Um feriado de minha infância
A tardinha de um feriado
é lúgubre.
O sol no poente desmaia,
as casas da vila
reclamam a noite
para o descanso.
A mesa da cozinha aos fundos
de minha casa
está liberta dos glutões
de todos os dias.
Sobre seu longo costado de madeira,
cuja magreza
expõe cicatrizes de martelos e enxós,
as moscas voejam em busca de alimento.
No quarto fechado,
fugindo da paralisia da brisa,
a velha empregada descansa e sonha
com sua juventude,
e isso lhe produz suores pelo corpo.
Longe, bem longe,
uma voz salmodiando
agoniza com a tarde.
Será choro ou canção?
A luz do sol adelgaça-se mais e mais
ao crepúsculo
até romper-se
pressionada pela escuridão.
A noite joga então silenciosamente
sobre a cidade morta
seu pesado manto,
como o coveiro cobre o caixão com a terra.
Versos e tanto... Mestre vc é.
Agradecido.
Abraço
Vindo de um poeta como você, fico lisonjeado.
Abcs
espetaculares versos!!!!
abraços,
Como sempre, versos simples e poderosos. Confesso que não sei o que significa "enxó"...
Abraço.
Filipe
enxó é uma ferramenta utilizada para desbastar madeira, parece uma enxadinha, mas é manual p trabalho com madeira.
abcs
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