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Uma Mulher no Inferno Verde! Segunda Parte

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AZnº 666 · Rio de Janeiro, RJ
11/8/2010 · 0 · 0
 

HUMILHAÇÃO E LUTA!
Uma mulher no Inferno Verde, cap. 23, pags 160 a 167)

Estava me arrumando para viajar para o Rio de Janeiro. Chamei Firmino e disse:
-- Você fica com o barco, faça seu frete, mas cuidado com o motor. Ultimamente você tem aparecido, não digo com hálito de cachaça, mas de vinho. Você sabe quanto eu faço campanha contra isso. Naõ vou admitir que você, que é da casa, dê este exemplo.
-- Vai com Deus!, respondeu. Pode estar tranquila que de hoje em diante não beberei mais.

Quando voltei do Sul, Firmino não estava em Jacareacanga, onde mora sua família. Rosa, sua mulher, queixou-se que o marido não lhe dava mais manutenção. A filha, epilética, de 14 anos, estava tendo ataques mais frequentes por falta de remédios. Só não morriam de fome porque ela tirava rancho do armazém por minha conta.
-- Rosa, disse eu, não posso esperar mais. Vou arranjar outro transporte, alugarei um barco e diga a Firmino para não sair mais daqui, para esperar o tempo todo que for necessário.

Deixei uma carta com ordem de não se afastar mais dali e que me esperasse. Bem cedo, subi o rio. Levamos 4 dias sofrendo míséria em viagem, devido à pouca água e castigados pelos insetos. Não tinha meio de comunicação para saber se Firmino já chegara. Arrumei meus negócios e voltei no mesmo barco.
Que decepção! Firmino desobedecera. Não tomou conhecimento de nada e viajou em seguida.

Fiquei furiosa. Neste momento deu-me vontade de estrangular o miserável. Compreendi porque às vezes os homens trocam balas por pouco. Resolvi esperar até à chegada dele e resolver o assunto de uma vez. Demorou doze dias nesta viagem. Felizmente, na ocasião se encontrava um casal do sul hospedado no prédio, espécie de cooperativa. Eram amigos do dono da casa.

Um casal muito simpático e jovem. A moça jogava canastra e era nosso passatempo. O marido dela estava tratando de pesquisas de minério, mas também gostava de uma "pinga" e eu não sabia.
Firmino chegou. Eu estava hospedada na casa da professora, que era perto da de Firmino. Depois que êle descansou e comeu, me enchi de coragem para falar direitinho com êle. Quando cheguei e depois de cumprimentos cordiais eu disse:

-- Firmino, vamosao nosso assunto. Por que você feza isso comigo? Por que não esperou e depois tornou a viajar, não tomou conhecimento de minha carta?
-- Madame, eu resolvi ficar com o seu barco.
-- Ficar, como?, perguntei.
-- A senhora me vende o barco.
-- Essa é boa!, respondi. O barco não está à venda. Como você acha que vou me locomover por aqui? Vou nadando ou a pé, com homens espalhados por toda parte, trabalhando, posso ficar sem o barco?

-- Para a senhora é fácil adquirir outro, e vou ficar com este de qualquer maneira.
-- Você está louco, rapaz, nunca o conheci assim. Está falando grosso. Você não pode dispor da minha propriedade assim.
-- Eu não lhe vou roubar o barco, quero comprá-lo.
-- Se você já tem dinheiro para isso, entyão porque não compra de outra pessoa?
-- Naõ, senhora, eu quero este!
-- Está bem, então pague o valor dele e eu comprarei outro.

-- Vou pagar, mas só quando eu tiver o dinheiro suficiente. Vou trabalhar, quando juntar o valor eu lhe pagarei.
-- Você é ingênuo. Naõ está vendo que não pode ser como você quer? Tire aí suas coisas do barco. Eu tenho outro motorista e vou embora. Já perdi bastante tempo com a espera, e com você não quero mais nada.
-- Não vou tirar do barco coisa nenhuma! O barco já é meu. Tenho compromissos lá no Alto Tapajós e não posso ficar sem transporte.

-- Agora você disse tudo. A segunda família que você formou lá realmente não pode ficar abandonada, como ficou sua esposa e três filhas, inclusive uma doente que precisa de tudo e não tem nada.
Estou sabendo que você enche o barco com sua segunda família e passeia por toda parte, trazendo e levando convidados para as suas festas, já o seu "brotinho" esperando criança.

