sofro por não saber. Certo
é que vou seguindo por amor.
Ai, como dói não sabê-la aqui!
É suave que a encontro em sonhos
e nos amamos de modo estranho
a todos os amantes: negaceando.
Tu, minha amada e esperada mulher.
Eu sem eira, à beira do caminho,
que te quer real, nesse enleio virtual
----
Ah! Novamente a razão
Que a sabedoria não te impeça a sorte dos beijos,
os desejados, que são melhores, não há que meça
ainda que ousados, quando roubados em supetão.
Que a razão não te falte no torvelinho da paixão.
---
Fico acreditando no que me dizem
Que estou em caminho acertado
Que não é sandice o amor declarado
Mas há beleza e inspiração em tudo nem
Sigo piamente crente na luz avistada
Que iluminaria almas tantas, o mundo
Que se deliciaria a cada linha postada
Que se acabariam os desvãos profundos
Então me dou conta de quão vasta
É a petulância, que infla assim o ego.
Tanta ignorância se afetando casta
Nem desejando assim tanto desapego
Sonhos tão acima de mim, que não vôo
Dão-me noção exata do que sou acordado
(Motivado em Vaidade, de Florbela Espanca)
És como te descreves,
também és o que escreves.
Mais: és tudo o que vives.
E, ainda, o que desejas para viver.
E serás o que quiseres ser.
Querido Adro....adorado!!
Lembrei-me do Pessoa:
"Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não, do tamanho da minha altura..."
E esse:
"Tudo que existe existe talvez porque outra coisa existe. Nada é, tudo coexiste: talvez assim seja certo.."
Não podemos ver as coisas somente através do sentimento...ou apenas pelo desejo...ou pela razão...todos esses aspectos do nosso ser devem coexistir...devem ser vivenciados simultaneamente...o que muitas vezes torna-se uma tarefa árdua... a nós tão sedentos de amor...tão loucos por prazer imediato...
O que vejo à luz da razão e da emoção permitirá que meu vôo seja
mais pleno... e mais verdadeiro...sem que eu confunda personagem e pessoa...
Belíssimo Adro!!
Lírico e profundo!!!
Aplausos procê,meu querido!
Um beijo azul em tons cintilantes...como a tua poesia é pintada...
Raiblue
"Sonhos tão acima de mim..."
Eu também sonho assim. E, "no torvelinho da paixão", para que serve a razão?
beijos
o virtual é real
e o amor é irreal
e toda maniera de amor vale a pena, não?
belo poema de amor, Adroaldo
Abç, Flávia
Olá Adro, achei lindo, mas triste de doer aquele primeiro poema. E como tenho horror a ver vc assim, sem eira, mando dois poemas do Quintana pra ver se animo vc um pouquinho:
Das utopias
Se as coisas são inatingíveis...ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
A canção da vida
A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio...
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno a ti:
Como eu sou bela
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquanto é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí...
como um salso chorando
na beira do rio...
(Como a vida é bela! Como a vida é louca!)
Beijo no seu coração
da Ize
Quintana me anima, recordo dele comendo quindim de colher no balcão da lancheria do prédio da Caldas Jr, empresa que foir proprietária do Correio do Povo por 100 anos vendeu proe evangélicos da Universal recentemente.
E, como os bancos eram tamboretes, Quintana lascava, entre um gole de ccafé preto, uma pitada no cigarro, e uma colhereada no quindim: sinto-me comendo a galinha no poleiro.
A personagem do primeiro poema, que consideras tristes versos, é apenas um sentimento de momento... o poeta que os cometeu tem altos e baixos, às vezes, inclusive, deita e rola e deve estar com saudade de algo que ainda não teve... penso, mais como um leitor, agora, do que como autor daqueilo que já nem é meu, embora assinado, que é do mundo.
Grata por teu beijo, um outro em tua alma santa, guria querida.
Poesia. Sentimento à flor da pele. Coração alado querendo sua amada. O latejo do Amor às vezes incomoda!
Aguardo na fila de votação. abraços
Eu fico aqui pensando,eu sou tamanho do nada.Lindo meu amigo.
meu carinho e voto.
Ah! Essa Amada!!!
Amar, amar e amar...teu verbo.ab
Ah Cíntia, amada, não imaginas o que faz um poema de quem, por saber-se amado, desfia as fibras restantes do coração que lhe rebate.
E, por acaso, em resumo e finalmente, há um outro verbo?!
Nada, nada tanto é, Clara.
Do quase nada, somos todos, se os bilhões de sóis a milhões de anos-luz daqui forem considerados.
Mas fico com aquela de Pessoa: que é do tamanho do que vê, aliado com Einstein, para quem criar é ampliar o universo, aumentar-lhe o tamanho, e eu acrescentaria, a graça.
Nada ninguém é, insisto!
Voasse esse coração, Ayruman, 99,99% das dificuldades dessa gente dos versos aí em cima estariam solvidas, soldadas, confirmadas... amadas, enfim, aramadas em teias mis.
Adroaldo querido,
O poeta arde em febre
Febre de desejo,
Desejo de encontro, encontro desejado, sonhado e não possibilitado.
É quando as palavras não são suficientes, quando o doer é mais doido q a dor física...
É uma queimação a flor da pele que arde por dentro.
...é expor o sentimento ou se fechar ...?
...é falar ou calar
é sentimento exposto em carne viva.
Adroaldo, seus poemas penetram minha alma com flexas encantadas. Adoro ler-te.
Beijos e desculpa pela demora em vir te ver.
beijos
Chegas, quando vens, sempre na hora própria, que ninguém está a te cobrar pressa de coelho, o relógio pendurado ao pescoço, maior que a própria compleição, nada além da imaginação. Maravilhas, Alice. Grato.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 25/6/2008 15:21Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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