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UMA HISTÓRIA E SEU ENREDO

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Durval Filho · Campo Grande, MS
6/12/2008 · 100 · 6
 

UMA HISTÓRIA E SEU ENREDO
(de Durval Filho)

Não sei mais nada,
Aliás nunca soube,
Embora se busque a iluminação...
O contraste é pouco para explicar o que sinto,
O simples paradoxo do claro escuro;
Amor e ódio;
Vida e morte;
É pouco para o cérebro pós-moderno,
Onde todas as dúvidas simples são desvendáveis!

O mundo mudou,
As pessoas idem,
Eu, mudo no mundo,
Grito com meu poema e escuto um eco.

– Eco! Eco!
Ânsia causo na mente distraída
Que quer tudo bem resolvido.

Como posso resolver tudo, o todo,
Se em mil pedaços vezes milhões de dúvidas
Fez-se a equação do mundo.

Uma explosão
E o grande multiplicou-se.
Não existe mais um só olhar,
Uma só pessoa,
Um só amor.
O que passa a existir são os muitos
E variados pontos de vista.

Se cada qual só querer defender o seu,
Causa conflito e guerras como as que vemos.
Antes pertencíamos ao todo divino,
Éramos um só unidos a Ele
E, de repente, não sei por que motivo,
tudo se separou; as pessoas, os planetas,
as famílias, os irmãos...

Agora, num mundo globalizado em que se necessita
Acabar com as fronteiras,
Aparecem muitos países, que até hoje só souberam
Explorar os outros e fingir-se de amigos,
Que querem caminhar ao contrário da vontade
Da maioria e lutam contra o impossível.
A grande força do universo não permitirá
Que o planeta continue assim.
Se o mundo não mudar,
Vamos ter nós que mudar desse mundo,
Ele se acaba. Buuuuuummmmmmm!!!

Caso ele continue assim,
Seremos todos reprovados por quem imaginou
Isso tudo: imaginou o enredo com um começo,
O meio o homem escreveu com sua medíocre sabedoria
Uma história cheia de clímax, alguns conflitos,
Guerras e muitos gritos...
É verdade que apareceram bons exemplos,
Pessoas que lutaram pela paz, pela vida,
Pelo amor sem fronteiras de raças e crenças.
Mas são poucos os que compreenderam a nova ordem.
O conviver aceitando as diferenças,
O múltiplo vivendo em conjunto.

Uma nova filosofia,
Um novo pensamento,
Quem sabe! multiplocentrismo.

Nesse enredo construído pelo ser humano,
Caso não se corrija o rumo,
A história não terá final feliz
E tudo se acabará num enorme ranger de dentes.

O fim dessa história está em nossas mãos!
Que fim você deseja à experiência de Deus?

Imagino que Ele não esteja satisfeito
E, a qualquer momento, acabará com essa história
Em que os personagens
Escreviam seu próprio enredo,
Depois do início de tudo o que foi feito.
Estava perfeito até a ganância parir seu filho:
O poder;
O próprio poder destruiu a criatura
Que não vê, com seus olhos frágeis,
O grande tesouro e que não é ouro.

Tudo pode se acabar,
Mas antes vamos tentar corrigir esse enredo,
Mudar essa história.
Enfim, aceitar a palavra do Mestre
Que não veio para dividir, repartir, segregar.
Veio para juntar as pessoas, os países,
Veio para celebrar a paz
Sem exigir nada mais que o amor.

E para que isso seja possível
É fundamental o conviver sem preconceitos,
Acabar com as barreiras,
O reformar dum amontoado de gente
Que deveria aceitar as diferenças
Baseando-se no maior exemplo deixado
Por um homem-Deus-Espírito
E seguir apenas a lei divina.
Porque as leis dos homens e das igrejas
Só servem, caso não reproduzam às de cima,
Para enfeitar minha latrina.

Sobre a obra

O Durval Filho é um capinador de páginas, um cultivador de esforços para que a humana consciência não caia no esquecimento. Ele busca e se alimenta do lampejo de vida curta que é a inspiração poética – a fantasia criadora surgindo e ressurgindo por entre os monturos da vida.
Um inovador insaciável. Surpreende o leitor, ao buscar cumplicidade rimando e substituindo rima por uma harmonia que não se perde na poesia, enaltecendo a convivência amorosa entre as pessoas, mas aplicando-nos choques de energia, como em “Jiló do Pensamento — Pesa a cruz imaginária do destino,/Peso maior é do cérebro de isopor/Cheio de pensamentos mortos no gelo/Da hipocrisia”.
Questiona a ganância, as guerras, o consumismo; ataca a “barriga cultural do povo”, pois essa é que “grita/ronca de fome...”.
“Navegando pelo mar dos sonhos e da intuição”, esse poeta pessoalíssimo se dá, naturalmente, a liberdade de enlouquecer e bradar amor (...)
Por Guimarães Rocha (orelha do livro Fantasia Viva)

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Marcos Pontes
 

Assim caminha a humanidade. Novo mundo, novos valores, novas dúvidas, novas certezas... O mundo e nem a vida são maniqueístas, é preciso ver mais do que apenas o óbvio.

Marcos Pontes · Eunápolis, BA 3/12/2008 10:56
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Lucas de Meira
 

gostei
!

Lucas de Meira · Curitiba, PR 5/12/2008 00:45
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O NOVO POETA.(W.Marques).
 

excelente texto.votado.

O NOVO POETA.(W.Marques). · Franca, SP 5/12/2008 17:49
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Luiz Angra
 

"Deus é o círculo cujo centro está em toda a parte
e cuja circunferência está em lugar nenhum"

Uma nova filosofia,
Um novo pensamento,
Quem sabe! multiplocentrismo.

Muito bom.

Luiz Angra · Brasília, DF 6/12/2008 11:01
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Doroni Hilgenberg
 

Durval.
que poema gratificante de se ler
e viva as diferenças e a multiculturalidade.
sem dogmas e sem hipocrisia.
bjs

Doroni Hilgenberg · Manaus, AM 13/12/2008 17:15
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Durval Filho
 

Agradeço a todos os que comentaram.
Obrigado pelo carinho....

Abraços!

Durval Filho · Campo Grande, MS 15/12/2008 21:48
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