UM BURACO NO ESPELHO

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raphaelreys · Montes Claros, MG
5/10/2015 · 0 · 1
 

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UM BURACO NO ESPELHO

Raphael Reys

Nas metrópoles tudo o que é positivo ou negativo acaba vindo à tona, aflorando ou sendo dito pelas pessoas; a vida está em movimento ou em extinção - F.Scott Fitzgerald

Nesse mundo de corações partidos, sopram os ventos da noite para aliviar as nossas angústias. Pela via de rolamento passam veículos destrambelhados inundando a noite com fachos de luz súbita.
Um raio de luar atinge a minha face desnuda e o prisma o decodifica em fractais. No absoluto da amplidão que a bem pouco se banhava no lusco fusco da tarde, tudo mergulha na quietude do mundo manifesto.
Sou um ator veneziano a balançar em ritmo de blues, sentindo o ânimo do amor. Latitudes e longitudes que se fundem um misto de pensamentos, sensações, emoções e estímulos e divagações.
Acometido de um tremor e por instantes me vejo sentado na mureta de concreto armado que envolve esse anteparo, em uma divagação do abstrato.
Os arcanjos, ao contrário dos anjos, que já viveram nesse mundo e sabem o que é uma saudade. Um arcanjo decaído planeja tomar de assalto o nosso planeta. Povoado de entes asilados e da cabeça oca.
Trilhamos os trinta e dois caminhos de aprendizado da alma. Usando o que foi criado à imagem e semelhança de Deus. Desconhecendo a centelha divina que anima o Espírito.
Os filhos da noite debruçam em ombros de anjos do Senhor, que vindo aqui; nesse mundo grande e tolo em missão de renúncia, amparam a cabeça dos que sofrem dos males do amor.
Os que utópicos, padecem de incertezas. Os que foram traídos trairão a si mesmos. Alguns até a contemplação quando se olham refletidos no espelho vazado.
Um poeta na quietude do seu quarto, beiça uma dose de cana corada, arrolhada no sabugo. Mordisca um torresmo de papada de porca e compõe, mais um poema de pura ternura ou de ferocidade urbana.
Formando assim a manifestação com seus pequenos nada na expressão de todos os matizes. A vida serve para preencher os desvãos dos andares da alma plástica em sua rota instrumental.
É um constante querer saber, tocar, apetecer, entender. Procurar no insólito uma inusitada forma. Um momento, faceta de uma expressão multicolorida...
O pêndulo de Foucault oscila, comprometendo o equilíbrio e desgastando a argola que o mantém suspenso entre as colunas de Hércules. O planeta Capela cintila o seu brilho na Constelação do Cocheiro.
O Planeta Terra, também chamado de Ebanon 606, perigosamente inclinado, bagunçando o natural ciclo da natureza ferida. Ameaça derramar o líquido dos mares sobre nossas cabeças.
Enchendo o foço dos nossos elevadores de tubarões martelo.
As geleiras do Polo Sul se desfragmentam em grandes icebergs que flutuam insólitos na esteira de óleos derramados e na contramão dos navegantes do Atlântico. Os raios do sol azucrinam a moleira das nossas cabeças e o frio intenso empedra os vãos de circulação de algumas grandes metrópoles.
O homem formatado por mecanismos de guerra psicológica tropica no tabuleiro da vida. Somos feitos e mantidos pelo que não vemos. Daí a necessidade de buscar entender o nosso lado espiritual.
A nossa consciência de vigília, fica atrelada ao lixo depositado no nosso inconsciente quixotesco. O ser, em desamor, busca um alento quanto aos infortúnios que padece.
Alguém chegou a afirmar que o mundo usual é virado de cabeça para baixo e de trás para frente; torna-se um mundo em que as coisas tomam todos os rumos, menos os esperados.
No astral, as hostes da Abnegada Legião de Maria passaram a noite em missão socorrista. Amparavam os oprimidos, deprimidos, carentes de amor e demais infelizes desse mundo globalizado.
O forno do meu coração carece da alquimia de uma ternura...

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Uma saudade.

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raphaelreys
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raphaelreys
 

Caríssimos!
Caminho pela noite buscando encontrar o poder dissolvente do tempo e a solidão oculta na extensão do ocaso. Faz-me recordar que há razões que retornam.

Uma trama humana é tecida nas minhas idas e vindas nesse palco urbano de manifestações.

Acompanho o fluxo da minha consciência que se vê refletida no infinito da sua ternura. Ando devagar e a primavera parece esconder as lembranças tortuosas do cotidiano que bem a pouco se pôs, sob a tenda da amplidão.

A natureza em um gesto próprio de encantamento e magia faz bailar à minha frente à sua imagem e uma alegre brisa trás uma errante borboleta.

A luz da lua entra de mansinho através da janela do seu quarto de dormir e reflete o yang da sua aura na lâmina fria do espelho que insiste em mostrar os traços do seu rosto angelical.

À noite, assim como os bosques e campinas guardam na suas sombras peculiares mistérios e fantasias. Dobras enviesadas das esquinas errantes!

Eis que se abre um portal na dobra do tempo. É quando a lembrança forma corpo e trafega na divagação poética e me surpreendo contemplando a sua imagem e criando a sustentabilidade do momento...

raphaelreys · Montes Claros, MG 5/10/2015 08:17
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