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Um Grande Diretor, Mais Uma Faceta!

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taloverde · São Paulo, SP
27/11/2008 · 144 · 8
 

Entre os altos e baixos de uma década marcada pela transformação sofrida em seu estilo cinematográfico, a hibridez entre as artes plásticas, a fotografia e a disparidade cultural entre Europa e Estados Unidos é corpo para que Woody Allen nos apresente Vicky Cristina Barcelona, uma das expressões cinematográficas que, como as duas que a antecederam (Match Point e Scoop), suscita ainda mais perspicácia para este autor não atuar em seus filmes e, além disso, o ajudará a consumar sua nova linguagem.

A obra trata de temas em que o diretor já visitara em quase todas as suas concepções; a soberania de uma mulher sobre um homem, o que também poderemos, possivelmente, observar que se trata de um estigma pessoal em que este se encarregará de levar até o fim de seus dias. Sua premissa filosófica, neste filme, permeia também a inspiração artística que impele vivacidade, a sobreposição entre uma personalidade e outra, além do hedonismo sofisticado regido por bons vinhos e belos cenários, possíveis apenas nas férias de verão das extraordinárias cidades européias.

A interface das situações se dá também quando Allen exprime uma espécie de obsessão em abordar a oscilação temperamental e psicológica do Homem (sapien), rompendo, nesse caso em específico, com sua característica em superficializar o drama e a comédia – ação indiretamente corriqueira entre um filme e outro de sua autoria. No entanto, em Vicky Cristina Barcelona, que tem como protagonistas as duas amigas Vicky (Scarlett Johannson) e Cristina (Rebecca Hall), a narrativa nos envolve na dicotomia entre os ideais de duas jovens e belas personagens em despeito do amor, comportamento e valores.

Vicky é a menina rica e bem comportada, que pesquisa aprofundadamente a cultura catalã para seu mestrado e está noiva de um homem rico Doug (Chris Messina), membro da alta roda Novaiorquina. No entanto, é também refém de valores absolutistas que a faz desconhecer a verdadeira essência de seus sentimentos. Cristina, por sua vez, embora tenha viajado provida da frustração por seu fracasso em conceber um curta-metragem de caráter pífio e ironicamente consistido no amor que nos faz libertários, é mais aberta a novas experiências e se reinventa na viagem à bela cidade espanhola, imergindo em sua nova paixão; o experimento fotográfico.

Para temperar ainda mais tamanho antagonismo entre a filosofia de vida das duas belas e jovens americanas, numa certa noite, ambas conhecem, simultaneamente, em um vernissage, o pintor espanhol Juan Antonio (Javier Bardem), que é bom anfitrião, boêmio e um impetuoso galanteador, mesmo que ainda estivesse se recuperando da recente e desastrosa separação com sua esposa Maria Elena (Penélope Cruz), mulher estupendamente linda, talentosa e ainda mais sedutora que seu marido, a ponto de fincar violentamente uma faca em seu corpo e não suprimir a paixão que o mesmo desenvolvera por ela, o que despertou grande curiosidade em Cristina para conhecê-la em sua total intimidade.

Entre seduções, conquistas e decepções se desenrola uma trama inteligentemente hilária, provida de muito requinte e imagens grandiosas (sobretudo as fotografias produzidas no filme), performances envolventes e que evocam reflexões complexas ao sair do cinema. Com o exemplo: questionarmos-nos se os valores que estabelecemos como primordiais para um matrimonio são realmente relevantes para atingirmos a felicidade, ou se ficamos tão bitolados com as interferências externas, impostas em suma pelas “regras” da sociedade em que estamos inseridos, a ponto de não enxergarmos nossa previsibilidade.

Com mais uma grande escolha desse extraordinário diretor, feliz em suas provocações e na parceria com grande elenco, o que representa perfeitamente bem sua fantástica inquietude, atribuo a minha cinemateca mais uma obra de arte que perdurará por gerações posteriores e se constituirá como um grande clássico.


Tito Oliveira – artista plástico.

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Andre Pessego
 

Muito bom e para mim, vou voltar a reler
abraço
andre.

Andre Pessego · São Paulo, SP 26/11/2008 06:35
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Paulo Esdras
 

Woody Allen é genial! Ótimo texto! Abraços

Paulo Esdras · Brumado, BA 26/11/2008 17:22
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graça grauna
 

parabens

graça grauna · Recife, PE 26/11/2008 17:47
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maha
 

Uma bela crítica que cumpre muito bem o seu papel. A dose de informações e detalhes que a compõe descreve na medida certa a obra, convidando a apreciação...
Muito boa amor! Beijos

maha · São Paulo, SP 27/11/2008 02:41
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Paulo Esdras
 

Paulo Esdras · Brumado, BA 27/11/2008 09:53
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Ailuj
 

Complementando seus votos pra publicaçao
Beijos

Ailuj · Niterói, RJ 27/11/2008 11:57
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touché
 

uma crítica profunda do filme que mostra que Woody Allen está indo muito bem nesse novo projeto dele que mistura Ingmar Bergman(como sempre) a Almadovar..legal..

touché · Guarulhos, SP 28/11/2008 22:21
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Bruno Resende Ramos
 

Voatado, amigo! Parabéns!

Bruno Resende Ramos · Teixeiras, MG 1/12/2008 10:11
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