Nos últimos dias, a grande mídia tem dado grande destaque aos desastres ocorridos nas cidades catarinenses. Obviamente, os cidadãos das cidades atingidas têm pleno direito ao amparo estatal, bem como a assistência por parte da sociedade civil organizada. Entretanto, neste país de dimensões continentais, há inúmeros flagelados, os quais também estão ávidos por atenção e boa vontade política, em outras regiões.
Recentemente, enchentes pluviais também atormentaram os brasileiros de municípios pobres do Rio de Janeiro. Houve uma cobertura mínima da grande mídia, pouca sensibilização das autoridades públicas e empresariais. Nos grotões da terra brasilis, os gritos de desespero não encontram eco, pois as vozes de seus emissores estão confinadas entre as paredes, quase intransponíveis, do apartheid social. Os cariocas da Zona Sul e dos subúrbios emergentes não se inquietam ante aos gemidos de seus conterrâneos, podemos, então, acreditar em atos de caridade esporádica destinados à desconhecidos ?
Nos bairros periféricos da cidade maravilhosa, os cidadãos desafortunados e desvalidos são acometidos por todos os transtornos impostos pela luta cotidiana em busca de algumas migalhas adicionais. Nestes guetos, uma legião de trabalhadores híbridos têm suas esperanças demolidas por uma avalanche de problemas, os quais são considerados fatos corriqueiros. Mas, quando as belas cidades de inspiração teutônica e eslava desmoronam, instituições filantrópicas e organizações não-governamentais articulam ações rápidas e objetivas. Emissoras de televisão promovem propagandas aguerridas, chegando a aliciar seus funcionários a ofertarem parte de seus salários à institutos de atuação ambígua.
Por isto, termino este artigo fazendo um convite a todas as pessoas caridosas para que olhem também pelos seus conterrâneos, além de ajudarem nossos irmãos sulistas. Não apenas em momentos críticos, mas a qualquer tempo. E que isto se torne algo natural no dia-a-dia destes nobres cidadãos.
Continua em: http://selfmakeman.blogspot.com/2008/12/editorial.html
Uma análise realista do desastre catarinense.
O que voce escreve é absolutamente verdadeiro.
Mas o desastre de Santa Catarina -me perdoe - é algo sem precedente histórico no Brasil . Aliás, não lembro de algo parecido no nosso continente ...
abraço
Excelente o seu artigo, James!
Uma visão bastante realista e sensata.
Quantas vezes os cidadãos ignoram os que
estão ao seu lado.
A paz e a solidariedade deveriam ser praticadas por
todos, diariamente.
Parabéns.
Votando.
Beijos
Gosto da reflexão. Apenas acrescentaria uma exclamação em sua pergunta "...podemos, então, acreditar em atos de caridade esporádica destinados à desconhecidos ?", para então transforma-la em uma pergunta exclamativa. E já aproveito para respondê-la; pois não é possível acreditar nisso.
Votado e abs.
Estranho mas nesta época, nem igreja, nem governo, nem ninguém da sociedade nos deu algo, somente o exército nos servia comida. Quem tinha trabalho continuou trabalhando, só que parte do dinheiro reservava para a reconstrução do barraco, foram uns 3 meses nisto.
"Voltamos para o barraco, e Deus manda o teste definitivo:
Um Dilúvio-!966-que derrubou só no nosso morro uns 15 barracos, incluindo o nosso. Ai fomos morar nas lojas vazias do Shoping Center da Rua Siqueira Campos, ficando expostos como aves raras aos passantes por uns 3 meses!"
Me sentia um zangão naquela pobre colméia...
Gostei da sua reflexão porque mostra a força da mídia em causar comoção. Falsa comoção porque se comover só com o que passa na televisão é no mínimo alienação! Lembremos o "caso" Isabela Nardoni e o descaso com a dor das vítimas de dengue ( que teve grande número de crianças) no verão deste ano no Rio de Janeiro.
Tragédia é sempre tragédia e ajudar o outro é algo bom.
Mas devemos cultivar em nós esse sentimento e não esperarmos "um alerta" para ajudar os outros.
No sertão ainda tem muita gente precisando de ajuda, a diferença entre se apiedar pelos fatos mais noticiados do que pelo fatos do cotidiano é que quando a fome, a desamparo é permanente gera indiferença!
Votei com prazer!
Penso do mesmo jeito. Devemos ser solidários todos os dias, com todos que de nós precisam; não é um desafio simples de ser vencido, porém devemos ter coragem/humanidade para não fugir dele.
Clóvis Luz · Ananindeua, PA 5/12/2008 21:04
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