Laura tinha os olhos negros mais tristes que eu jamais tinha visto. Parecia que eu tinha vivido até aquele dia sem nunca ter visto um olhar tão trsite quanto aquele que eu conheci no sebo da Rua da Roda.
Não tinha nenhum atrativo feminino, era sem vaidades, jeans e camiseta, tênis e cabelos curtos, e um relógio muito dono do seu pulso. Não sorria, quando muito, esboçava um quê de sorriso quase imperceptível.
Aqueles olhos abrigavam - além de uma tristeza profunda e inatingível - uma iquietação de sentimento represado no medo de viver.
Aproximei-me a guisa de ajudá-la a achar um livro da Clarice Lispector, e eu conhecia bem a Clarice, ficamos próximas, ou, o mais próximo que Laura permitia que alguém chegasse da sua arrebentação de ser reprimido e represado.
De livro em livro, começamos a nos encontrarmos fora do sebo, já íamos ao Gabinete português de leitura, depois, muito depois, um cinema, e mais nada, Laura não mudava emn quase nada, e nem eu. Ela trancafiando-se insegura e triste.
E eu dizendo de mim cada vez mais livre.
Um dia ela me disse que gostaria de receber cartas minhas...
( e é aqui que começa essa história. Fazer download para saber o meio e o final)
Dora, fiquei tão perturbada! Não, emocionada, é melhor.
Penso neste menina sem sorrisos que, de repente encontra o seu inverso, talvez e um mundo que é aberto.
Provavelmente, a tristeza dela assustou-se com sua luz.
Talvez não quisesse ser feliz.
Não sei... continuo pensando.
O seu jeito de escrever é um presente.
beijos
Ô Dora!
Ao ler sua história, logo, fui tomado de fortes emoções, a primeira é o desejo de também receber um conto seu, (não que o amigo Adroaldo não seja merecedor desta honra) e em segundo momento, me veio nos meus lembrados o poema 'desejo' do grande Vitor Hugo. Pois acho que tem forte relação com a Dora. E ai, está um fragmento: "Desejo que você, sendo jovem, não amadureça depressa demais, e que sendo maduro, não insista em rejuvenescer. E que sendo velho, não se dedique ao desespero. Porque cada idade tem o seu prazer e a sua dor. E é preciso deixar que eles escorram por entre nós. Desejo por sinal que você seja triste, não o ano todo, mas apenas um dia. Mas que nesse dia descubra que o riso diário é bom, o riso habitual é insosso e o riso constante é insano".
Beijos
Sara Mar...
Estou muito tocada com o teu comentário.
Tu realmente me les-te.
Obrigada e emocionada, te beijo suave no coração.
Ah, Dª Dora, imperatriz dos sentidos.
O meu coração nem tem tamanho, nem a alma grande é o suficiente para receber todo esse carinho e confiança.
Agradecido.
As musas também encantam, além de inspirar vez que outra.
Pedro,
Amei teu comentário.
Um comentário de alma para alma.
Amei também a participação do Victor Hugo que eu leio e releio sempre que me aquiesce reencontrá-lo.
Sim, vou te publicar um, um conto falando desse desejo que o Victor Hugo tão delineou.
Muito, muito, muito, emocionadamente muito obrigada.
Um abraço forte.
Imperador, Eu que te agradeço a porta aberta.
Teu coração não é um vão músculo bombeador de sangue e outrras ninharias, é feito de encanto, generosidade e poesia.
Te beijo com um carinho permeado de respeito por este teu coração de escritor e leitor sensível.
Não vou escrever uma carta. Não precisa.
Parabéns!!!! Sempre fantástica.
Abraços!!!
Osvaldo, lindo...
Acho melhor a gente trocar os caminhos e você me manda uma foto por e-mail e eu componho ela em palavras e juntos distruimos o dueto aqui no overmundo.
Beijos
As tuas palavras sempre tocam a alma,
das mais simples.. Porém, mais belas.
História linda, triste.. De tocar a alma profundamente.
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