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UM PLANETA PRIMITIVO

Lauro Winck
1
LAURO WINCK · Rio Pardo, RS
28/9/2009 · 8 · 7
 

Depois do assassinato de Wikhi, não voltaram a ocorrer situações que colocassem em risco a harmonia a bordo. Nosso planeta de destino ainda não tinha um nome, Resolvemos chama-lo de Novo Mundo. Ao aproximarmo-nos os sensores de bordo acusavam uma atmosfera semelhante a da terra, mas um pouco rarefeita, como acontece na terra nos países muito acima do nível do mar. Possuía oceanos que ocupavam cerca de 2 terços da área total e apresentava ainda indícios de antigas civilizações extintas a bastante tempo. Estacionamos em uma órbita elíptica e desembarcamos em uma nave de reconhecimento. Deveríamos selecionar uma área para a base que daria inicio a construção de uma estação de observação que ficaria em órbita. Ao contrário da maioria dos planetas, este possuía duas estrelas que faziam com que diferença entre noite e dia fosse quase insignificante. As distâncias em que ficavam produzia uma luz amarelada e parecia mais um eterno entardecer. A temperatura era agradável e deveria ser constante. Eu levava um geólogo, um engenheiro, uma arqueóloga e um naturalista. Inicialmente optamos por um vôo de reconhecimento a baixa altura. Algumas ruínas chamaram a atenção e resolvemos pousar para analisar mais de perto. Eram ruínas bastante antigas e provavelmente restos de uma cidade. Elgah a nossa arqueóloga, mediu a idade das pedras, - Isto está aqui há 10,000 anos. Afirmou. Uma busca mais apurada mostrou esculturas já quase imperceptíveis devido à ação do tempo. Os sinais eram evidentes. Houve ali uma população avançada em época remota. O local mereceria estudos mais aprofundados. Repentinamente Elgah me olhou assustada e não conseguiu falar apenas apontava com os olhos arregalados. Virei-me e vi uma imensa cobra, deveria ter mais de 30 metros e lembrava as nossas sucuris da selva amazônica. Um animal enorme e provavelmente capaz de engolir um ser humano em uma só bocada. – Calma, falei. Ela não vai atacar, deve estar de barriga cheia. Efetivamente o animal estava dormindo e procuramos nos afastar sem perturbá-la. A conclusão era óbvia. Em algum tempo aquele planeta sofrera algum tipo de cataclismo que eliminou completamente sua população. Mas, a vida como sempre ressurge e deveríamos encontrar outras criaturas em estado ainda primitivo de evolução. Elgah em determinado momento bateu no meu ombro. – Veja! Inacreditável, mas não são dinossauros? Olhei para a direção que ela apontava e, com efeito, havia um grupo de dinossauros de pequeno porte e haviam abatido nada menos que um mamute. Faziam um grande banquete. Voamos mais para o oeste e deparamos então com algo que não esperávamos encontrar. Uma população de seres humanos trabalhava na remoção de gigantescas pedras e construíam uma espécie de pirâmide, policiados por nada menos que alienígenas cinzentos, como chamávamos a espécie mais nociva entre os habitantes de outras galáxias. Trabalho escravo, com certeza. Resolvi então colocar a nave invisível em beta, desta forma não poderíamos ser vistos e seria possível observar mais de perto. Havia uma nave pousada em uma clareira. Um disco voador típico desta raça que durante muitos anos haviam feito experiências malignas com seres humanos em nossa velha terra. Existem muitos relatos de abdução e desaparecimentos de pessoas. Nem todos os habitantes de outros mundos são pacíficos. Era o primeiro sinal de que teríamos problemas. Resolvi então criar uma projeção material da nave e avançar em sua direção. Com este truque a nossa nave ficaria invisível, e eles apenas veriam uma projeção aproximando-se. Imediatamente começaram a atirar. Possuíam armas que disparavam raios, mas estes apenas atravessavam a projeção. Ajustei então um dos canhões de proa para disparar raios com potência suficiente para deixá-los fora de combate por algum tempo. O primeiro tiro, atingiu um deles que deu um giro sobre si mesmo estatelando-se no chão. Resolvi então colocar em prática o que havia aprendido sobre a capacidade de mover grandes objetos com a força da mente. Coloquei sua nave no campo violeta e a movi lentamente pára cima. Eles começaram a correr em direção a nave. Estavam atônitos com o que estava acontecendo. – Maiha! Chamei. Ponha de prontidão uma frota de 30 naves de combate. – É pra já! Nossos pilotos estão precisando de ação.
