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UM DRAMA NA MINHA RUA - Crônica

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jjLeandro · Araguaína, TO
21/10/2007 · 97 · 3
 


UM DRAMA NA MINHA RUA

Qualquer pessoa é capaz de originar afeto. E de fazer essa ação transformar-se em afeição, um sentimento duradouro, livre da dominação da paixão. Até aí nenhuma novidade. Fazemos isso cotidianamente de tal maneira que nem paramos para pensar.
O mais impressionante é que nem somente as boas ações das pessoas geram afeição. Estou louco? Acho que não. Espera um segundinho que eu já explico melhor.
Quem já ouviu falar em Síndrome de Estocolmo? Ela se manifesta em ocasiões aflitivas, em regra quando o seqüestrado pelo longo tempo de relacionamento começa a simpatizar com seu algoz. Pode? Pode sim, e acontece. A primeira vez foi durante um assalto a banco em Estocolmo, capital da Suécia, em 1973, quando após cinco dias de cativeiro os reféns temiam os que queriam libertá-los e se identificavam com os assaltantes.
Fiz esse preâmbulo para dizer que numa situação que deveria ser detestável pelas recorrentes dores de cabeça que me causara, ainda assim não consegui repudiá-la. Ao contrário, com o tempo, e foram dois anos, comecei a gostar, cuidar para que não se alterasse, vigiar para que não desaparecesse. Sabe como são as coisas: também sou humano, imperfeito como todos, portanto sem qualquer receio de agir assim e ser tachado de louco. É aquela velha história, que sei que cada um dos que lerem essa crônica me dará razão: acostumamos até com as coisas ruins.
Vou logo contar o desfecho dramático do episódio que me deixou grande pesar e acabar com o suspense.
Eu estava um belo dia no trabalho quando recebi um telefonema angustiado de meu filho. Passei apenas algumas instruções rápidas para a minha secretária, não havia tempo a perder conjeturei pelas suas palavras, peguei o carro e rumei veloz para casa.
Era lá à minha porta que estava a encrenca. Uma ameaça a minha afeição de dois anos. Veja bem que dois anos não é qualquer coisa. É um espaço de tempo considerável em que muitos casamentos acontecem e acabam. É tempo suficiente para durar uma guerra. É a metade de um mandato político, e você sabe muito bem o que são capazes de aprontar os políticos com tanto tempo disponível, né? Por que não acreditar que em tão dilatado prazo eu construí uma amizade sincera?
Após dobrar a esquina pude ver que a situação era realmente grave, meu filho não havia exagerado em uma única palavra. Estava toda minha família sobre o meio-fio da rua, num protesto ou numa barreira, não identifiquei imediato, e confabulava com vários homens da Prefeitura metidos em seus macacões amarelos.
‘É hoje”, pensei. “De hoje não passa”, lamentei. Então o sonho no qual perdia um amigo tinha significação. Por vários dias sonhei essa mesma história. Parecia algo sem nexo: o amigo morria e quem o transportava ao cemitério não eram os homens da funerária, eram os serventes da Prefeitura em escandalosos macacões amarelos. Contei o sonho a minha mulher, e também ela não entendeu bulhufas. Quase já o havia esquecido quando na madrugada de hoje ele voltou a me incomodar. E qual foi o resultado? Os homens da Prefeitura estavam à minha porta. E era tudo real. Eles e os seus equipamentos para a reparação tapa-buraco.
Desci do carro descoroçoado. Só Deus e eu sabemos quão foi difícil aquele momento. Dirigi-me ao chefe da equipe.

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jjLeandro
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Benny Franklin
 

Não lia algo tão gostoso havia meses...
Parabéns, Leandro!
Benny.

Benny Franklin · Belém, PA 18/10/2007 23:52
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victorvapf
 

Tambem! victorvapf

victorvapf · Belo Horizonte, MG 20/10/2007 17:08
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Marcos Paulo Carlito
 

Hilário JJ.

Quase acreditei na sua afeição. Preferi, no entanto, crer se tratar de rir pra não chorar...

Grande abraço Guaicuru!

Marcos Paulo Carlito · , PR 31/10/2007 20:44
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