Êle escutou todo o sermão, calado, depois disse:
-- Foi Rosa que lhe contou tudo isso? Eu só quero saber se foi ela.
-- Nada disso, respondi, foram os passageiros do barco. Não discutamos mais, vamos resolver o caso por bem. O tempo que você usou a embarcação fora do tempo, você não me deve nada. Tenha calam e acabemos o assunto.

-- Por bem, como? O que a senhora quer dizer com isso?
-- Bem, se não entregar o meu barco, recorrerei à Justiça. O comissário daqui não está no momento, mas está o destacamento da Aeronáutica. Êles também são autoridades.
A vila toda ficou sabendo do escândalo. Firmino ameaçou-me com balas e eu realmente temia uma desgraça, mas entregar os pontos seria covardia demais e prejuízo completo. Êle nunca pagaria e nem eu estava em condições de comprar outra embarcação.

Mandei o motorista novo, de nome Marcos, tirar uma peça do motor para êle não fugir. Êle abandonaria a família e eu... adeus ao meu barco! Saí da casa fula de raiva. Estava me encaminhando para subir ao alto onde está funcionando o destacamento da FAB quando o senhor Reinaldo se aproximou:
-- Madame, espere um pouco. Irei falar como Firmino. A senhora vai ver que saberei convencê-lo de desistir do propósito dele e tudo sairá bem.

-- Agradeço muito, mas não posso aceitar. O homem está louco e é capaz de tudo; prometeu balas.
-- Não comigo, respondeu, saberei falar com êle. Aguente a mão! Vá jogar um pouco de canastra com minha esposa, enquanto eu resolvo o seu caso.
-- Está bem, mas pelo amor de Deus tenha calma com êle. Por minha causa não quero que aconteça nada a ninguém.
-- Não se preocupe e aguarde-me um pouco.

Reinaldo encaminhou-se na direção da casa e bateu palmas. A casa estava fechada.
-- Vai embora. Seja quem fôr, não quero saber quem é, nem saber o que quer.
-- Sou eu, gritou Reinaldo. Abre a porta, sou de paz e não venho brigar.
-- Não interessa, respondeu Firmino, se não fôr embora levará chumbo!
Reinaldo se enfureceu com isso e juntou um bando de índios mundurucus que estavam na ocasião em Jacareacanga. Deu-lhes cachaça, tomando êle uma dose também.

Apanhou bombas lacrimogêneas que o coronel Veloso tinha deixado ali na ocasião da Revolução e marchou rumo à casa de Firmino. Quando êle viu este movimento de índios e a gritaria, êle mandou chumbo de dentro de casa. Reinaldo soltou as bombas de gás. Foi um verdadeiro inferno. O povo gritava: "mataram, mataram"!
Felizmente, não foi nada disso. Os índios acharam isso uma festa. Por causa do gás tiveram que se dispersar. A esposa de Reinaldo deu um desmaio. Tive que socorre-la e eu tremia como vara verde.

Enquanto isso os sargentos da FAB tomaram conhecimento do ocorrido e vieram correndo nos jipes.
Apavorados, disseram que havia morrido muita gente. Levaram todos para o destacamento, inclusive o Firmino com sua mulher. Fui acusada por Firmino de mandar matar as crianças dele. Êle disse que armei os índios e êles atiraram para dentro de casa. Foi a vez de Reinaldo falar.
-- Eu assumo toda a responsabilidade. Ninguém atirou. Ao contrário, êle atirou de dentro da casa.
Quando foi a minha vez de falar contei a verdade, mas Firmino insistiu que o barco era dele.

-- Só há uma solução, disse o chefe do destacamento, um avião está voltando de Cururu e vai para Itaituba. Vocês todos irão nele, com um oficio para o delegado de lá. Então será mais fácil o caso ser resolvido. Cada um foi buscar sua bagagem e ficamos esperando o avião. O comissário, que estava ausente, chegou do garimpo onde fora fazer uma diligência. Chegou e, como o caso já era para ser resolvido em Itaituba, êle esta resolvido a ir conosco para depor.

O avião chegou, o comandante ficou a par do que se tratava. Êle me chamou e disse:
-- Madame, a senhora está acusada de mandar atirar em casa de família onde há crianças. O caso é grave.
-- Se fosse assim, seria realmente grave, mas ninguém levou arma de fogo, o gás não foi do meu conhecimento, tampouco o senhor Reinaldo levaria o grupo de índios. Todos viram que Firmino atirou da casa dele.
O comandante era imbecil, um sujeito mal encarado, com cara de nazista.