Voltei então para o campo Alpha e pousei a nave. Eles não teriam como alcançar sua nave e estavam a minha mercê. Dirigi-me então telepaticamente a um dos cinzentos que estava deitando sua arma ao solo. - Quero falar com seu comandante! – Sou eu! Falou um outro se aproximando. – Muito bem! Eu sou representante da federação intergaláctica e você sabe que não toleramos trabalho escravo. Solte imediatamente todos os prisioneiros e liberte-os do trabalho. – Você não pode interferir! Eu sou Evo, comandante supremo das forças militares de Angrol e chegamos aqui primeiro. Tomamos o planeta e implantaremos aqui uma colônia. – Maiha, dê uma demonstração. Não atire apenas ordene vôo rasante. Maiha obedeceu e a nuvem de naves surgiu sobrevoando nossas cabeças. O angrolano acompanhou com a cabeça. – Comandante! Falou ele. – Nós temos uma nave armada com centenas de naves de ataque a bordo. Está estacionada em órbita e protegida por escudos. – Ok! Falei. Então veja agora o que vai acontecer com sua nave se não obedecer. – Maiha! Localiza a nave deles em terra. – Já fiz isso! Tenho no meu monitor. – Ok! Dispare uma ampola de 3 megatons. Maiha obedeceu e o disco voador elevado, transformou-se numa imensa bola de fogo. Não sobrou nada. Evo incrédulo me encarou com uma expressão de pura raiva. A voz de Maiha veio a mim. – Rogério! Localizamos a nave mãe deles. Está vindo em atitude de ataque. Vou colocar nossa nave em beta e contra atacar. – Ok! Faça isso. Contorne em Alpha e ataque pela retaguarda. Mas não a destrua apenas avarie um pouco. – Sua nave agora será destruída! Falou Evo com certa prepotência. – Engano seu! Neste momento sua nave é que está sendo atacada! A risada de Maiha atingiu meus ouvidos como uma onda de alegria. – Rogério! Eles estão dando meia volta e seu comandante quer falar com você. Diga a ele que fale. Transmita pelo intercomunicador. Maiha obedeceu e a voz do comandante deles chegou clara aos meus ouvidos. – Comandante! Não tenho no momento outra escolha. Posso retirar meus homens? – Sim! Mande uma de suas naves apanhá-los, mas que venham desarmados. Posso saber o que pretendiam com uma colônia aqui? – Comandante este planeta é rico em ouro e pretendíamos explora-lo. – Certo! Mas, você deve primeiro entrar em contato com a Federação. Se eles permitirem, não tenho nada contra. Mas, o trabalho escravo, está fora de cogitação. Volte em paz e siga os trâmites legais. Logo uma nave desceu e recolheu os homens em terra. Os escravos foram liberados e preparavam uma grande festa. Era ainda um povo primitivo. Pouco mais que o embrião de uma nova humanidade e certamente nossa base de observações seria construída nas imediações do povoado. Vestiam-se com sumárias roupas de couro e eram evidentemente caçadores ainda utilizando instrumentos rústicos. Estávamos ainda comentando os acontecimentos, quando uma garota aparentando não mais que uns 16 anos aproximou-se lentamente admirada com a nossa presença. Veio curiosa em minha direção e chegando junto a mim, tocava-me com sua mão e alisava meu peito examinando-o e cheirando. Tentei um - Ola! Telepático, mas não funcionou. Ela penas emitia uns vocábulos sem sentido. Parece que ainda não tinham desenvolvido um vocabulário. Elgah brincou. – Cuidado comandante ou você acaba ganhando outra esposa de presente! – Nem brinque! Uma já dá trabalho. Respondi e nem havia percebido que vários membros do grupo aproximavam-se e um por um iam prostrando-se a nossos pés, então me lembrei de que provavelmente, nos viam como deuses. Fiz um sinal para que levantassem. Murmuravam algo entre si e olhavam-nos com respeito e certo ar de admiração. – Acho que podemos construir a base por aqui. Repentinamente começaram a debandar em desabalada correria e apontavam gritando! – Utú! Utú! Olhei então na direção que apontavam e vi um imenso tigre semelhante aos tigres de Bengala, com enormes presas a mostra e de tamanho aproximado de um cavalo. Era um belo animal, mas atacaria sem dúvida Então peguei a arma e desferi um raio mortal. O animal caiu contorcendo-se. Eles então pararam de correr e erguiam seus braços e suas lanças comemorando. Depois se jogaram ao chão e de joelhos curvavam-se como fazem os muçulmanos ao orar Aproximei-me do animal que ainda estava vivo e desferi um último raio. Não me agradava sacrifica-lo, mas certamente ele teria matado algumas pessoas. Então vi descer um bando de aves enormes. Eram semelhantes aos nossos pré-históricos pterodátilos. Em poucos minutos não sobrava nada do tigre. Resolvemos nos proteger e observar. – Bem, temos agora uma tarefa extra. Comentei. – Precisamos construir um grande muro em torno do povoado e depois fazer como em Xkarpa. Um imenso muro de proteção aos animais selvagens. Ao final do banquete, ao contrário do que havia imaginado, os enormes pássaros alçaram vôo e desapareceram entre as nuvens. Voltamos então para a nave havia agora a tarefa de transportar o pessoal e os materiais para construir a estação. O terreno era rico em pedras de bom tamanho e material não ia faltar para o grande muro. Depois que relatei a Adan 7 os acontecimentos, ele decidiu mandar mais duas naves para que pudéssemos retornar. Voltando a nave, Maiha brincou com Iub! – E agora Iub? Seu marido acaba de ganhar uma nova esposa! Ela respondeu. – Hora! Iub não se importar! Em meu país, marido poder ter quantas esposas quiser. Maiha encarou-me com um ar de incredulidade e caímos todos na risada.
2040-9


