8. DEPOIS DA CONCLUSÃO
Eu havia desistido de concluir o curso de Ciências Sociais, faltando apenas escrever a monografia, porque os temas que eu realmente queria escrever não estavam de acordo com as regras do jogo acadêmico, quando deparei com um ensaio escrito por José Murilo de Carvalho que começa assim:
“O Brasil é um país sem revolução. Não houve revolução na independência. Boa parte da elite que comandou o processo a partir do Rio de Janeiro tinha sido educada em Coimbra e quase toda a alta burocracia era luso brasileira. Não houve, naquela conjuntura, alteração na sociedade. Manteve-se a escravidão e até mesmo aumentou o tráfico de africanos. As revoltas do primeiro reinado e, sobretudo, da Regência eram provinciais e foram sufocadas com relativa facilidade, à exceção da farroupilha, que durou 10 anos. Não houve revolução na abolição da escravidão, votada pelo congresso quando já era reduzido o número de escravos. Não houve revolução na Proclamação da República. Antes, como observou Sérgio Buarque de Holanda, o que se deu foi a implantação do império dos fazendeiros. Não houve revolução em 1930, apenas uma troca de guarda. Em 1964, o movimento que se auto-intitulou revolução foi o oposto do proclamado.”
E que termina assim:
“Mudança aos trancos e barrancos, como foi a nossa, não é mais um processo aceitável para os tempos de hoje, se algum dia o foi. Os cenários externo e interno colocaram o país, neste começo de século, diante de horizontes nunca antes realisticamente divisados. Não por acaso, ressurgiu, sob o impacto das descobertas de grandes reservas de petróleo, nosso quase bissecular sonho de grandeza. Para que o sonho não se frustre mais uma vez, a mudança terá de ser mais consciente, mais negociadas entre governo e sociedade. O pouco de democracia que conquistamos terá de servir como método de navegação para os novos tempos. As desigualdades exigem políticas de correção. O combate a violência, à corrupção e à degradação da representação política exige profundas reformas na lei, nas instituições e nas mentalidades. Até mesmo as grandes promessas do petróleo poderão tornar-se maldição na ausência de um adequado planejamento da distribuição de seus benefícios. O potencial de grandeza, a natureza sempre nos deu e nos dá de novo no pré-sal. Cabe ao país ser capaz de torná-lo real, a começar pelo respeito à própria natureza.”
Me vi chamada a dialogar com esse momento nosso tão importante e tão bem desenhado nesse texto que chega como flor de lótus, desafiando o lodo com que nossa imprensa nos inunda todos os dias.
Publicado na edição ESPECIAL 40 ANOS da Revista Veja, de setembro de 2008, o acadêmico pontua o quão radical foi a mudança, imposta por meio de ditadura política, monopólio industrial, agrário e na produção cultural.
Numa descrição repleta de índices estatísticos somos lembrados da envergadura da dominação. O quanto o pensamento dominador no poder cresceu para dentro de nós todos. O quanto de nossa natureza está intensamente devastada.
Seu ponto de vista maniqueísta cristão apresenta as conseqüências dessas ações em nós de uma maneira tal que nos faz crer que ansiamos todos por ir a Disney, por estarmos incluídos na cultura de mercado.
Nosso autor esquece de criticar o próprio ponto de vista quando constrói seu discurso num tempo conceitual moral, onde atrasado e avançado atendem as mesmas expectativas da mentalidade que representa e que tenta condenar, mais um acometido, a meu ver, do mal de Nabuco.
O atraso no processo de dominação só pode ser benéfico!
Se existe alguma possibilidade de mudança na mentalidade aqui instituída está exatamente entre os excluídos, os deseducados, desde que para isso tenham autonomia diante da mentalidade que buscamos transcender, padronizada pela Academia desse mesmo autor...!!!
Não faz sentido algum um discurso que anseia por uma mudança de mentalidade querer universidade para todos e todos na universidade, ou fim do trabalho informal... isso não é coerente!
O fato é que até aqui, o que ouvimos foi a voz de escravagistas, contra e a favor a escravidão que desfrutam e que aceitam conviver, uns mais conscientes que outros.
Mas e a voz do escravo? Cadê a história do escravo? Cadê a sabedoria de nossos ancestrais escravizados? Qual dimensão de nossa liberdade é desfrutada por nossa ancestralidade nativa?
Nossa elite continua embevecida com a propaganda sistemática do aumento continuado da produção e do consumo. O avanço tecnológico impõe cultura, comportamento.
