Um velho
Queria ser um velho, só por esse momento. Daqueles bem vividos, que pedem ajuda para se levantarem, e agradecem com aquele sorriso jovem e que a cada dia é mais doce. E que essa doçura, por um momento apenas, a sentisse plena e feliz, com a serenidade que a compreensão da vida, do ritmo das coisas, traz.
Só um pouquinho do sentir aquilo que o tempo todo, o tempo sempre nos mostra: que não mandamos nas coisas, que não podemos cobrar de pessoas o que outros nos fizeram, que a vida vivida no agora, e não no antes ou no depois, passa mais devagar. E que depois de tantos anos, tantas pessoas, só as lembranças dos grandes amores e das grandes amizades permanecem vívidas. Aquela serenidade de quem não mais precisa mostrar nada a ninguém e que sabe muito bem onde começam e terminam suas forças. Queria isso.
Mas como mostrar a alguém o sabor do doce ou do salgado? Ou pode-se explicar a sensação do parto a um filho? Só se pode imaginar aquilo que pelo menos parecido já se passou em nossa vida. Do alto do meu quarto de século eu imagino...como deve ser bom ser um velho...
Este texto (que está, cá entre nós, excelente!) me lembra um bocado de "As Memórias de Adriano", livro que anda me emocionando um bocado (e que acabo de emprestar à minha vó, que se ressentia das dores e limitações da velhice).
Abraços do Verde.
Esse texto eu me inspirei no Mário Quintana. O estilo dele eu acho único, não dá pra espelhar-se. O olhar das fotos dele termina seus poemas. Para mim ele é um mestre. Quiçá qdo eu for esse velho feliz eu entenda a essência que ele entendeu.
Por isso que digo que esse aqui foi inspirado na presença dele, e em seus poemas.
abração :)
Batuta!!!lembrei da velha D' Maria...
Marcos, que beleza de texto. Ser velho com certeza é uma dádiva. Meu sogro tem 94 anos e nunca reclama dos anos vividos.
Jotaoliveiraa · Brasília, DF 23/1/2007 22:26
ter a serenidade de uma alma desde sempre lapidada. livre de falsas paixões, livre para viver a essência. muito lindo.
Vitória Maria · Campina Grande, PB 23/1/2007 23:39
Serenidade é a palavra. Ver o rio passar, sentir a correnteza, boiar, se entregar e não insistir em nadar contra :)
Marcos,
Sempre me coloquei contra o que chamo de hierarquia etária, mas lendo teu texto deu vontade de ser velho, e um pouco mais sábio.
Abraço e parabéns,
Felipe
Marcos,
Sempre me coloquei contra o que chamo de hierarquia etária, mas lendo teu texto deu vontade de ser velho, e um pouco mais sábio.
Abraço e parabéns,
Felipe
Foi um acidente o comentário duplicado. A página demorou, e eu cliquei de novo, sem saber que o resultado seria esse. Mas tudo bem, continua valendo.
Felipe Obrer · Florianópolis, SC 24/1/2007 20:49
Como eu já disse... o texto está sóbrio e lírico. Há uma presença mesmo de Quintana nestas linhas.
Parabéns novamente, meu velho!
Quero ver mais coisas tuas por aqui.
Abraços do Verde.
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