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Uma mulher no Inferno Verde! Primeira Parte

1
AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ
9/8/2010 · 1 · 0
 

Humilhação e Luta
Uma Mulher no Inferno Verde
(cap. 18, pags 98 a 110)

Com a morte de meu marido, Izio, toda a minha vida se modificou. Meus filhos já estavam casados e resolvi abandonar de vez as minhas atividades comerciais.
No entanto, não queria ficar parada. Comecei a viajar. Primeiro para o sul do país, porém logo voltei para junto de meus filhos. Não conseguia ficar longe deles e, juntos, formávamos uma trinca maravilhosa. Quando eram rapazes sempre dançávamos juntos, fazíamos piqueniques e eles me consideravam muito. Até hoje é assim! Sou mais do que uma simples mãe; queríam-me também como amiga e conselheira. Mas de pois que se casaram, eu procurava introemter-me nas suas vidas. Sempre fiz força para se casarem. Eu queria vê-los felizes, constituindo família e, principalmente, dando-me netos. Mas sempre procurei estar perto deles...

Eu conhecia o Brasil, principalmente o interior. Sabia, no entanto, que ainda era muito pouco para que eu pudesse dizer que conhecia realmente todo o país. Nada me prendia em casa e um dia embarquei para Santarém, no Pará.
Naquele tempo não havia nada de interessante em Santarém. Era uma cidade pobre, sem calçamentos e o único transporte urbano era feito por jipes. O veículo mais novo que havia na cidade era de 1958. Mas tudo isto esquecia quando admirava o rio Tapajós. A sua confluência com o rio Amazonas é um espetáculo maravilhoso! Pode-se ver bem a divisão das águas: as do Tapajós, um azulado claro e as do Amazonas, turvas, formando ondas vilentas ao se encontrarem.

Um dia estava na varanda do hotel onde estava hospedada, quando o proprietário se sentou a meu lado e perguntou:
-- A senhora quer comprar ouro?
-- Ouro? Pra quê?
Estranhei, pois eu não sabia que Santarém era o local onde os garimpeiros vendiam seu ouro em pó tirado dos garimpos de Itaituba, para comprarem suprimentos.
A vida no garimpo era dura e êles aproveitavam a estada em Santarém com muita cachaça e mulheres. Muitos deles chegavam à cidade com alguns quilos de ouro e gastavam todo o dinheiro obtido com a venda, tendo que voltar ao garimpo e levando mercadorias que compravam fiado.

Os comerciantes já estavam acostumados, conheciam todos êles e lhes davam crédito. Êles só não voltavam para pagar a dívida se morressem no garimpo por causa da cachaça e de brigas. Nenhum deles ficava ficava sem uma arma e compravam munições antes de adquirirem a comida.
A pergunta do dono do hotel aguçou a minha curiosidade e procurei saber mais acerca dos garimpos.
Certa manhã chegou ao hotel um homem que eu conhecia de Belém. Era comprador de ouro e sempre levava para o sul vinte, trinta ou quarenta quilos. Comecei a fazer perguntas sobre o comércio de ouro, principalmente quem comprava e o preço do metal nos pontos nos vários pontos de compra.
-- Se a senhora quizer, pode comprar ouro enquanto eu estiver fora, disse o homem.
-- De qualquer forma, já tenho a minha freguesia e a senhora não me fará concorrência. Assim, quando eu voltar na outra viagem, a senhora vai comigo para o sul e eu a apresento aos compradores de ouro. O comércio é garantido e êles pagam na hora.