A lógica de nossa imprensa anuncia como desenvolvimento o aumento do ganho produtivo na balança comercial, entre outros índices reguladores do sistema de mercado. Acontece que o que verificamos na prática, no mundo real, é que tais índices de crescimento só podem ser alcançados em qualquer lugar do mundo, as custas do consumo inconsequente da natureza global. Possível graças ao dinheiro investido sistematicamente não apenas em pesquisa tecnológica, propaganda ideológica e infra-estrutura, entre outros subsídios, mas também na garantia da estabilidade política desses investimentos, bem como sua continuidade, onde quer que ele esteja. O desenvolvimento precisa acontecer custe o que custar, contra tudo e contra todos. Em outras palavras, só mantendo os acordos feitos como vem sendo feitos desde a revolução industrial e é aí que a manipulação da opinião pública e o uso das armas (legítimo ou não) se fazem indispensáveis na civilização moderna tal qual verificamos . Para impor a continuidade de incoerências estruturais fundantes.
Uma nova mentalidade não pode associar o enriquecimento possível com a exploração anunciada do pré-sal a realização de um sonho brasileiro, desprezando não só o impacto ambiental que essa exploração representa ao planeta, mas também o fato de que o enriquecimento virá se mantivermos os padrões de produção e de consumo em ritmo crescente como tem acontecido nos últimos tempos da era cristã. Não posso entender esse discurso.
A meu ver, mais do que a exploração ambiental, o enriquecimento é a causa de mazelas históricas. É possível explorar a natureza de forma sustentável, desde que repensemos esse ideal de riqueza, que traz intrínseco a ele a idéia de pobreza. Riqueza prá nós e pobreza para todos os outros... Qual a dificuldade, com toda a informação que dispomos hoje em dia, em associar o altíssimo padrão de vida alcançado em alguns países europeus nos últimos 100 anos, a miséria a que o continente africano se encontra, por exemplo? Alguém ainda tem dúvidas sobre essa história?
O mundo todo sabe como foram conquistadas as Américas. Que a direção ideal dada a nossos esforços produtivos nos foram impostos. E se ainda não mudamos essa direção, se nenhuma revolução aconteceu ainda, é porque essa direção que nos avilta está pactuada entre as elites internacionais dominadoras, hoje representadas na ONU (que trabalha por sua estabilidade) e ainda serve a seus interesses egóicos (que não se envergonham da história que impõem a humanidade), como ficou claro tanto com a última quebra da bolsa de Nova Iorque, como no fracasso da conferência ecológica, agora, em 2009.
Enquanto atribui todos os fracassos de nosso desempenho político-social a eternos e insolúveis esquemas de corrupção oficial, nossa imprensa esconde da opinião pública o fato de ser exatamente a corrupção oficial do sistema político o que permite o desenvolvimento econômico mundial nos moldes que herdamos: com seu desmatamento intenso insustentável (legalizado ou não), a escravidão agrária e urbana (ou algo muito análogo a ela), manipulação do sistema eleitoral impondo a estabilidade política, o terrorismo (oficial ou não), tráfico de armas e lavagem de dinheiro.
Tudo isso garante a alienação de um indivíduo em relação ao outro, a desunião do povo, seu enfraquecimento estratégico. Ilegalidades indispensáveis para que 10% de seres humanos imponham aos 90% restantes as inconseqüências do vexame da crise de alimentos que vivenciamos agora no mundo globalizado, por exemplo.
Sem violência urbana o povo voltaria a colocar a cadeira na calçada, a TV perderia audiência. Voltaríamos a nos ver e a nos perceber iguais, padecendo das mesmas mazelas. Nossa aproximação nos fortalece. Compartilharíamos conhecimento tradicional, experiencial, voltando a ter autonomia mínima diante do estado instituído.
Submetidos e alienados de nós mesmos, nos habituamos a vibrar quando os jornais anunciam o aumento das vendas no comércio e da produtividade nas indústrias, mas... por que tanto contentamento? Por causa do aumento na oferta de empregos? Mais dinheiro circulando na praça? Mas, o que verificamos de fato com esse crescimento é o aumento da concentração econômica e da desigualdade social, a intensa divisão entre os que servem e os que são servidos.
Hoje sabemos que a aceleração da economia é o reflexo do consumo massivo de nossa natureza, não apenas em seus substratos, mas principalmente, às custas da nossa natureza humana, que vem se desgastando ao limite da extinção.
A intensa degradação da natureza e das relações humanas deixam como conseqüência violência, medo, insegurança, mais alienação, mais clima de guerra e de abandono que presenciamos diariamente nas ruas (e nos olhares) das melhores cidades do mundo globalizado, desde os tempos de Roma!
Entendo com muita clareza a preocupação que o mestre acadêmico demonstra diante de tão boas perspectivas materiais e tão péssimas perspectivas humanas.
É ótimo o avanço tecnológico, mas, precisamos seguir com essa lógica que vem transformando vida em lixo e que de tão acumulado já não tem onde esconder, hoje transborda pelas ruas de Nápoles? Esse é o mundo civilizado para o qual caminhamos?
