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Um Cadáver na Ante Sala

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Mariana Reade · Rio de Janeiro, RJ
14/1/2007 · 168 · 6
 

Sobre a obra

Roteiro do Documentário UM CADÁVER NA ANTE SALA

SINOPSE:

O documentário “Um Cadáver na Ante Sala” trata da existência da tortura em penitenciárias brasileiras, através da morte do chinês naturalizado brasileiro Chan Kin Chang, preso em agosto de 2003 pela polícia carioca. O objetivo é discutir a ocorrência da tortura e da impunidade, mesclando depoimentos, cenas documentais e ficção, e assim, conferindo visibilidade a uma das mais repugnantes violações aos direitos humanos a atentar contra a ética contemporânea.
Há um grande abismo entre a importância que formadores de opinião e autoridades no país conferem ao tratamento do presidiário. O Brasil ratificou a convenção da ONU contra a Tortura de 1984, comprometendo-se a prevenir, punir e erradicar o crime de tortura. Infelizmente não é essa a realidade na qual vive o país. A tortura é um crime de “oportunidade” e "conveniência", manifestando-se no abuso de poder que se passa dentro de portas trancadas e na falta de transparência de espaços públicos, o que pressupõe e garante a certeza da impunidade.
A tortura lança o Estado à delinqüência, subvertendo a lógica do aparato estatal, que, de assegurador de direitos, transforma-se em agente violador da lei e aniquilador de direitos. Por isso, “Entre grades infinitas” pretende discutir a perversa cultura da tortura.
A estrutura do documentário é composta por cenas documentais mescladas por cenas fictícias.
Traçando um paralelo com a história de Chan Kin Chang, acompanhamos a vida de João Pereira, pedreiro carioca que reside na favela da Maré, revelando as torturas que passou enquanto esteve preso.
Os depoimentos envolvem pessoas atuantes na área dos direitos humanos no Brasil como o ex secretário de direitos humanos do Rio de Janeiro, João Luiz Duboc Pinaud; o recém eleito deputado Marcelo Freixo, o diretor da ONG Justiça Global, James Cavallaro; o secretário de direitos humanos Nilmário Miranda. Além disso, temos depoimentos de familiares de Chang e da testemunha Fábio Oliveira, o presidiário vizinho à cela de Chang, que denunciou o ocorrido.
As cenas de ficção que permeiam o documentário mostram a narrativa de Chang, que vende sua pastelaria e resolve realizar seu sonho de se mudar para os EUA. Ao passar pela polícia federal, é apreendido por estar levando $30.000 para fora do país sem declarar, sendo assim sido preso em flagrante. Passa dois dias na prisão e é encontrado desacordado em sua cela pelo seu advogado, com marcas que evidenciam que foi torturado. Chang é então levado ao hospital, onde morre oito dias depois devido a um traumatismo craniano.
Até agora, o processo não foi esclarecido e o secretário de direitos humanos do Rio de Janeiro, Pinaud, foi, na época, afastado do cargo. Pinaud denunciou que o chinês naturalizado brasileiro, Chan Kim Chang, tenha sido torturado por agentes penitenciários.
O enfoque do documentário não é especular sobre o caso, criando teorias para o acontecimento. A questão é tratar de como casos de tortura são recorrentes nos presídios brasileiros, discutindo essa terrível violência que acontece em um país livre, democrático e que vive, supostamente, em estado de direito.


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Mariana Reade
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Saulo Frauches
 

A história é chocante e a idéia de filmá-la é bem interessante. Muito bom, Nana!

Saulo Frauches · Rio de Janeiro, RJ 11/1/2007 17:31
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Ilhandarilha
 

Acho legal a idéia do paralelo entre o caso do chinês e do cara da favela da Maré. Vai enriquecer o seu documentário. Mas já que você disse que pretende discutir a "cultura da tortura" que tal incluir ai também a voz dos torturadores?

Ilhandarilha · Vitória, ES 13/1/2007 17:26
3 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
Mariana Reade
 

Oi Lhandarilha, muito obrigada pela idéia.
O que você quer dizer sobre incluir a voz dos torturadores?

Mariana Reade · Rio de Janeiro, RJ 16/1/2007 12:43
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Ilhandarilha
 

Entrevista-los. Saber de suas justificativas para esse tipo de ação. Não deve ser fácil isso, mas seu documentário não vai ser nada fácil de fazer, mesmo. O tema é espinhoso e dificilmente as pessoas que sofrem ou cometem violência falam sobre isso. Uma sugestão é o coronel que fopi recentemente julgado e reconhecido como torturador. Por conta da lei de anistia e pela tempo do crime, ele não foi condenado por toruras, mas "reconhecido" como torturador. Não lembro o nome dele, mas foi em novembro, acho.

Ilhandarilha · Vitória, ES 16/1/2007 12:51
2 pessoas acharam útil · sua opinião: subir
camuccelli
 

O meu poema GENTE DE CLASSE,fala exatamente disto.

camuccelli · Rio de Janeiro, RJ 29/1/2008 14:02
1 pessoa achou útil · sua opinião: subir
Elliana Alves
 

Muito bom teu texto literario,
mil bjsss eu votei...

Elliana Alves · Petrolina, PE 24/6/2008 01:28
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