" É eu mesmo! É eu que faço. Não, por enquanto é obra minha. E dos companheiros, né? Um ajuda, outro ajuda.
A minha turma toda, até as mulheres, tem que saber fazer.
Mas né difícil não. O difícil é arranjar o oco do pau... tem muitos que faz o caxambu de (...) né? Mas não é origem. A origem tem que ser na mata, com o oco (...) feito pelo pica-pau, e tem uma lagarta, né? Uma lagarta branca grande, (....) o pessoal tava comendo aquilo pra remédio... Então, o pica-pau fura o pau, e elas entra, ai vai comendo, porque no oco tem aquele mel, um troço qualquer, (...) elas entra aqui. E o pica-pau também vai comendo. Eles costuma fazer casa, (...) e vão furando. Ai costuma dá (...) um pau, dá pra fazer 8 ou 10 tambor desses. É só limpar e pregar o couro, né? Tá pronto o tambor."
Grande xará!
Sabe tudo.
Vem cá, como é que eu consigo um pedaço deste pau já ôco assim? E o que você pescou mais sobre o caxambu do Antônio? Vai contar aos poucos, só me dando água na boca assim é?
Para achar o pau ôco é só entrar no mato. hahaha! Cá pra nós, seu Antônio me disse em off que o melhor é o angico. Mas ele tem lá seus segredos, né?
Ilhandarilha · Vitória, ES 2/9/2009 23:07
oi Ilhandarilha: você sabe que grupo estava tocando enquanto a entrevista estava sendo feita? Pelo que dá para escutar o som é fenomenal!
Hermano Vianna · Rio de Janeiro, RJ 3/9/2009 00:24
...Bem bobinha com esta de pau ôco no mato. A questão não é o tipo de madeira. Existem várias que servem (e técnicas de 'ocar' também). O que eu falo é deste pau em especial, este que o pica-pau e as larvas gostam e eu queria pela molezinha que é já vir ôco (dá um trabalhão ocar)
No mais tô com Hermano: O som do fundo é da pesada (me pareceu toada de Folia de Reis)
É a folia de Reis de Dona Elza. Tem entrevista com ela para postar também. É a única mulher mestre de folia de reis no estado. O grupo dela tem um palhaço sensacional. Um cara jovem, cheio de piercings, que faz seu papel com alma, de verdade. No evento em que estávamos apresentaram-se 3 grupos de Folia de Reis, as meninas do Bate-Flecha e o Caxambu do Seu Antônio, todos de Alegre. Eu nunca tinha ouvido o Caxambu e achei fantástico. Bem diferente do folclore cristianizado que conheço, o Caxambu é "pemba" das boas"!
Ilhandarilha · Vitória, ES 3/9/2009 09:28
Spírito, já combinei com Seu Antônio ir outra vez lá, desta vez na casa dele, em Celina, que é no interior de Alegre. Quando der para viajar novamente vou passar uns dias lá com ele e quem sabe ele me conta esse segredo. Por enquanto, a única coisa que descobri é que o angico é a melhor madeira para o tambor de caxambu.
Você notou a elegância do grupo do Seu Antônio na foto no fim do vídeo? O grupo é a família dele, literalmente (o menininho é neto).
Ilha,
Pois é, como sabes sou fanático por Jongo e mui suspeito pra falar.
A festa que eu dirigi lá de Vassouras tinha, além de trocentas folias, tudo de Jongo do Vale do Paraíba (vou postar por estes dias a série sobre o eletrizante lance de lá).
Jongo é mesmo esta 'pemba' e era muito mais ainda e eu reclamo indignado da 'pemba' estar se esvaindo na espetaculrização.
Ajoelhe, peça ao meu xará, de pés juntos e mãos postas uma ponta que seja deste tronco já ôco (o segredo ele já contou). Depois eu ajoelho de mãos postas pra você...brincadeira.
Quando for lá me lembrarei disso! Só não sei quando vai ser...
Ilhandarilha · Vitória, ES 3/9/2009 15:42Me esclarece uma coisa: Jongo e Caxambu são a mesma coisa?
Ilhandarilha · Vitória, ES 3/9/2009 15:55
Ilçha,
(Sabia que esta pergunta viria)
É sim. Jongo e Caxambu são a mesma coisa. Tem uns antropólogos 'pouca prática' aí que fazem elocubrações a respeito de 'Jongo' ser aparte 'sagrada' da manifestação e 'Caxambu' a parte 'profana'. Tudo bullshit. JOngo não tem nada a ver com religião. Tem a ver com mágica, feitiço, parapsicologia, estas coisas.
'Caxambu' é apenas o nome do tambor maior, o principal e serve também para denominar Jongo como um apelido. Tem lugar que chamam Jongo de 'Tambu' (curruptela de 'tambor'). Na parte paulista do Vale do Paraíba tem uma manifestação chamada de 'Batuque' que também é Jongo, sem tirar nem por.
Gostei do video... do som afro, que bacana o negao carismatico.....gostei........adoro esse ritmo........
e o seu texto ta..... curioso! rsrsrs
bjssss;
Ilha, gosto dessas entrevistas e de conhecer a construção de um instrumento enriquece a poesia e o viver de todos nós, "um som grave no chão da terra",bjs.
Claudia Almeida · Niterói, RJ 5/9/2009 22:27Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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