Já não é possível encontrar na violência e no extermínio humano o caminho para impor projetos de desenvolvimento unilaterais. Podemos crescer de forma menos civilizada e mais sustentável!
Trocar o desenvolvimento cultural pela elevação humana!
8.1. Universidade da floresta.
O encontro de diferentes que se deu aqui ainda não está completado, nossas duas outras matrizes culturais continuam ainda ocultadas de nosso senso comum.
Se os europeus já haviam desenvolvido tremendamente suas possibilidades tecnológicas quando nos encontraram, e continuam nessa mesma direção, com maior intensidade ainda, nosso povo nativo já havia encontrado uma maneira de viver contemplando exatamente essa outra dimensão da vida da qual parecemos carecer e perecer: autonomia humana diante de seu habitat e de sua comunidade de forma compartilhada e auto-sustentável.
Não podemos abrir mão de nos relacionarmos diretamente com a vida, com nós mesmos, nas ruas e nas praças, sem intermediários institucionais.
Compartilhar mais e acumular menos!
Progredir sim, mas em direção ao nosso umbigo, onde podemos encontrar nossas referências, aprender com nossa tradição nativa a crescer junto com a natureza viva e no seu ritmo, intocada, sem pressa. Viver em harmonia com nossa diversidade, fauna e flora, solo e subsolo. Entendendo que todos nós constituímos o mesmo habitat, fazemos parte dele, incondicionalmente.
Uma nova mentalidade surge e se impõe.
Estava eu nos escritos finais da monografia quando outra Flor de Lotus surge em meu caminho. Na matéria que li publicada na revista de domingo, 21/6/09, do Jornal O Globo, eu soube que a mudança de mentalidade já está acontecendo.
A matéria anuncia uma iniciativa que acontece na floresta amazônica. Partindo da inclusão digital do povo da floresta, criou-se um território virtual neutro onde o saber nativo está sendo compartilhado livremente numa UNIVERSIDADE DA FLORESTA. Unindo e fortalecendo esforços e saberes nativos ao da cultura dominante, num movimento mútuo de preservação e valorização da vida.
Em ações como essa nossa diversidade original ganha vida, nossa consciência se expande e nosso coração se aquece, fortalecendo nossa natureza.
Está a cada dia mais difícil pensar no Brasil fora do contexto mundial, globalizado. A idéia mesma de estado nação se modifica, os grupos sociais constroem identificações culturais e laços sociais sem fronteiras. O acesso a informação ilimitada oferecida pela internet permite uma diversidade de construções ideais, conceituais e filosóficas compartilhadas e ofertadas livremente, abrindo possibilidades múltiplas de associações e construções sociais independentes. As comunidades virtuais se multiplicam e já saem das telas para as ruas, sugerindo inclusive mudanças legais, como é o caso dos direitos autorais.
Outra experiência que cresce sem alarido entre nós é o das eco-vilas. Grupos humanos que se reúnem em comunidade de forma ecologicamente sustentável, procurando usar de forma conseqüente e compartilhada os conhecimentos acumulados pela sabedoria mundial. Adeptos da reciclagem, da energia limpa e do modo de vida orgânico.
Submetidos ao estilo de vida e a mentalidade cultural ocidentalizada esse movimento parece intermediário entre a cultura da floresta, nativa, e a cultura industrial, ocidental. Mais que contra cultura, uma nova cultura, pacífica e consciente.
Trazido para a cidade, o saber nativo poderá fazer nascer uma nova nação brasileira, mais pessoal e menos institucional, mais amadora e menos profissional. Mais aprendedora e menos ensinadora. Cuidadora e não exploradora da natureza: da terra, das águas e do animal que somos todos nós!
Que esse texto possa contribuir para a transcendência da mentalidade histórica institucionalizada entre nós!
Procuro, nesse texto, analisar clássicas interpretações do Brasil (de Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado e Gilberto Freyre) buscando revelar a mentalidade cultural que nos fala.
Partindo dessa base conceitual, proponho reflexões sobre a história que temos vivido desde a Carta de Caminha até os dias atuais.
Sigo com a pesquisa no www.nadaedenada.com
Muito interessante o texto !
Somos o país dos bundas-moles ! sério, incluindo eu ! durante muito tempo tivemos Picagrossas como: Jânio Quadros, Juscelino Kubitschek, Flávio Cavalcanti, Carlos Imperial, Leila Diniz, Bolinha, Chacrinha, Raul Seixas, Castro Alves, Monteiro Lobato, Joaquim Nabuco, Plínio Marcos, Taiguara,
Contracultura era isso aí ! Tínhamos a Tupi, uma Globo onde Sílvio Santos era o Fudido lá dentro, uma Record poderosíssima , bancando a Jovem Guarda, depois o Sílvio deixou a Globo, apresentava um programa dominical idêntico ao de hoje, sem o porra do Gugu, é claro, ‘em rede’ com a Record, daí a Record caiu nas mãos de uma Igreja Evangélica, chutaram uma santa e se foderam, enfrentaram a ira insana da nação Católica Apostólica Romana de plantão !
