Chocolate é um presente singelo, carinhoso, costumeiramente ofertado em datas festivas, como Dia das Mães, Dia dos Namorados, aniversário de casamento, Natal, Páscoa, etc. Oferecer chocolates tem um significado social de estreitamento das relações, afirmação dos laços de amizade.
Conquanto muitos homens o consumam, é mesmo mais apreciado pelas mulheres, sobremodo nos estados ansiosos da fase da TPM, quando sua ingesta se traduz em verdadeira injeção de prazer,uma vez que estimula a produção de endorfina.
Imagine-se uma mulher, num esforço hercúleo de fazer dieta, ser premiada com finos e apetitosos bombons na Páscoa: uma caixa, pelo genro mais novo, outra, pelo mais velho e, mais outra, pela nora. Obviamente, seria de grande indelicadeza, dado ao seu forte apreço aos agregado(?) da família, cogitar repassá-los a outrem, como se fossem um ópio de que pretende se livrar. E, como não pretende saboreá-los sozinha, democratiza-o dispondo as delicadas embalagens, recheadas de “manjar dos deuses”, em cima da mesa da sala. Em todos os momentos do ir e vir é-lhe propiciado indesejado contato visual com essa insustentável tentação. O que fazer? Comer um a cada dia, conforme lhe sugerira o esposo? Para quem se conhece como chocólatra, isso seria o mesmo que dizer a um alcoolista para controlar-se na bebida tomando somente um “golinho”.
Considere-se que essa sogra, apreciadora de chocolates desde quando a memória lhe permite o resgate das lembranças, amargara um trauma jamais olvidado, em que pese o transcurso de mais de trinta e cinco anos. Em sua infância, embora tratada por recursos parcos, permitia-se sonhar em receber um ovo de Páscoa do maior tamanho; todavia, de tamanho nenhum ele lhe chegava, porque, na visão de seus pais, com o que se gastaria para comprar um ovo, chegaria chocolate para todos os filhos.
Pois bem, na Páscoa de 1976, quando passava a Semana Santa na casa dos avôs paternos, sua genitora a agraciara com um pacote contendo seis chocolates ouro branco, da Lacta, de que gostava sumamente. Entre a alegria e a decepção, esta, repise-se pelo sonho do ovo de chocolate, mais uma vez, postergado, dissera à mãe que os comeria aos poucos a fim de que não acabassem logo. Sem dar crédito às recomendações daquela que a pôs no mundo, na forma do adágio de que “quem guarda com fome o rato come”, guardara seu tesouro no fundo de uma gaveta com o disfarce de várias camadas de roupas.
Um mistério, contudo, se entranhou em sua vida. Os cinco chocolates – porque um havia sido comido imediatamente – desaparecera, sem qualquer pista, do canto em que estavam. Suas suspeitas se voltaram contra seu tio, com quem muito se digladiava devido à mínima diferença de idade. Este, por sua vez, por quem nutre grande amizade, desde os maduros tempos de ambos, passara a vida negando tal desvio de conduta.
Afinal, um caso que desafiaria Sherlock Holmes!
Ah... eu não deixaria o roubo nas mãos de Sherlok não, eu faria um rebu danado e resolveria o caso na hora. bjs
Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 21/4/2011 20:30Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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