- são reais e viventes: a casa e o escrito (1)
Minha casa centenária,
Bússola para os andantes,
Pousada pros retirantes,
Da mesinha, do unguento,
Na pressa, o benzimento:
- ao índio tornado errante;
- ao cigano derramado; (2)
- ao negro deserdado.
Lá em baixo no riacho:
Correndo de pés descalços,
Macho e fêmea, fêmea e macho
Pra acariciar os cabaços
Na areia tão branquinha,
Com prazer - pois, sem percalço
- Se a cegonha não vinha.
Minha casa centenária,
Do tempo a inclemência
Assistes com paciência
Tudo em volta se minguando:
Os viventes, o terreiro, os quintais...
- Hoje mostras decadência
- Mas já ostentou cabedais.
Minha casa centenária,
Tantos de ti já partiram: uns pras lidas,
Uns a convite da morte;
Mais recente, noutras heras
Vão-se os corpos - ficam as vidas,
E Tu resistes - como um forte,
- Para não virar tapera.
(1) Domingos Pessego, já velho e cego, a netaiada, a menina
de blusa azul é minha filha, 7 anos, em final da década 1990.
(2) Há um arquivo no Download com notas do autor).
ANDRÉ,
que coisa linda, essa casinha (tão parecida com as paisagens aqui da minha terra) e esses versos de rimas tão bonitas( que não levo muito jeito pra fazer) com os quais você traduz e exalta a sua vida.
Lindo!
Abraços de Betha.
Canto Sertanejo de grande feitura. Admiro-te.
Abçs.
Conterrâneo velho de saudades, já passei muito por isso, amigo.
texto maravilhoso,
obs: MORO NO SÍTIO, VEJO QUASE SEMPRE, ESTE RETRATO!!!
ABRAÇOS, AMIGO, QUANTO AO CD, VAI CURTINDO,UM TRABALHO SIMPLES POREM VERDADAEIRO!!!
e eu que pensei
ah, deixapra lá
muito bom, parabéns
volto em 31 horas
abraços
André, fascinante o poema, o final é tocante, bonito, literalmente belo.
Como as palavras ficam agradáveis em seu poema.
Ainda chega lá...
Abraços.
Beta, Benny, Lio, Senhorita e Lucas - Desculpem o lapso,
é que ontem fiquei sem internet...
- Obrigado por me ajudarem neste esforço em de um lado em resgatar, manter, engrandecer o passado (entre o fato e a linguagem); de outro misturá-la como os fatos se não no dia a dia. Afeiçoado da História, perfilo os cientistas dela: A história não comporta salto; e nem dispensa emoções se quisermos contribuir para deixa-la bela, e menos indolor a vivência dos fatos que a fazem. um abraço, andre
André, simplesmente espetacular!!!
abraços,
- Pois é Marcos. Tenho uns amigos suiços, tres faímilias, e me encanta como eles se apegam ao passado. Toda reunião, acontecimento em família é tudo muito entremeado, é mostrado, é comentado e como se tornam alegres,
obrigado, andre.
Andre, insuperável!
Tocantes, a foto, os versos, as histórias, as vidas.
Um mundo de sensações emocionantes.
Parabéns!
beijos
Sara, obrigado. É tão grandioso se levar avante sonhos - uns grandiosos, outros de pura bestagem como se diazia na minha terra - e é tão grandioso quando se conta com a ajuda despreocupadas de tantos e tantos, cuja preocupação é também plantar sonhos igualmente remunerados pelo prazer. Um abraço, andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 21/7/2007 12:56
Deves ter muito orgulho da tua história,não é?
Maravilhoso!!!
Abraços.
Mr. André,
Senti sutilezas de Patativa no teu escrito original, com frescor de maresia.
Vai em frente. A força do homem está no seu imaginário.
abraço pantaneiro.
- Pois é Linney, é uma mistura de saudades, orgulho mas também desejo de que a loquacidade, do cantador, do cancioneiro que plantou as gentes no sertão seja revista, revigorada por outros, e assim criar uma identidade, obrigado , andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 21/7/2007 23:31Frazão, é com as ressalvas das limitações pessoais palmilhar Patativa é de todo enternecedor. Não se pode fazer História de costas pra ela. Mas dentro dela. Obrigado, obrigado mesmo andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 21/7/2007 23:34
André.
As pessoas que amaram essa casa e partiram, " a convite da morte", estão com suas almas a passearem, André, por cada pedaço de seu chão.
Parabéns, parceiro, pelo conjunto da obra.
Noélio Mello
Natacha, tu tens a felicidade de carregar encrustados em ti dois territórios, belos - de Histórias e contribuições grandiosas = Natacha Maranhão - piauiense. obrigado, andre
Andre Pessego · São Paulo, SP 22/7/2007 14:48cabra porreta! tenho uma tapera na minha vida ki nunca cai... abraços
Cecilia de Paiva · Campo Grande, MS 22/7/2007 15:34
A.Pessego,
Eu sei que você demora, mas é para deixar a gente com saudade. Está saudade gostosa das tuas poesias, do teu texto e desta certeza que sempre quando nos agraciar como está tua poesia maravilhosa, com esta descoberta encantadora.
Adorei de verdade, parabéns meu amigo. Já comecei a segunda-feira muito bem com este belo texto.
André
Só agora sei que és mais um com raízes lá no Piauí.
As minhas vêm da família de minha mãe. Faz tempo que não volto a Teresina, Floriano, Piripiri, Parnaíba e São Francisco (MA).
Parabéns pelo registro histórico. Sorte de quem faz o download e lê suas notas (um texto a desenvolver para o Overblog).
Abraços
Cíntia
Cecilia, cecilia, obrigado pela passagem; fico contente se lhe
proporcionei alguma lembrança, bjs. andre.
Higor, eu fico feliz, muito feliz, com sua passagem e fico feliz com a referência elogiosa, incentivadora. O elogio cumpre duas funções - agradar ao que recebe, por recebe-lo; e contentar ao que o oferece, quando sabe que agradou. Tenha certeza, agradou-me muito. obrigado andre.
Andre Pessego · São Paulo, SP 23/7/2007 22:56
Cintia, acho que em nenhum outro "território" no Brasil, hoje, é desenvolvido atividade tão voluntária quanto aqui no Overmundo.
- Voluntária em todos os sentidos, mas principalmente este de afagar a realização de sonhos de tantos de nós. Só possível pelo despreendimento com que fazem. Voce é um exemplo deste desapego. obrigado, andre
Que belo casamento de poema com a imágem, amigo poeta A. Pessego. Eu goetei demais. Meus sinceros aplausos e abraços.
Carlos Magno.
Pois é Carlos, a tua visita por si só já nos dar a todos - no overmundo - prazer enorme, ainda mais alavancado pelo conforto
do abraço, abraços para ti andre.
André, revendo seu arquivo encontrei esse texto maravilhoso. Que pena, cheguei um pouco tarde... Deixo aqui meu voto de irmã. Essa casinha, hoje tão simpliszinha, mas grande dentro do seu viver nos une na lembrança que tenho dos meus avós queridos que já se foram. Vocè é arte, André. Abraços da mineira,
anamineira · Alvinópolis, MG 17/9/2007 07:19
Você também é bom de síntese...
Sintese poética, colocando em poucos versos a beleza, a dor e o abandono do Brasil Caipira, do Brasil negreiro e do Brasil índio...
Tocou-me a emoção e a sensibilidade...
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