Hoje temos de assistir coisas como A Fazenda e Big Brother, terrível, é o cúmulo seres humanos votando pra essas excrescências !
Tivemos os caras pintadas que depuseram o Collor do Poder, seu irmão morreu de desgosto depois que o seu irmão cheirador de cocaína comeu a mulher dele, coisas nojentas da Política !
Elis Regina morreu de tosse, ET de Varginha, o Governo deita e rola em nós, porque somos todos bundas-moles, inclusive eu !
Aceitamos assistir novelas cujo final muda de acordo com a opinião ( ? ) pública !
Os jornais só dão notícias filtradas e pasteurizadas !
Quaisquer notícias de Óvnis são suprimidas escandalosamente, o Governo tem um puta medo da concorrência !
Crimes ocorrem em abundÃNCIA, o que num faltam aqui são cornos e sindicalistas !
Abundam coronéis e os militares dominaram por muito tempo aqui nos anos sessenta e setenta.
Fomos muito bundas-moles, deixamos se instalar por aqui o medo e o cagaço... nem terrorismo permitimos que surgisse, pra não dizer da cagada do Rio Centro !
Somos fujões, cagaram e andaram nas nossas cabeças, nos fizeram de otários, com o Ensino sendo dizimado pelo salário de fome dos professores...
Como dá pra reagir agora, depois de tanto tempo sem termos sangue correndo nas veias, somos praticamente embotados politica e culturalmente !
Um expoente ou outro destacou-se na Literatura, Ciência, Artes, Música, mas a maioria é de Limitados Mentais o que ocasionou um Governo mais filhodaputa do que o outro...
Eu odeio votar, só vou por ser obrigado, acho todo político safado até provar o contrário !
Esqueci da Censura que também fodeu com a nossa já fodida cultura !
Sinto se o que tenho a dizer não soa agradável !
Acho que a gente precisava reagir de algum modo, nem sei como, mas que precisava, precisava !
Um beijo !
Carla,
Além de interessante seu texto é muito reflexivo
Como pedagoga e adepta a Paulo Freire compreendo quando é importante as interações e o ensinar aprendendo para desenvolver o senso critico e consciente dos alunos de acordo com suas necessidades, seus direitos e deveres como cidadãos. No entanto não é isso que se vê em salas de aula. Desde pequenos as crianças seguem regras pré-estabelecidas e ai da professora que ousar fugir destas regras. Todavia, a maior parte das professoras
estão tão atrasadas que ( algumas) não sabem nem interpretar um texto quanto mais difundir idéias, ideais e pensamentos criticos na cabeça dos alunos. E sabemos que tudo pode ser mudado através da educação, no entanto é um quadro bem caótico. Recentemente, aqui em Manaus, um professor de direito ao discursar sobre os desmandos do governo em sala de aula( nada que o jornal já não tivesse noticiado) foi brutalmente espancados pelos asseclas de um deputado, cujo sobrinho estava em sala de aula, e bastou dar um simples telefonema....
E as pessoas que ousaram se revoltar contra os demando do ARRUDA foram brutalmente pisoteados pela cavalaria. Isso não é democracia, isso é COVARDIA
Nossa esse nosso Brasil não pode continuar dormindo em berço esplendido ele precisa urgente de REFORMAS ou de uma REVOLUÇÃO.
Ah... mas que saudades do tempo em que dormíamos com as janelas abertas e as portas ficavam abertas sem a necessidades de chaves e cadeados em portões.
Paro por aqui
Bjs
Alcanu e Doroni,
Tenho publicado esse e outros textos buscando compartilhar reflexões a cada dia mais urgentes em nossa verdade diária e a cada dia mais distantes dos debates públicos da opinião pública, sempre tão fúteis e superficiais.
Que bom que vocês gostaram.
Escrevo no www.nadaedenada.blogspot.com
Estou com um projeto de pesquisa política e sociológica no www.nadaedenada.com
Vai ser uma alegria encontrar vocês por lá também!
Um forte abraço,
Carla.
Grande contribuição!!! Incomoda mas é pura verdade. E no Pais do CarnaBol tudo termina em Festa. Nossas lideranças e todos nós, continuam servido aos Dois Senhores. Como sempre é mais cômodo...
ayruman · Cuiabá, MT 15/2/2010 11:54Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
Está no ar o blog de pesquisas do Instituto Overmundo. Você já pode encontrar lá os primeiros dados da pesquisa “Análise de modelos de negócios... +leia
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