- Ding dong, acusou a campainha, com seu sotaque francês.
Achei estranho. Pensei que era um vizinho pedindo açúcar, sei lá. Abri. Parado em frente à porta um homem grande, loiro, que suava pelas ventas. Uma mistura de Gérard Depardieu com o brother do Jim Carrey em Show de Truman, mas um pouco mais bizarro.
- Bonjour, ele disse.
- Bonjour monsieur, respondi, caprichando no sotaque e achando que arrasava.
Daí ele desembestou a falar, rápido, papel na mão. Eu tava há menos de um mês em Paris e não entendi nada.
- Pardon?
Ele repetiu tudo de novo, na mesmíssima velocidade. Agora pesquei uma palavra aqui e outra ali. Pelo que saquei, era alguma coisa a ver com as férias.
- Posso ler?, pedi, apontando para o papel. Ele se enfezou.
- Mas é a mesma coisa que acabei de falar duas vezes!!!
Isso eu entendi bem. E o suor passou a sair pelo nariz também, formando umas bolhas de água.
Aí começamos uma guerra de nervos. Ele suando cada vez mais e eu puxando o papel, tentando entender do que se tratava. Nossa relação não começava muito bem, pensei. Não deu pra ler tudo. A coisa degringolou de vez quando empaquei em uma palavra.
- Qu'est-ce que c'est pâques? Nunca tinha visto isso antes, pâques. Comecei a desconfiar que ele trabalhava no zôo, ia sair de férias e tava arrecadando dinheiro pra cuidar das pacas de lá.
Não respondeu. O nível de tensão era alto. Pelo tanto que ele suava, deduzi que estava prestes a implodir. Era melhor encerrar aquele papo o mais rápido possível. Fiz cara de mau e fiquei olhando pra ele. E ele fez o mesmo, mas era mais feio e já estava encharcado.
- Pardon monsieur, não entendi bulhufas.
- Eu também não!, grunhiu. Senti meus cabelos voarem com o calor do bafo do sujeito.
O cara deu as costas e saiu pelo corredor, bufando. Antes que eu pudesse fechar a porta, deu tempo de ouvir um urro de "putain!", algo equivalente ao nosso "puta merda!".
Dei duas voltas na chave, só pra garantir.
PS: pâques é páscoa, e ele devia querer uma ajuda para viajar no feriado. Ou não.
Muito boa, Daniel!
Abraço
http://interludios.blogspot.com
Digaí, xará! Bem vindo de volta!!!
Já conhecia esta historieta -- deliciosa -- das páginas do seu Chéri à Paris. :)
Voto certo!
Abraçao do Verde
Bonjour monsieur,
Outro dia chegou um francês aqui.
Passou apenas dois dias, foi o suficiente
para fazermos amizade.
Na segunda manhã eu saí cedo,
quando voltei, ele estava de saída e disse:
"Bisus, Dora!"
Mas como eu não tinha feito a tapioca prometida,
pensei que ele estava cobrando o Beiju, , mesmo sabendo
que bisus significa "Beijo", fiz um trocadilho,
E disse a ele:
"Desculpa, saí e não cheguei a tempo de te fazer a prometida
tapioca"
Ele sorriu e soltou o beijo, aí eu percebi que ele tinha dito "Bisus".
E respondi:
"Vai aprendendo querido, aqui no Nordeste do brasil
Bisus é muito pertinho de Beiju, que não deixa de ser um Beijo
no paladar.
Foi-se de volta para Paris.
Acho tão lindo teu blog.
Bisus sabor Beiju para vosmissê, Monsieur Cariello.
Obrigado a vocês, xará e Dora.
Aliás, Dora, adorei (olha o trocadilho) a sua historinha. Muito poética.
Bisous pra você também.
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