-- Estes estrangeiros vêm para o nosso país e querem fazer do nosso povo o que bem entendem!
-- Não sou mais estrangeira, comandante. Casei-me no Brasil, meus filhos são brasileiros e estou naturalizada há muitos anos. Sou eleitora e pago impostos. Se minha fisionomia me denuncia aorigem estrangeira, (isso) não é crime e o senhor devia arranjar mais umas "criminosas" como eu para mandar para essa região. Talvez diminuíssem realmente os crimes.

Deram ordem de embarque. A viagem foi boa e silenciosa. Ninguém dava palavra. Parecia enterro! Todos de cabeça baixa e tristes. Chegamos ao campo de pouso de Itaituba, onde naquele tempo funcionava a delegacia. Era de tarde. Todos se encaminharam para a delegacia, menos o Firmino, que pegou a maleta dele e foi embora. O delegado mandou um soldado procurá-lo por toda a cidade, mas não foi encontrado. O delegado ouviu a todos.

Enquanto isso, apareceu o prefeito, que ficou revoltado com a molecagem de Firmino e interveio a meu favor, sabendo o quanto eu tinha feito naquela região e que o barco era de minha propriedade. Seria ridículo fazer a vontade dum irresponsável, que a cachaça estava manobrando. Sabendo que sofri outros revezes, pensava que desta vez também não teria justiça.

No outro dia êle apareceu na delegacia. Tinha ido pescar com um amigo no outro lado do (rio) Tapajós. Já de manhã e completamente embriagado, o delegado ficou furioso e deu ordem de prisão. Teve que limpar as ruas para arranjar comida. O nosso avião já tinha regressado quando êle apareceu; ficou sem transporte por quinze dias. O delegado deu um ofício ao chefe do destacamento (da FAB) para me entregar o barco.

Quando Firmino voltou para Jacareacanga, se entregou completamente a bebidas, a ponto de ficar gravemente enfermo. O avião da FAB levou-o para Manaus para se hospitalizar, mas não conseguiu sobreviver. Mais uma vítima deste vício, deixando a família na miséria e mais um filho que estava chegando.
No garimpo do Pacu eu fornecia rancho a trôco de ouro para um garimpeiro que trabalhava com mais 2 irmãos. Aquele de quem eu mais gostava se chamava Barbozinha, êle me chamava de tia e era muito correto nos pagamentos.

Eu não sabia que a desgraça do vício (OBS.: da bebida) se apoderava do pobre rapaz e cada vez mais êle me aparecia mais abatido. Andava febril. Eu esgotei meus precários conhecimentos de medicina. Barbozinha estava diminuindo cada dia, a ponto de eu arranchá-lo no meu barracão e cuidar da sua alimentação.
Quando melhorou, voltou para o garimpo. Era muito trabalhador. Começou a beber e os remédios perdiam o efeito. Teve uma recaída.

Os pais dele moravam em Jacareacanga, tinham a sua roça e não passavam necessidade. Os filhos sempre lhes entregavam uma parte do ouro de sua produção. Um dia a mãe do rapaz foi ver o filho doente e se lastimou que êle não tinha mais jeito e que ía perder o filho.
-- Por que não o manda para Santarém? Lá tem médicos e hospitais, aqui realmente êle não tem possibilidade de sarar. Só milagre!
-- Madame, nós não sabemos andar em cidade grande, nunca arredamos pé daqui, todos nós nascemos aqui e morremos aqui, respondeu.

-- Estou me arrumando para viajar para o Rio de Janeiro. Quer mandar Barbozinha comigo? Lá falarei com um médico amigo meu, que o encaminhará para interná-lo. Lá êle não poderá beber; fará um tratamento completo e poderá se refazer totalmente. Mas não poderei esperar por êle! Poderá ficar internado até eu voltar (ao Rio). Então viajaremos de volta para aqui. Que tal?
-- Se a senhora fizer isso, ficarei eternamente grata! Abaixo de Deus, a senhora salvará meu filho. Além de eu pagar todas as despesas, ainda pagarei o seu trabalho.