O negócio estava-me atraindo cada vez mais, por isso comecei a comprar ouro. Tinha pouco dinheiro e consegui comprar apenas três quilos. Quando fui ao Rio e São Paulo com o meu conhecido, fiquei conhecendo os prinxipais compradores. A um deles vendi o ouro que tinha comprado em Santarém.
Foi um bom negócio. A minha vocação comercial forçou-me a expandir as minhas atividades. Quando voltei, via Recife, trazia mais dinheiro e parei em Belém onde comprei carne sêca, charque, feijão e arroz, para trocar e vender em Santarém. Assim ganharia dos dois lados.
Cheguei a Santarém com as mercadorias, pronta para iniciar meu o negócio. Mal sabia que estava iniciando também uma das maiores aventuras deminha vida . Com as mercadorias e o dinheiro aluguei um barco e segui para o porto de S. Luís, perto de Itaituba, pelo rio Tapajós. A viagem durou um dia e duas noites e foi maravilhosa. Na proa do barco eu me deixava ficar, horas inteiras, recebendo a brisa fresca e admirando a paisagem que passava diante dos meus olhos vagarosamente.
Desembarquei no porto de S. Luís. A primeira dificuldade que tive de enfrentar foi o problemas dos mosquitos borrachudos que, mesmo sem transmitir malária, deixavam o corpo da gente coberto de feridas. Mesmo assim dei início ao negócio, trocando em S. Luís boa parte das mercadorias por ouro. Eu não queria voltar para Santarém com parte do que tinha levado e, por esta razão, fui ficando na cidade, até que conheci um garimpeiro de nome Jovelino, que ali garimpava com seu grupo. Começamos a conversar e, num certo momento, êle propoz:
-- Por que a senhora não deixa a mercadoria comigo?
-- Para quê? Não vejo razão para isso e...
-- É o seguinte: a senhora deixa a mercadoria e dentro de trinta dias encontra-me no garimpo principal, o Pacú. Até lá já terei trocado os produtos por ouro e a senhora pode levar até mais, pois faremos negócio. Quero apenas uma participação nos lucros.
Eu precisava voltar a Santarém e não precisei pensar muito para concordar com o negócio. Antes de partir, no entanto, fiz Joselino assinar promissórias no valor das mercadorias.
Viajei para Santarém e de lá para o Rio. Queria vender logo o ouro trocado em Santarém e comprar novo suprimento. Fretei um avião da Companhia Aérea Paraense e nele transportei cinco mil quilos de produtos, viajando até Jacareacanga.

O garimpo do Pacu ficava nas margens de um igarapé que despejava as suas águas no Tapajós. No verão o igarapé seca e a viagem é feita em dois dias. No inverno o mesmo percurso é feito em apenas 3 ou 4 horas. Nós viajamos no verão, de Jacareacanga até o Pacu. Como o igarapé estava atravessando a sua pior fase de seca, pernoitamos na viagem, acampando na margem. Os homens acenderam o fogo, fazendo café e esquentando a carne de charque que êles comiam com farinha. Eu não estava acostumada a esta alimentação e por isso levava comigo ovos, salame, biscoitos, leite em pó e carne enlatada.
Nessas viagens exisatia uma grande camaradagem entre todos os passageiros e tripulantes do barco. Conversamos muito tempo ao pé do fogo, quase sempre assuntos sobre o garimpo. Mas logo armávamos as redes com mosquiteiros e íamos dormir. Se os dias naquela região são muito quentes, as noites são extremamente frias. Todos se levantam de madrugada, não por hábito, mas era uma necessidade. é a hora em que faz mais frio e não há cobertor que chegue. Nessa hora êles voltam a acender o fogo com o objetivo de proporcionar calor e, ao mesmo tempo, de preparar a primeira refeição. Todos voltavam a falar sobre o garimpo, cada um contando uma aventura ou um acontecimento diferente.

Chegamos finalmente ao Pacu. Era um amontoado de casas de palha, localizado numa região montanhosa de difícil acesso. Tivemos que caminhar do igarapé ao garimpo e, em cima de um monte, havia um cemitério. Perguntei a um acabloco a meu lado se havia incidência de malária ou outras doenças no garimpo, porque as cruzes eram muitas.
-- De morte morrida tem muito pouca gente, de morte matada, madame, é que enche o cemitério!
Tudo era difícil no Pacu. O banho era no igarapé e, na hora de dormir, só conseguia armar a rede quem andasse mais depressa. Nos barracões rústicos todos dormiam juntos, lado a lado, fosse homem ou mulher. Era uma mistura de caboclos, garimpeiros e meretrizes. Tratei de me acomodar ao lado do motorista do barco, que já era meu conhecido de Jacareacanga. Mais tarde, quando comprei um barco, êle iria tornar-se meu motorista particular. Chamava-se Firmino e tornamo-nos verdadeiros amigos.
Logo que cheguei procurei por Joselino, que tinha ficado com a minha mercadoria em S. Luís. Mas êle não estava no Pacu, conforme havia tratado comigo. Um dos garimpeiros me informou que êle estava em Santarém, doente de malária.

Eu tinha trazido cinco toneladas de mercadorias e tratei de dar continuidade ao meu negócio, esquecedo-me por momentos de Joselino, mas antevendo alguma malandragem por parte dele. Dinheiro não havia e o negócio feito à base de "tantas gramas de ouro por tantos quilos de mantimentos". Firmino ía distribuindo os produtos que eu trocava por ouro e, assim, fomos nos livrando da mercadoria. Eu, que havia conhecido em S. Luís o borrachudo, conheci em Pacu outro mosquitinho terrível: o piuín. É pequeno e também não transmite malária, mas dá uma coceira que ninguém aguenta. Para me proteger eu tinha que andar o dia inteiro de calças de brim e camisas de mangas compridas, apesar do imenso calor que fazia. Aliás, em matéria de mosquitos de clima tropical eu tornei-me uma especialista. O piuín não ataca à noite, o que é um alívio. No entanto, para substituir, vem o "carapanã, este mais perigoso pois transmite a malária. Mas eu tinha aguentado duas Guerras Mundiais e não ía desistir de tudo por causa de mosquitos . Continuei insistindo.

