Um amor de primavera

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?????? · Cascavel, PR
20/4/2015 · 1 · 1
 

A mais ou menos uns 12 anos atras em um hospital local na cidade que eu morava conheci uma linda garota, ela tinha lindos cabelos ruivos, me lembravam as folhas da primavera, olhos castanhos, sardas levemente perceptíveis, sua boca era fina e macia, ecoava uma linda e relaxante voz de dentro, conheci ela quando me envolvi em uma briga no bairro em que morava, levei uma pancada que me deixou desacordado com uma cicatriz na cabeça.
Apos aquela briga fui levado ao hospital mais próximo, ao acordar o medico havia me dito que não havia sido nada de grave e que eu receberia alta no mesmo dia, quando me levantei para ir em bora passei por um quarto silencioso, calmo, e bem claro, naquele momento vi a pessoa que viria a se tornar a coisa mais importante de minha vida, ela era linda, ficava sentada na cama olhando através da janela fazendo desenhos.
Ao chegar em casa não conseguia apagar o rosto daquela garota, levemente encorajado na manha seguinte peguei minha bicicleta e corri para o hospital, comecei a andar pelos corredores buscando o quarto daquela linda moça, e finalmente la estava ela novamente olhando através da janela fazendo desenhos em seu pequeno caderno, a maneira como manuseava o lápis, ajeitava o cabelo, tudo era encantador, fiquei observando ela por alguns minutos no vidro que se encontrava na porta.
Por mais que olhasse e eu deseja-se não me vinha a coragem necessária para entrar em seu silencioso e confortante quarto,me senti uma criança desejando o mais lindo dos brinquedos através da vidraçaria, um brinquedo que jamais teria dinheiro para comprar, num descuido acabo me batendo na porta desviando sua atenção para mim.
Ela me olhava com um olhar inocente e curioso, rapidamente sai da porta com vergonha por ter sido notado, na semana seguinte resolvi novamente voltar para visita-la, as enfermeiras haviam me dito que ela perguntou sobre mim naquele dia, empolgado com um leve frio na barriga novamente voltei para o quarto dela.
Dessa vez me veio a coragem de girar aquela pesada e misteriosa maçaneta, quando entrei no quarto ela estava olhando para mim com um sorriso inocente e bobo, um olhar entusiasmado, suas mãos seguravam firmemente o lápis e o caderno, após me apresentar ela havia dito que seu nome era Lucy, conversamos durante toda a tarde, ela tinha me mostrado alguns de seus lindos desenhos naquele caderno, eles se tratavam de lugares que ela sonhava visitar quando saísse do hospital.
Um dos lugares era um jardim que ficava perto do hospital, ele era um lugar coberto por flores e arvores, quando comecei a descrever aquele jardim os olhos dela brilhavam, quase pude sentir seus desejos para ir até la, quando perguntei o porque dela estar sempre deitada ela havia me explicado que nasceu com uma situação de saude muito delicada.
Pedi se demoraria para ela levar alta do hospital, ela apertou suas mãos e sem conseguir se segurar lagrimas escorriam de seus olhos, ao cobrir seu rosto para eu não vê-lo me senti a pior pessoa do mundo naquele instante , o desconforto tomava conta de mim, abracei ela com todas as minhas forças, e prometi que levaria ela para conhecer aquele jardim junto comigo.
Ela me abraçou e sussurrou em meu ouvido gentis palavras de agradecimento, aquilo me confortava da mesma maneira que minha mãe me confortava quando era pequeno, ela me abraçava acariciava meu cabelo, e dizia “tudo vai ficar bem” aquelas palavras por mais falsas que parecessem me faziam acreditar que tudo realmente ia ficar bem.
Passei a visitar Lucy três vezes por semana, sempre conversávamos muito e contávamos historias um pro outro, descobri que Lucy adorava ler então faltei um dia de nosso encontro para comprar um livro sobre flores pra ela, no dia seguinte cheguei ao hospital e os médicos e enfermeiras começaram a me olhar com um olhar de sofrimento, com um olhar de pena.
Comecei a ficar preocupado e na medida que os batimentos de meu coração aceleravam, eu corria em direção ao quarto quando me aproximei da porta dela um medico me explicou que sua saúde estava a se deteriorar, entrei rapidamente em seu quarto segurando o livro em mãos, ela estava sorrindo aliviada em quanto lagrimas escorriam em seu rosto.
