Brasil.gov.br Petrobras Ministério da Cultura
 
 

UM DIA

1
Frederico Rego · Rio de Janeiro, RJ
17/8/2009 · 3 · 2
 

O movimento era intenso.
O sinal luminoso multicoloria-se
Sem contemplações com os retardatários.
Os grandes e pequenos magazines
Começavam a se oferecer.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!

A esmola era ora negada,
Ora não.
A galinha assada começava a girar
No espeto do restaurante.
O olhar faminto
Acompanhava as evoluções
Da galinha no espeto.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!

As buzinas zangavam,
Chiavam, chamavam...
Ganhava carona
A morena de quadril vistoso.
O mendigo pedia,
O homem fazia que não via.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!

O trocador trocava
A vida pelo troco.
Dera meio-dia,
Comia quem podia.
O barulho do trabalho parava,
A boca falava,
A comida
Se havia,
Sumia,
Na boca que falava.
Mas há um corpo estendido no asfalto!

O homem digere a comida,
A britadeira,
O desprezo...
O alto falante ensurdecia,
Mas, vendia.
O sol sumia,
Ninguém via.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!


O néon nascia.
O mercado do sexo se permitia.
O mendigo reclamou
Do homem que não viu e dormiu.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!

Gritos no escuro calmo
Da cidade engalanada.
Passos fazem compasso
Com muitos temores.
A mulher vendia só sexo
Para o homem só sexo.
Mas, há um corpo estendido no asfalto!

A lua e as estrelas,
Que as luzes escondiam,
Supunha-se,
Já há muito estavam ali.
As imagens em preto e branco
Trazem o sono do corpo cansado
Que sonha colorido.
Os garis passavam varrendo e cantando.
Havia um corpo estendido no asfalto.










compartilhe



informações

Downloads
34 downloads

comentários feed

+ comentar
Jairo de Salinas
 

O retrato do descaso proporcionado pelo desespero na busca pela sobrevivência.
"Há um corpo estendido no asfalto" - Morreu na contra mão e, sequer, atrapalhou o tráfego!
Parabéns, Frederico!

Jairo de Salinas · Salinas da Margarida, BA 18/8/2009 00:29
sua opinião: subir
Cláudia Campello
 

e no meio do asfalto havia um corpo......e nem era indigente!
era gente!!!! e ninguem ligava..........é a indiferença que nos mata, poeta.

gostei.

bjssssss;

Cláudia Campello · Várzea Grande, MT 18/8/2009 02:04
sua opinião: subir

Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.

baixar
pdf, 3 Kb

veja também

filtro por estado

busca por tag

observatório

feed
Revista Overmundo nº 6: esquentando as turbinas!

A Revista Overmundo está chegando ao fim de sua primeira temporada e você não pode perder a oportunidade de colaborar! A edição nº 6 da revista,... +leia

revista overmundo

Você conhece a Revista Overmundo? Baixe já no seu iPad ou em formato PDF -- é grátis!

+conheça agora

overmixter

feed

No Overmixter você encontra samples, vocais e remixes em licenças livres. Confira os mais votados, ou envie seu próprio remix!

+conheça o overmixter

 

Creative Commons

alguns direitos reservados