Dorme de dia que o povo olha,
não se comove muito, mas olha.
Se dormir à noite, dança, morre
uma'zeitona, uma branca afiada,
um fino estilete enferrujado,
mesmo uma meia-lua de pernada.
Até torção de estrangüela leva
Ele assim resiste, sobrevive, insiste,
parece não qué morrê sem estilo...
o povo olha, não se comove, mas até vê
e nem é na tevê é só no meio da rua,
sem algum glamur nem força na peruca.
Tá doido! Cuida o caveirão!
Inda é bicho homem,
Inda fora do rabecão.
Se ficá, os lobos comem!
Nem pintura de relevo é a baixeza,
Inda é vivo, desenhado na pedra nem.
Eita dor! Haja desamor.
Versos feitos a partir da leitura de Pinguilim, de Spirito Santo
Átila que nos acuda
açoite se necessário
se é filho da quenga
loló e coca no côco
toda rua é o calvário
Adro, quem dera eu conseguisse produzir algo a partir do Pinguilim, tão comovente que Spirito porduziu. Poema-dor-denúncia, ao mesmo tempo, poema-triteza. Diante dessa imagem fico, literalmente, sem palavras. Abençoados Spirito e vc que me ajudam a nomear o que não tem nome. Abraço
Compulsão Diária · São Paulo, SP 29/7/2008 22:46Seguindo a CD, Poema-dor-denúncia-realidade-nua-e-crua.... vida bandida... não li o livro, mas pelo seu poema já se tornou uma boa pedida. Parabéns pelo trabalho!
Eric Araújo · Belo Horizonte, MG 31/7/2008 02:53
Eric,
Pinguilim não é ainda um livro. É uma crônica em prosa poética, ou uma poesia em crônica prosa, ou impressões poéticas de um cotidiano crônico ou tudo isso, que nos foi aqui mesmo no Overmundo apresentado pelo overmano Spírito Santo, acessível no linque que está no destaque em azul, na apresentação da obra. Vá lá, é rápido, não que dizer que seja fácil de ler.
---
Cedê,
Grato por tuas palavras,
sensíveis estimulam a que o visto,
vivido e vívido
seja, por necessário, dito.
Adro
Li a cronica, comovente texto dessa adolescência abandonada e perdida que anseiam por um pouco te ternura e carinho.
Geralmente vemos só um lado da moeda e esquecemos que são seres humanos desprovidos de tudo. E como vc diz em seu poema:
Eita dor! Haja desamor.
bjsssssss
Prazer abrir a votação pra esse excelente texto
Beijos
Belissimo teu texto Poeta ! Adorei!
Apesar de que o assunto dele é muito triste, mas está perfeito!!!
Um trabalho magnifico!!!
Beijo no coração e na alma generosa de Poeta!
Amigo Adroaldo.
É um sábio mestre recriando, é um divino refazer. É como o encontro de uma boa semente com as terras aplainadas e férteis.
Abraços
Adro, vim trazer meu abraço terno pra vc . E (imaginariamente) pro Pinguilim(onde será que eke stá?)
beojo
Querido Adroaldo:
...
Ele nem finge mais que não vê
Olha ... Enxerga ... Vê (Não é letra ... É visão ... Sem TV)
"Ele assim resiste, sobrevive, insiste,
parece não qué morrê sem estilo...”
Beijos_Meus*
*
Opssssssssssssssssssss!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
"Um dia que não passa"
Passou para o Banco de Cultura.
um dedim de prosa sobre injustiças. Perfeito Adroaldo!
soninha porto · Porto Alegre, RS 2/8/2008 18:25Para comentar é preciso estar logado no site. Faça primeiro seu login ou registre-se no Overmundo, e adicione seus comentários em seguida.
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