-- Não se trata do meu trabalho. A senhora arranja o dinheiro da despesas, ou dá por conta algum dinheiro e viajaremos pelo avião da FAB até Manaus. Pernoitaremos lá e, depois, viajaremos com um avião comercial até o Rio.
-- No momento estou desprevenida, não tenho nada. Todo o ouro que os meninos me derem será guardado para a senhora, caso possa levar meu filho, para lhe pagar na volta. (...)
-- Está bem. Prepare a roupa dele e amanhã iremos viajar!
**********************************

(A SEGUIR, RESUMO DAS PAGS, 166/167)
Chegando a Manaus, o matuto Barbozinha tinha medo de tudo: recusou-se a entrar no elevador do hotel, subindo mesmo doente 8 andares a pé. Não tomava banho quente por medo de levar choque do chuveiro elétrico e foi um sacríficio colocá-lo dentro do avião. Nunca comera com garfo e faca, usava as mãos junto com a colher e, no hospital, encontraram nele várias doenças, além de malária e quase nenhum sangue. "Estava bem perto da sepultura", escreve a Autora.

Antes de voltar para o Norte, deixou um depósito de 500 CRUZEIROS, "que naquele tempo era muito dinheiro", pijamas, material de barba, bermundas e tudo o que Barbozinha pediu. Dois meses depois, voltou ao Rio e... "encontrando-se com o dr. Ubirajara, este me disse quantos litros de soro e sangue o Barbozinha tomou, além de outros medicamentos que foram precisos. No fim, os seus serviços médicos êle não quiz cobrar. Mas, assim mesmo, por UM MILHÃO E DUZENTOS (cruzeiros), que era muito dinheiro em 1963, foi salvo uma vida" (sic).
Barbozinha voltou a beber, durante a viagem de volta, já em Santarém, onde aguardavam transporte para Jacareacanga.
*********************************
Chegando e Jacareacanga todos ficaram felizes ao verem o defunto ressuscitado, bonito e forte. Mal sabiam que o maldito vício voltara a dominar o jovem. Falei particularmente com os pais e êles prometeram-me que iriam controlá-lo e que êle não beberia mais. Dr. Ubirajara já tinha me dito que se êle voltasse a beber não teria vida por muito tempo. Transmití isto aos pais. Voltou para os trabalhadores. Antes de viajar falei sobre o pagamento da despesa que fiz na viagem, apresentei a conta do Hospital, de passagens e hotéis, mostrei todos os recibos.
-- Madame, não se preocupe, meus filhos estão com muita terra para lavar e o ouro todo será para a senhora. Quando (a senhora) voltar nós acertaremos tudo!

Viajei e quando voltei, depois de 6 semanas, Barbozinha já estava morto. Não deixara mais de beber e não resistiu. A morte era recente e me acanhei de falar sobre o dinheiro devido e os pais dele não tocaram no assunto. No outro dia, viajei de novo. Quando voltei da viagem fui à casa dos pais do falecido. Naquela hora eu queria que êle estivesse vivo, para lhe passar um esculacho. A mão do rapaz chorou e eu também chorei emocionada. Também sou mãe! Depois cheguei ao assunto do dinheiro, penalizada por êle ter morrido, pois êle estava tão bem. A mãe levantou-se de onde estava e disse-me:
-- A senhora não me fale em dinheiro!