Joselino não chegava e resolvi partir quando as mercadorias acabaram. A viagem seria longa pois meu roteiro seria ir até Jacareacanga de barco, de lá pegar um avião para Santarém, depois outro para Belém e, finalmente, mais um para o Rio. Quando chegamos em Jacareacanga encontrei um fiscal da Fazenda que trabalhava em Santarém e que eu tinha conhecido no acampamento da Aeronáutica.
-- A senhora leva ouro?, perguntou-me.
-- Sim, acabo de o comprar em Pacu
-- Pois aconselho a senhora a ir à repartição federal de fiscalização e tirar uma guia de trânsito. Nossa legislação sobre pagamento de imposto sobre ouro ainda não está sendo executada, mas com a guia a senhora viajará tranquila. (...)
(OBS *1: adiante a autora troca o têrmo PACU por "Jacú")
-- Eu quero fazer tudo legalmente, disse-lhe.
-- Seu disso e agradecemos. Estamos tentando fazer uma campanha para legalizar o comércio do ouro e, com a sua atitude, a senhora só está nos ajudando. Dona CHAINDEL -- concluiu quando nos despedimos -- gostaria que todos fossem como a senhora!

Mas o meu "patriotismo" (sic) acabou provocando dificuldades à venda do ouro. Quando cheguei no Rio a firma para a qual já tinha já tinha levado ouro, desta vez não quiz fazer negócio comigo. Eu insistia, oferecia vantagens e a resposta era a mesma:
-- Assim não quero. Não posso comprar ouro com nota fiscal. (Noutras firmas cariocas a resposta se repetia.) Passei alguns dias descansando, passeando, se divertindo e visitando amigos no Rio. Depois disso voltei para Belém, onde comprei novas mercadorias e fretei um avião da Paraense. Era um avião confortável, mas o capitão não gostou de mim logo que comecei a conversar com um dos passageiros sobre meus negócios. De repente, sem mais nem menos, virou-se e gritou:
-- Essa mulher veio do inferno da Europa para se meter nos nossos negócios, e acaba prejudicando a gente.
Depois disso, passei a evitar os aviões da Paraense. Não apenas pelo fato de o capitão ter me ofendido, mas porque eram aparelhos muito velhos, antigos C-46 que estiveram em ação na Guerra e, além de tudo, os fretes começaram a subir muito. Novos garimpos estavam sendo descobertos e os garimpeiros começaram a construir campos de pouso para pequenos aviões. Comecei a transportar as minhas mercadorias em aviões Cesna, de um motor.

Os meu negócios íam bem. Mandei construir um barracão de madeira perto do garimpo do Jacu, (*1) que servia de alojamento e depósito; tinha uma geladeira a querosene e assim tínhamos um relativo conforto. Desta vez, quando cheguei, o igarapé estava cheio e a viagem foi rápida. No garimpo do Jacu encontrei Joselino, a quem me dirigi pedindo explicações.
-- Eu estive muito tempo doente, madame, gastei a metade do ouro em remédios. Tenho comigo a outra metade, que lhe darei e o restante pagarei depois.
-- Está bem, se não tem outro jeito...
Concordei, pois acreditava realmente que êle estivera doente. Êle me entregou o ouro e ficou transando pelo garimpo. À tarde voltou a me encontrar.
-- Dona CHAINDEL, eu queria que a senhora me vendesse toda a mercadoria que trouxe, a prazo. Quando a senhora voltar, eu lhe pagarei.
-- Não posso lhe vender tudo, Joselino, pois não posso ficar sem nada. Não posso ficar parada e quero descansar um pouco antes de nova viagem.
Propuz ceder-lhe uma parte, mas êle não aceitou. Queria tudo! No dia seguinte êle partiu. Aproveitei a minha estada e dei um balanço geral. Arranjei um senhor, de nome Lino, que passou a gerenciar os meu negócios enquanto eu estivesse ausente e assim eu pude partir com Firmino para Jacareacanga, com o objetivo de buscar a nova geladeira e mais mercadorias que não couberam da primeira viagem.
No dia seguinte, ainda na metade do percurso do igarapé, cruzamos com um outro barco cheio de gente. Avistei um homem com quem eu precisava falar e fiz sinal para que o motorista do outro barco parasse. Porém, o barco continuou funcionando e passou perto de nós. Avistei Joselino com um revólver apontado nas costas do motorista do barco, fazendo sinal para que não parasse e seguisse em frente. Ninguém entendeu nada, nem porque Joselino fazia aquilo. Prosseguimos a viagem intrigados.

