Gato de becos, transido,
Esconso no chavascal das
Minhas mondongas memórias:
Rasguei todos meus retratos.
Quebrei todos os espelhos, e atirei-os
Para não me ver em cacos.
Esparramo as cinzas dos meus textos,
Não como um parente em homenagem,
Decerto para se separarem em nadas nanorgãnicos.
Ponho-me ao longe das janelas.
O horizonte não me cabe à retina
Dada a limitação desses aros míopes...
] uma sombra só cobre parte de um todo.
Se eu fosse sombra, só?!
Se eu corresse em ziguezague
Como a gazela medrosa do puma...
Pra não me ver em cacos
Evito as janelas da memória,
Quieto, feito sombra!
Escondo todos os espelhos:
Gato de becos,
Analiso o mundo de soslaio.
]uma sombra só cobre parte de um todo.
Excelente! Uma sombra só cobre parte de um corpo. Muito bom isto. Abs.
Juscelino Mendes · Campinas, SP 10/2/2009 20:12
Amei ler:
"Pra não me ver em cacos
Evito as janelas da memória,
Quieto, feito sombra!"
bjsssssssss ;)
Carlos, querido
que poema pesado!!!
V c sabe que eu sou franca não é?
Não sei quanto há de vc nesse personagem mas...
Não concordo com o titulo,
um homem de óculos enxergaria o mundo de modo diferente.
Sempre há tempo de juntar os cacos, enfrentar o espelho e se recompor. Jamais se menosprezar
Lembre-se: Somos seres humanos e projetamos nossa sombra
então: " uma sombra só, só é uma sombra porque quer
ou quando quer" O poder esta em nós
Conhece este meu poemeto:
Fragmentos
Só depois
de tropeçar na vida
de cair em pedras
e sentir a dor...,
eu juntei meus cacos
e me fiz poeta.
Bjs de esperança
Uau, Carlos...forte, reflexivo e apaixonante.
Parabéns, parabéns mesmo!
Voto...Voto muito!
Sucesso pra ti!
Votado!
Gostei também da imagem do filme "Dr Caligari",do Expressionismo Alemão!
Até!
Li, refleti e votei, amigo. Parabéns! Um beijo!
Stella Tuttolomondo · Rio de Janeiro, RJ 12/2/2009 15:29
Bem escrito; forte, cru, denso e lírico.
Com neologismos bem apurados.
E uma metáfora subliminar no título.
No meu "míope" entender, há certa dose de razão contraposta à emoção. A visão do eu-lírico (supostamente negativa) só foi possível através dos óculos de um homem prudente e soslaiamente analítico; um gato, talvez não de botas (tampouco de becos, puramente); ms e s c a l d a d o.
E como!
Caro Mota,
É o tipo do poema que me faz dar graças à poesia.
Desesgarçadamente, voto!
uma sombra só cobre parte de um todo.
Fantástica essa imagem...uma idéia luminosa!Essa visão de soslaio...,pelas laterais dos óculos realmente capturam tds os segredos...
Muito bom!Adorei os neologismos!!
Parabéns,querido Carlos! Um poema
bluebeijinhos
Blue
Ás vezes o mundo é tão agitado e rápido que naturalmente não conseguimos perceber as coisas. Daí usar óculos, de duas formas:
literalmente (me incluo aqui) ou com as armas da modernidade (coração apertado e/ou duro, olhos automáticos).
Por vezes é melhor fazer que vê sem enxergar. Viver está cada difícil.
Belo trabalho.
As janelas das memórias as vezes assombram mesmo
Adorei
Beijogrande
Ponho-me ao longe das janelas.
O horizonte não me cabe à retina
Dada a limitação desses aros míopes...
Penso assim muitas vezes até pq uso óculos, rs.
O seu poema é denso e muito bem transado.
bju
Mas a janela da memória nunca poderá ser fechada meu querido.
Lindo e profundo seu poema.
carinhosamente publicado.
Oi Carlos. Sentimentos fortes né mano!
Mas o Sol sempre aparece depois das turbulências.
Saúde. jbconrado.
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