Sobre a obra

Nem todos os seres espaciais são benignos. Ainda há trabalho escravo...

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Autoria
Lauro Winck
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Bruno Resende Ramos
 

Votado, Lauro.
Volto depois para ler e opinar.
Abraços

Bruno Resende Ramos · Viçosa, MG 28/9/2009 10:02
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Roberto Pelegrino
 

Belo texto, aprabéns e votado!

Roberto Pelegrino · Campo Grande, MS 28/9/2009 13:13
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Greta Marcon
 

Votado, conterrâneo. O maldito trabalho escravo, até em outro mundo... No Novo Mundo, nada de novo...
Beijosss

Greta Marcon · Ponte Nova, MG 28/9/2009 22:29
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

texto maravilhoso amigo, abraçosssss

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 29/9/2009 07:34
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Roberto A
 

não vou dizer que li tudo pois estaria mentindo.
longo demais o post meu caro...

mas....
quer algo mais primitivo que este planeta?

Roberto A · Cuiabá, MT 29/9/2009 10:37
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azuirfilho
 

LAURO WINCK · Rio Pardo (RS)

UM PLANETA PRIMITIVO

Parabéns Amigo Poeta e Escritor
Contra todas as formas de exploração.
Infame toda forma de alkguém subjugar alguém.
Parabéns pelo Trabalho.
Abração Amigo.

azuirfilho · Campinas, SP 29/9/2009 21:04
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menina_flor
 

Lauro - seus contos são plenos de imaginação. Parecem filmes. Você nos transporta para a cena. É um conto vivo!
Parabéns!
Bjos
Patty

menina_flor · Rio de Janeiro, RJ 30/9/2009 18:53
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