Pernoitamos em Jacareacanga e, no dia seguinte, após lotarmos o barco, voltamos para o Pacu. Quando entramos no igarapé que ía até o garimpo avistamos 2 empregados meus que vinham remando uma pequena canoa. Encostaram no nosso barco e pularam para dentro.
-- O que é isso? Para onde vocês estão indo?, perguntei.
-- Dona Chaindel, esta noite Joselino robou toda sua mercadoria. Encheu dois barcos e fugiu. Não pudemos fazer nada, pois estava com 2 homens armados e até ameaçou matar o "seu" Lino se êle não entregasse a mercadoria. O que não coube no barco êle jogou no terreiro, dizendo que havia comprado tudo da senhora e, por isso, dava de graça para os trabalhadores. Sai dando tiros para o ar, na água e nos paus. Levava lanternas e viajarma a noite toda. A esta hora deve estar longe e viemos ao seu encontro para avisá-la.
Quase desmaiei de raiva, mas controlar-me e mandei que Firmino prosseguisse para o Pacu. "Então isso explica o comportamento do canalha quando passou por nós no outro barco!" Pensei e resolvi passar para a pequena canoa, pois nesta eu chegaria mais rápido. Arriscava-me pois a pequena embarcação foi "num vira, não vira" até Pacu. Quando chegamos fui direto ao meu barracão e o encontrei vazio, com "seu" Lino desolado, à minha espera.
-- Não pude fazer nada, madame. Joselino chegou com 2 capangas e começou a carregar tudo. Fiquei com medo de o impedir, porque êle ameaçou matar-me.
-- E ninguém fez nada?!, perguntei, estranhando que o bandido tivesse feito aquilo tudo sem que ninguém interviesse.
-- Os outros comerciantes ficaram parados, assistindo a tudo e até rindo. Quando Joselino foi embora, um deles ainda disse: "Quero ver o que esta mulher vai dazer, agora que perdeu tudo o que tinha"!
-- Êles verão o que farei, "seu" Lino... êles verão!
No mesmo dia voltei para Jacareacanga. Lá, com a ajuda do chefe do destacamento policial, sargento Eloy, começamos a procurar Joselino.
**************************************************************************

(RESUMO DOS FATOS NARRADOS A SEGUIR:)
A autora, dona CHAINDEL -- ou Sally Knopf, como assina a obra -- passou vários meses gastando tempo e dinheiro para encontrar o tal Joselino. O ouro falou mais alto do que a Justiça e Joselino transitou livremente, enquanto ela sustentava com comida e estadia no garimpo 3 ou 4 equipes de policiais (da Aeronáutica no início e, adiante, da polícia civil) que, "sendo a Lei" no garimpo dela aproveitaram a ocasião para enriquecer "prendendo" e soltando garimpeiros em troca de gramas do vil metal. Por fim, a Aeronáutica foi impedida de atuar nos garimpos e as questões policiais ficaram nas mãos de delegados locais. Voltemos à página 106:
****************************************************************************

Em Itaituba havia o delegado Scilas.Êle era amigo de Joselino e, inclusive, havia fornecido ao bandido uma carteira de comissário, com poderes para policiar os garimpos. POLICIAR ! Eu tinha recebido informações de que Joselino tinha vendido parte das mercadorias a comerciantes do Pacu e que devia estar na região. Fui falar com o delegado Scilas.
-- Procurar Joselino não posso! No entanto, posso ir até o Pacu e obrigar os comerciantes a devolverem-lhe as mercadorias roubadas. Para isso tenho apenas que conseguir uma ordem judicial. (...)
Dr. Scilas levou com êle um soldado, cujo apelido era "Ceará". (...) Mal descansamos o delegado mandou o soldado Ceará acompanhar-me e trazer os comerciantes que tinham comprado as mercadorias roubadas, além de testemunhas.
-- Agora à noite?, perguntei.
-- Sim, agora mesmo. Amanhã cedo quero voltar para Itaituba.
Mas a notícia da chegada do delegado já tinha se espalhado e os comerciantes tinham fugido. Foi quando o dr. Scilas tomou uma atitude que me mostrou o seu verdadeiro caráter. Ao lhe dar a notícia da fuga dos comerciantes êle disse simplesmente:
-- Não tem importância. De qualquer maneira eu não podia fazer nada, pois não trouxe ordem do Juiz por escrito.
-- Como assim?! O Juiz deu ordem de apreensão das mercadorias na minha presença. O senhor concordou em vir com ordens verbais.
-- Esqueci-me de que preciso de ordens escritas... sem elas não posso fazer nada!
-- Mas, delegado... o senhor não pode deixar o caso assim?
-- Posso e é o que farei! Agora, se a senhora me der licença, quero dormir, pois amanhã terei um dia duro à minha espera.
-- Dr. Scilas, não tenho mais nada a perder, por isso direi exatamente o que penso do senhor. (Eu estava nervosa e tremia de ódio!) Como autoridade o senhor é uma decepção. Éum incompetente! Agora, se quizer, pode me prender! (...)
-- Poderia mesmo, por desacato, mas não vale a pena. Boa noite, que eu quero dormir!
-- Eu vou a Belém denunciá-lo ao chefe de polícia. Só não farei isso se morrer antes, e irei também à Imprensa mostrar como agem as autoridades de Itaituba.
-- Cale a boca, gringa" Já está começando a me encher!
-- Não sou mais "gringa"! Sou brasileira naturalizada e tenho direito a reclamar!
******

