O que um dia cinza como o de hoje
Em que o sol deixou-se ficar dormindo
Teria para me dizer e eu a ele
Eu nada conseguia pensar para dizer-te
Eu caminhei, andei de ônibus, de lotação.
Fui a dois consultórios de médicos
Mandei refazer as lentes dos óculos
Conversei com a gerente do banco
Até queijo comprei no mercado
Tomei um suco de abacaxi
E o dia nada me dizia
Eu me sabia vivo, estou vivo mesmo!
Eu creio nisso até. chupo balas para não fumar.
E fui de novo ao trabalho para dizer aos colegas
Que vou a um terceiro médico amanhã
E a um quarto outro depois de amanhã
Que vai me indicar um quinto, esse de miolo.
Se já não tiver eu partido para os quintos
Ou ensandecido. E talvez volte a ter com
O segundo ou o primeiro que me dirá
O que fazer com o coração do corpo físico
Porque do outro, que carrega a alma,
O amor, a paixão... quem dele sabe dizer?
Se nem o dia disse-me algo de ti e já finda...
Talvez a lua...
Vou já abrir a janela, consultar estrelas.
Por detrás de densas nuvens escuras
Um telescópio talvez ajudasse.
Fecho os olhos, triste também com a noite
E descanso do dia que nada me disse.
E da noite que pouco me fala.
E é um repente tua suave presença em meus braços
Em mim aninhada, e já uma outra noite de amor
Essa uma linda e enluarada noite que me embala
Docemente uma canção me retorna a ti, amada,
Querida e desejada, anjo encarnado da minha guarda.
Adro, tri parceiro, neste overmundo precisaremos de muitos outros dias, e muitos mais anjos da guarda.
Cuidemos. Não temos médicos aqui. Nem suco. Nem janela.
Só palavras.
Bonito poema.
Mas bah, guria, se temos as palavras aqui, temos de tudo e demais um pouco, que elas nos dão janelas e, espremidas ao canto, até sucos, esses recomendados por nove entre dez médicos das estrelas. Agradecido, Cedê.
Grato por teu carinho, Clara.
"Anjos encarnados" são companhia dos sonhos, que abrigam em si, o amor e a paixão.
Raros, só de longe ao longe, contemplam algum coração privilegiado, como o seu, pelo amor.
beijos
Oh! Saramar, amada, querida e meiga amiga, que te ouçam as deusas, ninfas e fadas.
Adroaldo Bauer · Porto Alegre, RS 2/7/2008 19:45Adro, bjo e votos de que aqui neste (over)mundo as palavras sejam tudo o que dizes. Bah, thcê, tens tanta certeza?
Compulsão Diária · São Paulo, SP 3/7/2008 02:06
Cedê, posso depor com fidelidade sobre as palavras que escrevo. As demais, leio como se fossem (e não é que de fato são) a verdade escrita de cada autor, a alma exposta, a rota posta, a vida alargada. As inscertezas minhas e de cada um.
Não tenho certezas. Tenho confiança, que é diferente.
Para que escrever e publicar se não fosse para assim ser.
E se assim não viesse a ser na origem, em sendo, é.
Porque não é diferente, não é fato?
É só o que está escrito, nada mais do que está dito, ainda que haja entrelinhas tentadas, supostas, insinuadas...
Vale o escrito e são, no entanto, tão só palavras.
Maravilhoso poeta aliás como tudo que escreves!
Meus votos, mu carinho e a certeza de que sempre poderá contar comigo, admiro demais teus textos!
Beijo grande poeta!
Adro, sábias palavras as suas. Faço-as minhas. Exagerei na certeza, apneas. São palavras, no entanto, por trás dels há caráter ou não. Ética ou não. Autoria verdadeira ou plágio. São palavras, tchê, escritas por pessoas ou nao?
Compulsão Diária · São Paulo, SP 3/7/2008 09:55
Adro, lindo poema!
Que falta um amor nos faz, esses anjos encarnados são meras substituições, sonhos, mas como ajudam!
" Porque do outro, que carrega a alma,
o amor, a paixão...que dele sabe dizer?
Nenhum médico pode responder...
Bjsssss com carinho
Nossa que lindo Adroaldo
Muito prazer em publicar
Um beijo
Que beleza!
Votei
com um beijinho doce,
Sílvia
Adroaldo,
querida e desejada anjo encarnado da minha guarda...
nossa pude sentir as asas do amor , pousando...
estava e estou ainda com problemas de conexão.
beijinhos
Claudia Almeida
Demian, Spirito!
Aquela personagem de Hermann Hesse, a quem aconselhou-se que para viver um mundo outro haveria que matar-se um mundo anterior, referindo-se ao menino que deveria deixar de ser menino e conduzido pela mãe, para tornar-se homem, condutor de si próprio?
Bem, fale mais a respeito...
Claudia, ainda que sem conexão perfeita, as asas ruflando em canção te alcançaram. Que bom!
Agradecido, Silvia. Esse é o doce que conforta e não prejudica a recuperação do coração, porque me vai à alma.
Noso prazer, Ailuj!
Doroni, grato. E que não se metam os médicos a tentar-nos receitas para o amor ou mesmo desamor que para eles poderia ser doença grave e sapecariam ums remédios profísico e outros pro miolo mole do desamado.
Cedê, insisto:
- As palavras que vão escritas, escritas estão.
Não a vontade e força no universo que as mude.
Nem que o tipógrafo modifique os tipos, nem que a telefônica derrube a rede.
São o que são, independente do que pensaram autores sobre verdades pessoais.
As palavras estão ali, quentes ou frias, mesmo mornas, como sendo dos leitores agora.
E só.
A felicidade do autor, agora também tão só um leitor é se consegue perceber nelas o que almejou.
Penso assim, ainda.
Grato, Marques.
Fico feliz com tua admiração Celina. entusiamado até. Agradeço muito.
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