Eu perdí o meu filho e ainda por cima vou pagar o meu ouro por uma coisa perdida? Não, madame! Esqueça! A senhora levou o meu filho (pro Rio) por que quis. Eu não tenho nada com isso!
Eu não podia acreditar no que estava ouvindo. Levantei-me e saí. Confesso que até hoje não me arrependi de ter feito o que fiz! Este fato é verdade e marcou muito a minha vida. Com isso quero mostrar a ingratidão e que minha campanha contra a cachaça é justa. Foi a cachaça que matou um rapaz de 22 anos e, além deste, muitos outros. (...)
*************************************
(OBS.: nas páginas finais SALLY KNOPF relata uma briga de morte, em seu bar, entre uma prostituta e sua empregada Dulce, facão contra pau e a autora do livro no meio, tentando apartar. Foi empurrada com tal violência que quebrou um braço e torceu a mão. Passou 3 dias meio desmaiada e, por fim, decidiu desistir de tudo. Antes disso, tinha perdido mais uma vez quase tudo em outro garimpo, pela demora de um avião em trazer o maquinário necessário para a exploração do ouro.
*********************************
(pags 206/207) Finalmente tomei a decisão de abandonar o Inferno Verde. Com o coração em pedaços entreguei os pontos. Chamei os poucos homens que restavam, expuz a situação a todos e dei ordem de se defenderem, que trabalhassem nas minhas terras, dando para cada um uma área suficiente para recompensar o seu tempo perdido. Eu era uma "condessa" falida, pifada e envergonhada. Tive que abandonar o meu Shangrilah.
A recompehsa que tenho me basta:
Centenas de homens trabalhando lá até hoje! Um pouco de moral que plantei, decerto não foi esquecido e eu, com certeza, também não serei esquecida, pois um amigo me prometeu botar um placa na minha sepultura:
"Aqui jaz a Mulher mais besta do mundo": CHAINDEL.
xxxx-xxxxx
ESPERA DE 20 ANOS!
(por JOHN W. DAVIS JR.)
A Família DAVIS tem esperado 20 anos por uma solução judicial da invasão de sua propriedade, Fazenda Capaz, pelo fazendeiro vizinho, Marcelino Mendes de Andrade. Em 1969 uma ação eficaz do então delegado de Polícia de Paragominas, Bel. Euclides Vasconcelos controlou, no seu início, a primeira investida de Marcelino contra a Fazenda Capaz.

Mas a segunda invasão de Marcelino, iniciada no verão de 1972 e acompanhada desta vez por outros invasores tem desafiado qualquer solução, inclusive judicial, durante 20 anos. Conforme o relatório do oficial que serviu o Mandado Judicial do Interdito Proibitório contra Marcelino, antes da queima do seu primeiro desmatamento na Fazenda Capaz, em 1972, foi desobecida a ordem judicial.

Depois dos assassinatos premeditados pelos invasores, de três dos proprietários, John Davis e seus 2 filhos Mallory Davis e Bruce Davis, numa emboscada dentro da Fazenda Capaz em 3 de julho de 1976, os companheiros de Marcelino acharam por bem desistir da invasão, entrando em acordo com os proprietários sobreviventes. A invasão mudou de 238 famílias, com mais de 1300 pessoas, para apenas a família de Marcelino.

A área da propriedade foi reduzida de mais de 100.000 para 15.000 hectares, sendo a invasão da família de Marcelino em 770 hectares da área restante.
Apesar da sentença judicial em 1989 nos Autos da Ação Reivindicatória da Capaz, refletida em vários processos conexos, ordenando Marcelino devolver a área invadida aos proprietários, Marcelino está demonstrando sua falta de respeito, tanto à própria Justiça quanto à propriedade dos Davis, com investimentos pesados este ano na mecanização da área em litígio.

A sociedade paraense, da qual as famílias Andra/Davis fazem parte integrante, anseia pelo respeito à propriedade e vida alheia, cujo repseito é fundamental para uma sociedade pluralista, democrata, moderna e próspera. Os membros da Família Davis, procurando ser fiéis ao Senhor Jesus Cristo, entendem que a solução do desrespeito já consumado pelo Marcelino cabe, não às vítimas, mas, sim, à sociedade mediante suas autoridades competentes e, em todo instante, ao Juiz dos Juízes, o único Deus verdadeiro.

O que cabe ao membros da família Davis (...) é procurar "passar a esponja" no triste passado e ganhar o respeito mútuo com Marcelino (como com tantos outros já ganho sem ação judicial) para um futuro feliz e produtivo.
Em têrmos de vidas, propriedades, dinheiro e anos, a Família Davis não tem medido esforços para este realcionamento com Marcelino em benefício da sociedade e em fidelidade ao Senhor Jesus.

Será hoje (29 de outubro de 1992) a vez da Sociedade falar mediante seus juízes, no julgamento em pauta na 2ª Câmara Cível Isolada, no salão pleno do Tribunal de Justiça do Estado do Pará.
(publicado no jornal DARIO DO PARÁ, de Belém, nessa data)


Sobre a obra

Este breve resumo do livro HUMILHAÇÃO E LUTA - uma mulher no Inferno Verde tem o objetivo de mostrar a semelhança entre os tempos vividos pela autora, Sally Knopf, por volta de 1955/1970 e os dias atuais, numa região onde nada parece mudar, "um apavorante Inferno Verde onde valia a lei do mais forte", escrito pelo neto Sérgio.

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Sally Knopf
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