(RESUMO DAS PÁGS 107 a 110)
Dona Chaindel recusou-se a dormir no mesmo local que o delegado, embora a casa fosse sua. Foi dormir numa padaria próxima e, adiante, quando soube da presença de joselino nas proximidades, procurou de novo o destacamento da Aeronáutica. Um trio de soldados conseguiram prender o bandido, que alegou que se apresentara ao delegado Scilas e este o liberara para trabalhar no garimpo. Tornaram a prendê-lo e Autora foi a Belém, queixar-se ao Brigadeiro, comandante da Zona Aérea.Este enviou nova equipe de soldados para levantar toda a situação. A chegar em Itaituba, o dr. Scilas havia soltado mais uma vez o sujeito, com o seguinte argumento:
-- "Êle disse que a senhora o procurava na rede. A mercadoria, segundo êle, foi uma forma de pagamento, pois tinha 26 anos e não ía dormir com uma mulher velha, de graça"!
Tornaram a prender Joselino tempos depois, que confessou onde escondera a mercadoria, com a ajuda de um tal Antônio Maranhão. Mais uma vez o facínora "escapa da cela", agora com a ajuda de um certo soldado "Ceará", encarregado de o vigiar.
-- "Êle enganou-me... promete dar-me dez por cento do que apurasse com a venda da mercadoria e a metade para o delegado Scilas. Ao delegado êle deu, mas minha parte êle esqueceu. Vou pegá-lo, vivo ou morto"!
RESUMO DA HISTÓRIA: o Major Rocha exigiu uma declaração por escrito, do soldado Ceará, relatando os fatos, o que acarretou a demissão do delegado e a prisão do "Ceará". Na vaga do dr. Scilas assumiu temporáriamente o cargo de "delegado"... o soldado corrupto e a Aeronática alegou para a prejudicada que isso competia à Polícia Civil resolver.
-- "Imagine a senhora que fiquei sabendo que os soldados encarregados das prisões soltam os ladróes à noite para que roubem em sociedade com êles!" (pag. 108, final)
O fato é que Dona Chaindel recuperou apenas "alguns pares de botas e caixas de leite condensado" (pag. 110) O galpão vazio ela transformou num bar, onde havia tiros quase todas as noites e o "delegado" Ceará extorquia garimpeiros e lhe infernizava a vida, até que ela vendeu tudo por uma ninharia e partiu com Firmino para um novo garimpo, comprado de um "crioulo" das Guianas Inglesas.
Com apenas uma semana de atividades o empregado Carmino (encarregado do garimpo dela) trouxe-lhe 6 quilos de ouro. Ela largou tudo nas mãos do sujeito e viajou a Belém para comprar mais mercadorias. Na volta, a triste notícia: tinham assassinado o empregado e roubado o ouro que guardava, além de dinheiro grosso, da venda feita por êle (sem o consentimento de dona Chaindel) de boa quantidade de ouro.
Nessa época ela fica sabendo que Firmino passou a beber e usa o barco dela para fazer fretes rio acima.

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informações

Autoria
Sally Knofp
Ficha técnica
Este breve resumo do livro HUMILHAÇÃO E LUTA - uma mulher no Inferno Verde tem o objetivo de mostrar a semelhança entre os tempos vividos pela autora, SALLY KNOPF, por volta de 1955/1970 e os dias atuais, numa região onde nada parece mudar, "um apavorante Inferno Verde onde valia a lei do mais forte
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