Um cão uivando para a lua
Abro a janela para o terreno baldio
cheio de mato, lixo e algumas cabras
(eu joguei fora todas as palavras)
– e vejo um cão uivando para a lua.
O cientista e o filósofo discutem
a origem do universo, o ser e o nada
e não sobram ideias nem palavras
– além de um cão uivando para a lua.
Latem os cães e a caravana passa,
passaram as carroças da desgraça
com as palavras da ambição dos homens
– só resta um cão uivando para a lua.
De tanto misturar o joio e o trigo,
de tirar da ostra a pérola da dor
e queimar as palavras no poema
– só resta um cão uivando para a lua.
Zé, o Ibama sabe desses animais que cê anda catando?
bode Orelana, Cão Danado, olha lá, hein, hómi, isso dá cadeia...
Um beijo !
MTO BELO E REFLEXIVO O POEMO!
OS POETAS TEM MTO DESSE CÃO!!! ADOREI!
ahuuuuuuuuuu;
Brandão, meu caro
Belo poema natural. A caravana passa, a ambição humana bate à porta, mas nada disso importa, o cão uiva para a lua, em seu ancestral ritual...
Parabéns !
Abraço.
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