Nunca soube se aquelas lagrimas eram de tristeza ou de alegria, abracei ela fortemente e disse que tudo ia ficar bem,entreguei o livro que havia comprado pra ela, seu sorriso me fez quase esquecer dos problemas que ela passava, a partir daquele dia começamos a contar historias um para o outro sobre oque faríamos juntos quando ela saísse do hospital.
A saúde dela parece que havia retornado normalmente, comecei a me animar achando que poderíamos em breve visitar o “nosso” jardim, a cada dia ela aparentava estar melhor de sua saúde e assim os planos foram aumentando, logo me dei conta que aqueles sentimentos de alegria, calma, e felicidade que apareciam ao estar perto dela eram de talvez um amor que fui desenvolvendo por ela.
Me organizei pra semana seguinte me declarar para ela e tentar conseguir a alta de um dia para que possamos visitar o jardim, mas antes eu precisava pedir se não correríamos o risco de um familiar dela ir visita-la em quanto estávamos fora, ela com um sorriso melancólico me explicou que sua família já havia morrido faz 3 anos.
Logo mudei de assunto para não abala-la, os dias foram passando e mais perto chegava da data que eu havia planejando, faltando 4 dias para o nosso grande dia eu acabei me atrasando um pouco e cheguei no hospital ao anoitecer, novamente as enfermeiras e médicos me olhavam com aquele olhar triste, e melancólico, pensei que novamente seria apenas o seu estado de saúde recaindo novamente.
Fui falar com o medico responsável pelo estado de Lucy e ele havia me informado que o problema dela começou a se agravar muito desde sua primeira recaída, perguntei porque ela parecia tão bem então, o medico havia me dito que ela provavelmente estava fingindo para não me afetar.
O medico não sabia me dizer quanto tempo ela tinha de vida, mas no estado que seu corpo havia chegado ele não arriscaria mais que dois dias, com lagrimas molhando a pele de meu rosto corri para seu quarto, parei atras daquele vidro na porta e vi ela dormindo tranquilamente, entrei sorrateiramente no quarto para le fazer companhia, puxei uma cadeira ao lado da cama e dormi junto a ela.
No meio da noite acordei com um barulho de soluços, Lucy estava chorando enquanto olhava para mim, ela começou a me pedir desculpas por ter escondido seu problema de mim,desesperada seus movimentos aos poucos foram ficando mais lentos, pedi a ela que ficasse comigo por mais tempo, haviam lugares que deveríamos visitar, coisas que deveríamos fazer.
Sentei ao lado dela e comecei a acariciar sua cabeça enquanto nós dois lamentávamos o triste acontecimento, ela começou a se despedir de mim enquanto chorava e sorria, assustado peguei ela em meu colo e disse “temos uma promessa que ainda deve ser cumprida” carreguei Lucy por todo o hospital no colo, me escondendo de médicos e enfermeiras.
Corri com ela até minha bicicleta, coloquei seu corpo debruçado no meu, e lentamente comecei a pedalar até nossas promessas, a cada pedalada lembrava de nossos primeiros encontros, em que eu admirava sua beleza olhando para o mundo afora através de uma simples janela, algo me dizia que aquele momento estava chegando perto do fim.
Tentava conversar com ela no caminho desesperadamente, mas uma vez mais sua voz ia desaparecendo, quando chegamos ao jardim peguei ela em meus braços e me dirigi para o banco central da praça, naquele banco pudia se observar o nascer do sol na cidade, e as flores lentamente sendo iluminadas.
Eu segurava firme sua mão,com medo de que aquilo fosse o fim, a unica coisa que conseguia pensar era em esperar o por do sol, não faltava muito tempo, de repente sua cabeça repousa em meu ombro, seus olhos lentamente vão se fechando enquanto sua mão perde as forças , comecei a implorar para ela ficar comigo pelo menos mais alguns minutos, e sua unica resposta foi “obrigado,por me dar um motivo para lutar pela vida”
E foi ali mesmo que ela caiu em sono profundo, meu coração estava tão contraído que não podia nem mesmo bombear o sangue, me senti afundado em tristes sentimentos, comecei a gritar seu nome, “Lucy, Lucy, eu só queria dizer que te amo” nesse momento surge o primeiro raio de sol,iluminando seus lindos cabelos ruivos e sua pele branca e macia me despedi para sempre da mulher que me fez ver o mundo de outra forma.

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Autoria
Alexandre Rejes Coelho
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Rotaleatoria
 

Muito bom seu texto!
Sugiro revisá-lo, antes de divulgar.
Abraços!

Rotaleatoria · Cascavel, PR 22/4/2015 11:18
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